domingo, 11 de fevereiro de 2024

Carnaval 2024 - Domingo

 

Leituras para distrair

 

Hoje, domingo de Carnaval 2024, são 10:45 horas, e o rei Momo ainda não se fez presente no Aterro, salvo por baixíssimos sons de fundo insuficientes para atravessar a barreira da minha janela. O silêncio acompanha uma belíssima manhã de sol, as pistas interditadas como sempre estão nos domingos e feriados, e a área de praia com bem pouca gente. A galera pode estar em outro local, preparando-se para a tarde do domingo e a noite das escolas de samba ou, quem sabe, ainda se recuperando de ontem. Aliás, ontem, no final da tarde e até o início da noite, o Carnaval rolou outra vez por aqui repetindo a animação que foi pela manhã. Para mim está ótimo. Tomara que essa aparente tranquilidade reflita a realidade e que essa beleza de dia seja o cenário para todos os foliões onde quer que estejam.




 

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Carnaval 2024 - Sábado

Leituras para distrair

 

O som do Carnaval no Aterro invade a minha sala, apesar do janelão de vidro duplo. Uma multidão cantando e uma banda de altíssima qualidade, recheada de instrumentos de sopro e um repertório variadíssimo de bom gosto e popular porque permanentemente acompanhado pelo coro de vozes. Um "barulho" de fundo que reflete uma animação saudável e até agradável. Uma festa. Dá vontade de descer, atravessar a rua e acompanhar. Sentimento que, felizmente, acaba antes que a decisão seja tomada, logo ao me aproximar da janela  e perceber o maçarico solar e o calor infernal. Um alerta. Desejando que a galera se divirta muito, eu volto para minhas leituras e para os eventuais vídeos selecionados que posso assistir na TV, acomodado em meu refrescante ar condicionado. Atualmente eu ouço o Carnaval. No limite, observo com binóculo. ###


 


 

 

 

 


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Uma Atlântida carioca

 

Leituras para distrair

 

Conheci uma figura que dizia existir sob a baía de Guanabara uma população alienígena, e que havia alguns portais de passagem entre o nosso mundo, terrestre, e o alienígena, subaquático. Quando soube da história eu tomei como piada. Não a tese de um mundo submarino, mas o fato de haver alguém que descaradamente propagava aquela história, até que eu conheci o sujeito.

Não foi  um conhecimento ocasional, brincalhão. Não ocorreu em um boteco, bebendo umas cachaças, nem em conversas fiadas de esquinas. Longe disso. Foi em um  grupo de trabalhos de engenharia que coordenei com profissionais de diferentes empresas, todos reconhecidamente competentes entre os seus pares.

Alguns já se conheciam, eram colegas de trabalho, outros começavam a se conhecer. Achei que era sacanagem, que eram conversas de aproximação e coisas do tipo. Cuidadoso, antes de outra reação, procurei saber mais sobre o novo colega e se, de fato, tratava-se apenas de uma brincadeira entre trabalhadores. Não era assim. O sujeito era bem conhecido em seu local de trabalho,  ele e suas teses. Eu era um dos mais novos a ter contato com ele que, conforme fiquei sabendo, tinha até um histórico importante de trabalhos profissionais.

Sempre cuidadoso, busquei me aproximar e a recepção foi amigável e tranquila. Não havia segredos entre ele e seus companheiros de empresa. Todos conheciam suas histórias, e ele estava acostumado com a perplexidade dos novos ouvintes e até com a gozação de alguns dos seus colegas quando tratavam do assunto.

Fiz o que pude para viabilizar uma aventura pelo tal portal, mas minha viagem nunca ocorreu. Devo dizer em defesa do então colega que todos os impedimentos foram circunstanciais, e nenhum decorreu de objeções dele em comprovar suas histórias. Ele sempre esteve disposto a me levar para conhecer o tal mundo desde que atendidas algumas obrigações, que eu nunca soube exatamente quais eram, para a realização da passagem.

A vida profissional nos separou. O sujeito trabalhava em outra empresa e não sei qual fim levou, possivelmente estará aposentado, se ainda estiver vivo. Hoje, vejo a baía de Guanabara da qual tenho visão privilegiada (não tinha na ocasião) e imagino se a população da Atlântida carioca, que perdi a oportunidade de conhecer, continua por lá. Pensei nisso durante a queima de fogos na última virada de ano: Icaraí, Flamengo, Copacabana, suponho que deve ter sido uma aporrinhação para os extraterrenos.

As vezes penso se deveria ter dedicado mais atenção para desvendar aquela história do meu colega maluquinho, mas sempre será uma lembrança boa. Gosto disso,  ainda mais quando penso que a história nasceu de um sujeito que o senso comum costuma rotular como “normal”. Trabalhador, responsável, formação técnica profissional, emprego formal etc. Não tenho autorização nem lembrança para publicar nomes, mas foram várias as testemunhas que viveram essa história comigo e que entrou para o meu acervo de histórias para distrair.

Lembro de outra, essa mais conhecida, que está até no Google. Entre os tantos profissionais normais com quem trabalhei,  cruzei com um que criava Sacis, e que chegou mesmo a formar uma Associação de Criadores. Que tal?

 

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Sem resposta, nem proposta

 

Opinião

 

Recebi mensagem reproduzindo notícia de um jornal local com a manchete:

Nova Operação estoura Cracolândia em frente ao Palácio do Catete

A notícia se referia a um  ajuntamento, ainda pequeno, embora permanente e crescente de indigentes que ocupam o corredor entre o muro do Museu da República e  as construções do elevador e de ventilação do Metro Catete, aqui, na cidade do Rio de Janeiro, e onde consomem o crack que é um derivado da cocaína. Segundo a notícia, houve operação anterior, 9 meses antes, e sobre a ação na quarta feira última, 09 de janeiro de 2024, o jornal disse:

“ Os 11 cracudos abordados possuíam antecedentes criminais, como roubo, furto, Lei Maria da Penha, entre outros. Um deles, possuía oito passagens pela polícia... “

Em conversa com pessoa amiga comentamos sobre como responder a esse tipo de  desafio social partindo da premissa que agir contra o aumento de moradores de rua viciados em crack e que formam as apelidadas cracolândias, com todas as suas características e consequências, não pode ser simplesmente tirá-los da nossa frente ou matá-los.

De minha parte, assumo que não tenho resposta nem proposta para esse enfrentamento. Nem  mesmo se eu tivesse poderes econômico e político absolutos eu não saberia como tratar tal problema, esse tipo de vício e viciados.

Conheço algumas iniciativas beneméritas, mas que são de caracteres praticamente individuais, de pessoas que dedicam suas vidas aos cuidados desses necessitados. Mas, eu não estou entre essas pessoas e a sociedade não é povoada de padres lancellottis. Também não acho que esse seja o tipo de política pública que possa responder a esse problema social.

Faço o exercício de tentar, mas não consigo imaginar uma sociedade de seres que se autodiagnostiquem como sadios  e que se organizem em um ambiente de aceitação e convivência em espaços comuns com outros também humanos, mas que por circunstâncias infelizes e diversas foram transformados em mortos-vivos. Uso a voz passiva porque acredito que ninguém terá mergulhado nessa situação por vontade consciente .

Imagino iniciativas de repressão ao tráfico e comercio de drogas que contribuam para mitigar as taxas de aparecimento de novos viciados, assim como imagino ações de natureza sanitária que possam auxiliar os indigentes, mas o vício sempre existirá e sou completamente ignorante sobre o assunto. Nem mesmo sei de iniciativas aqui ou acolá que possam ser tomadas como exemplos a seguir ou tentar. Apego-me à expectativa de que elas existam e a minha contribuição possível será conhece-las e, conforme o caso, adotá-las como bandeira assumindo a luta por elas.

 

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Pobres que apavoram

 

Opinião

 

Brincando recentemente com a lembrança do romance “1984” de George Orwell, registrei alguns termos que chamei de Novilíngua 2023.  Uma brincadeira para ajudar a pensar a vida e o mundo contemporâneo. Narrativa; Arcabouço; Estrutural; Ancestralidade,  foram alguns deles.

Ainda no finalzinho do ano, dei de cara com o termo Aporofobia que tem sido divulgado pelo padre católico Júlio Lancellotti  praticante de ações sociais com moradores de rua na cidade de São Paulo (SP). Sem entrar nas raízes etimológicas do vocábulo, vale o significado nos termos em que tem sido divulgado pelo padre Júlio:

Aporofobia significa rejeição ou aversão aos pobres

Não se trata de uma aversão à pobreza, mas aos pobres, e o padre Julio, em suas ações para mitigar as situações de miséria dos moradores de rua, também tem denunciado veementemente a Aporofobia.

As pregações do padre têm tido repercussões, ao ponto da Câmara de Vereadores da cidade de São Paulo, em dezembro último, num ato de escrotice extrema, ter aprovado um pedido de comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar organizações não governamentais (ONGs) que atuam na região da Cracolândia, mas cujo objetivo principal  – não é novidade – é constranger a atuação do padre Julio Lancellotti

O padre Julio parece estar cagando para a possível CPI. Já declarou que nem trabalha em ONG, que faz  trabalho da Arquidiocese, a Pastoral do Povo da Rua de São Paulo. A Arquidiocese,  por sua vez, já se manifestou oficialmente criticando a iniciativa do pedido de CPI.

Um termo, um vocábulo, não aparece na língua vindo do nada, ele é praticado enquanto faz sentido na sociedade onde circula. Não é um fato novo  a existência entre nós de pessoas que manifestam sua aversão aos pobres sem demonstrar aversão a pobreza. É tão comum que até se faz caricaturas disso.

Um personagem de sucesso na TV , Caco Antibes, fazia a caricatura da Aporofobia - “ Tenho horror a pobre!“ - era o bordão do personagem interpretado pelo ator Miguel Falabella. E em minha infância, ainda na era do rádio e antes da TV, o programa "Balança, mas não cai!" divertia as pessoas com a dupla caricata: Primo Rico e Primo Pobre interpretada pelos atores Paulo Gracindo e Brandão Filho, respectivamente.

A sociedade tem instituído alguns constrangimentos às piadas de humor com homossexuais,  negros, gordos e carecas,  que antes eram caricaturas comuns no anedotário  público, e hoje são politicamente incorretas. Porém, ainda não há constrangimentos para as exposições caricatas da Aporofobia.

Muitos implicam com o chamado politicamente incorreto. Não me excluo. Busco me corrigir, mas não é uma reação espontânea, é elaborada. Acredito que o incômodo desaparecerá com o fim da minha geração, as que virão reagirão melhor. Mas, o fato é que o constrangimento representa um estado de amadurecimento cívico e social. Sabemos a origem das proibições, e a contrapartida é que elas carregam consigo uma vontade de desmontar visões preconceituosas e, consequentemente, discriminatórias.

Enquanto isso segue a realidade social com seus conflitos e, felizmente, existem padres Julios para pregar a distinção entre pobres e pobreza, adentrando em espaços onde a militância tradicional nem mesmo se atreve, e fazendo suas mensagens ressoarem com tal potência que chega a abalar e apavorar canalhas com armaduras de mandatos parlamentares que além de aporófobos são padrejuliófobos.

Em tempo: continuarei registrando termos da Novilíngua, agora 2024.

 

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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

O fim da vida, sem direito a Bis

Opinião

 

Nas primeiras linhas, do primeiro capítulo, da primeira seção do primeiro volume da sua obra O Capital, há mais de um século e meio, Karl Marx escreveu assim:

“A riqueza das sociedades onde reina o modo de produção capitalista aparece como uma “enorme coleção de mercadorias”, e a mercadoria individual como sua forma elementar” 

O sacana do Marx compreendeu, definiu e ensinou sobre o núcleo do modo de produção em que ele vivia: o modo capitalista ou capitalismo. Surpreendentemente para muitos em suas primeiras leituras, o tal núcleo não é o trabalho, nem o homem, nem a exploração, muito menos a revolução. O núcleo é a mercadoria.

No capitalismo tudo é tomado como mercadoria, se não for, não tem vez no sistema. Quem tiver alguma  mercadoria pode ir ao mercado e tentar trocá-la por outras que poderá consumir para sua sobrevivência. Quem não tiver está fora. É descartável.

E prosseguiu Marx:

“A mercadoria é, antes de tudo, um objeto externo, uma coisa que, por meio de suas propriedades, satisfaz necessidades humanas de um tipo qualquer. A natureza dessas necessidades – se, por exemplo, elas provêm do estômago ou da imaginação – não altera em nada a questão. Tampouco se trata aqui de como a coisa satisfaz a necessidade humana, se diretamente, como meio de subsistência, isto é, como objeto de fruição, ou indiretamente, como meio de produção”

(Nota: Essas traduções foram copiadas das edições de O Capital da Editora. Boitempo) 

O velho Mouro viu muito além do seu tempo. Mas, não cometamos o equívoco de imaginar que ele profetizou ou idealizou os dias de hoje. Não!  Ele não era mágico e nem fazer idealizações era a sua praia. Materialista, ele  pensava no mundo a partir das suas experiências e das realidades que conhecia e, ainda assim, ele viu o coração do sistema – a mercadoria. Aliás, esse é o título do Capítulo 1 de O Capital. Ovo em pé. Depois que alguém mostra a solução ela parece óbvia.

Hoje os jornais informam que o  estádio de futebol Morumbi será, a partir de janeiro de 2024 e durante os próximos três anos chamado de MorumBis – uma referência à marca de chocolate Bis. Um negócio de 75 milhões de reais. Alguém vendeu e outro alguém comprou o nome do estádio!

O tipo do negócio chama-se “naming rights” e a mercadoria é o “nome” do estádio. A mercadoria atende às necessidades humanas. Se elas provêm do estômago ou da imaginação – não altera em nada a questão. Essa assertiva foi estabelecida pelo Mouro há mais de 150 anos.

São muitos os exemplos de “naming rights”. Negociações similares já foram feitas pelos clubes Palmeiras e Corinthians. Em 2021 os jornais anunciaram uma crise no Metro RJ que vendeu o nome da estação Botafogo que passou a se chamar: Botafogo/Coca Cola.

Muitos comentarão com indiferença que capitalismo é isso mesmo, vida que segue, mas sem compreender ou considerar a abrangência desse modo de produção que entende tudo como potencial mercadoria.

Marx foi além. Apontou que o futuro do capitalismo é a extinção da nossa espécie, na medida em que até mesmo a natureza que viabiliza a vida humana no planeta será consumida como “mercadoria”. E tem gente que acha que a bandeira de fim do capitalismo é coisa de comunista e de sonhador inconsequente.

Superar o capitalismo é imperativo se o ser humano não quiser ser o seu próprio algoz. Tarefa de quem ainda está ou estiver por aqui. Que venha 2024!

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terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Fungível ou Não Fungível? Eis uma questão

 

Leituras para distrair

 

Pode ser que você esteja efetivamente conectado às novidades do mundo contemporâneo, particularmente as decorrentes das novas tecnologias. Quem sabe, até,  olhe com desdém outros, como eu, que estando ainda atrelados a invisíveis grilhões geracionais atrasam o passo sem conseguir acompanhar a corrida frenética da humanidade para um futuro que ninguém discutiu se deveria ser o nosso objetivo.

Pois bem, qualquer que seja o seu grupo, sugiro como atividade interessante uma visita à exposição no Centro Cultural Banco do Brasil RJ – CCBB, intitulada  “Década dos Oceanos - I Mostra Nacional de Criptoarte”.

Se buscarmos informações sobre a tal exposição vamos encontrar a seguinte descrição:

 

“  Através de 27 artes digitais, na forma de NFTs “ ... “ A exposição propõe um espaço para o debate sobre as novas fronteiras da arte contemporânea e apresenta a primeira geração brasileira de artistas digitais que usam a plataforma blockchain para validação da sua produção”

 

Se você entendeu, ponto pra você! Mas eu admito que fiquei feito um babaca, dado que não me adiantou muito traduzir “blockchain” como “cadeia de blocos” e muito menos ao saber que “NFT “ significa  “ non - fungible tokens” ou “ tokens não-fungíveis “

A exposição em si é um monte de telas, tipo TVs enormes, com imagens, a maioria em movimento, representando paisagens ou cenas referentes a oceanos e coisas associadas. Para o babaca aqui, ou leigo, se quiserem, não pareceu coisa muito diferente das inúmeras animações you tube que recebemos via zap, salvo, naturalmente, o gigantismo e a qualidade das produções. Mas, o meu interesse em nenhum momento esteve atrelado às imagens ou obras. Eu fiquei invocado com a tal da criptoarte, o blockchain e aquelas coisas “não fungíveis”.

Até onde consegui saber (passei mais tempo no google do que na exposição), blockchain refere-se a um conjunto de computadores e de softwares que formam uma rede com um sistema de processamento, armazenamento e transmissão de informações em códigos (criptografados), nos quais a segurança das informações é extremada e garantida.

Essa estrutura já é utilizada entre grandes corporações para tratar seus negócios e mesmo para o processamento interno de informações. É essa a estrutura utilizada para as negociações com as moedas virtuais chamadas de “bitcoins” ou criptomoedas, mas agora estão sendo adotadas para uso em “artes digitais” e, assim, denominadas de criptoartes.

Uma das características desses mecanismos é que, ainda com objetivo de segurança, o que circula nas redes não são as informações em si, mas um código ou senha que representa o conjunto de informações denominado “ token”.

Podendo representar vários dados, o token pode representar um produto, um serviço, um pagamento, um meio de pagamento, e até mesmo um ativo economicamente tangível.

Com essa concepção, um vídeo criado por um artista pode ser representado ou “validado” por um token e circular numa blockchain sem o risco de ser copiado,  garantindo a exclusividade de sua propriedade e a impossibilidade de replicação da obra. No limite, sem entrar na discussão sobre o que isso significa em termos de valores sociais, o uso dessas tecnologias garante até a manutenção do princípio da escassez da obra.

Um token que represente dinheiro, por exemplo as bitcoins, pode ser gasto, consumido em partes ou integralmente. Bens com essa característica na linguagem jurídica são chamados de bens “fungíveis”. Os que não podem ser gastos ou consumidos, integralmente ou em partes, são os “não fungíveis”. Os tokens que representam as obras de artes são do tipo “não fungíveis” ou NFT – “ non - fungible tokens”. Foi essa porra que fui ver no CCBB.

Buscando saber sobre o assunto, vi notícias que já existem casos de leilões de criptoartes com peças negociadas no valor de  dezenas de milhões de dólares.

Eu não faço juízo sobre valor de produtos artísticos. Trata-se de uma discussão que foge da intenção aqui. Mas, faço um juízo negativo da valorização de objetos artísticos  apenas pela condição de serem propriedade exclusiva ou da raridade e escassez da obra. Acho uma valorização escrota e sem sentido. Não sinto o constrangimento em expressar: F... -se os que valorizam isso (o “f ...” não é de fungível).

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EXPOSIÇÃO - DÉCADA DOS OCEANOS - 1ª MOSTRA NACIONAL DE CRIPTOARTE

CCBB RJ – de 30 de novembro de 2023  a  26 de fevereiro de 2024

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Puxando conversas - humanidade

Opinião 

Aprendi a não gostar do termo “humanidade” porque, salvo, talvez,  o seu significado biológico,  ele idealiza algo que não se verifica materialmente. Pior do que isso, ele generaliza e encoberta a realidade das relações sociais que, por sua vez,  são determinadas pelos nossos papéis no modo que nos organizamos para produzir os bens básicos da nossa subsistência. Atualmente, o modo de produção capitalista.

 No mundo real não existe uma “humanidade”, existem pessoas que  se organizam para suprir suas necessidades vitais e que, atualmente, salvo algumas poucas comunidades, estão divididas em classes sociais conforme o papel de cada um na produção, na propriedade e na troca de mercadorias.

 Apoiado nessas premissas, penso que há um fator que fica escondido, como se estivesse disfarçado, em quase todas as intervenções que tenho acompanhado sobre a tragédia na Palestina: o papel do capitalismo e suas decorrências.

 Estamos, sim, diante de uma tragédia que “não nasceu no vácuo” como expressou o secretário geral da ONU, mas quando se discorre sobre as causas do conflito, dificilmente são alegadas as decorrências do modo de produção capitalista, com sua dinâmica e os seus atores, entre eles as mega corporações cujos interesses determinam as políticas governamentais que provocam discriminação, apartação, segregação, guerras e coisas do gênero. O capitalismo fica dissimulado, nunca vem à tona, como se ele não tivesse importância. Nunca é debatido.

 Sem desqualificar as vítimas civis israelenses assassinadas pelo Hamas nem os assassinatos em massa de palestinos que o governo israelense está praticando, arrisco dizer que tais horrores e tragédias estão abstraídos da motivação central dessas disputas, qual seja, a manutenção de uma ordem na relação de poderes mundiais que é a ordem capitalista ou o capitalismo.

 Vale ressaltar que essa abstração não retira o realismo triste e trágico da chamada questão palestina. Não desfaz as atrocidades que tenham sido cometidas pelo Hamas e, muito menos, o genocídio que "Bibi" Netanyahu vem praticando com as bençãos de Joe Biden (EUA), Emmanuel Macron (França) ,  Rishi Sunak (Inglaterra) e  Olaf Scholz (Alemanha), para não citar outros.

 Contudo, essa abstração distrai nossos olhares, muitos até conformados ao assistir genocídios em horários da tarde nas TVs. Navios de guerra da China “visitam” o Kwait; aviões da Russia com mísseis hipersônicos monitoram esquadra americana no Mar Negro; porta aviões dos EUA nas proximidades de Israel; navio de guerra da Inglaterra nas proximidades do conflito; bombardeio do aeroporto de Damasco por Israel. Parece que tudo está organizado e esperando um estopim. Ficamos hipnotizados e ninguém debate que essa suruba bélica resulta de uma rearrumação do capitalismo.

 O capital em suas várias formas precisa explorar, circular, acumular e repetir o ciclo. Para o capitalismo vidas humanas não importam, fodam-se os judeus e os palestinos. Essa é a sua lógica que não é uma lógica do bem contra o mal, de palestinos contra judeus. É a natureza de um modo de produção que inventamos e que precisamos superar. Ainda assim estamos entupidos de narrativas sobre a origem dos conflitos na Palestina, afogados em histórias da Bíblia, Torá e Alcorão quando deveríamos estar forçando um questionamento:

 O que faz os principais governos ocidentais empenharem-se na manutenção daquele Forte Apache, encravado no Oriente Médio e chamado Israel?

 Afinal, quem acredita que foi o assassinato de um duque lá na puta que pariu que provocou a primeira guerra mundial? 

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sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Gaza - ainda tomando partido

Opinião 


Em postagem anterior, aqui, nesse blog, eu publiquei:

 “embora consciente que essa não é a opção política de toda a população israelense, o fato é que Israel tornou-se um estado racista e empenhado numa limpeza étnica cuja vítima principal tem sido as populações palestinas ”

Recebi discordâncias dessa afirmação. De minha parte, gostaria sinceramente de estar enganado, e vou além: gostaria que conjuntura política, tão conturbada, afetasse o rumo dos acontecimentos e negasse minhas avaliações. Contudo, até lá eu reafirmo essas avaliações.

No cenário atual eu tenho procurado não ser abalado pelas narrativas e notícias.  Praticamente todas, de um lado e de outro, e também de alguns outros, estão contaminadas de preconcepções, quando não são simplesmente falsas, fakes, montagens oportunas.

Isso não muda fatos históricos já filtrados e reafirmados por suas próprias consequências, entre eles a política que tem sido adotada pelo estado de Israel em relação a população palestina.

O apartheid israelense é uma realidade inquestionável, Gaza e Golan são exemplos vivos (enquanto ainda existirem palestinos vivos) e, a continuar assim, na medida em que a onda fascista mundial, já conhecida no Brasil, contaminou também parte da sociedade israelense na escolha de lideranças políticas, não será absurdo imaginar que os palestinos estão ameaçados de uma “solução final” dado que estão no limite de suportarem a vida em guetos.

 

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terça-feira, 17 de outubro de 2023

Gaza - Tomando partido (2)

Opinião 


A situação na Palestina divide opiniões. É uma pena que tenha sido necessária uma tragédia provocada pelo grupo Hamas contra a população civil israelense para que o mundo dedicasse um pouco de atenção para a outra tragédia que vêm ocorrendo há anos e provocada pelos sucessivos governos de Israel contra a população civil Palestina. A essa altura dos acontecimentos não acho que  caiba resgatar aqui fatos históricos. As fontes são várias e consistentes.

Não há um sistema internacional para a medição e comparação de tragédias. Uma única vida perdida em um conflito é tão importante quanto qualquer quantidade perdida em outra situação. Não há equiparações por relação aritmética, não se trata de conferência de estoques.

Já expressei minha visão sobre o Estado de Israel representado por seus sucessivos governos. Embora consciente que essa não é a opção política de toda a população israelense, o fato é que Israel tornou-se um estado racista e empenhado numa limpeza étnica cuja vítima principal tem sido as populações palestinas. Qualquer que seja a proporção de opinião da população israelense, essa tem sido a pratica resultante de seus governos, todos escolhidos num processo que aquela população aceita como democrático.

Não acho que deveria haver dois estados na região. Até aqui sou adepto da solução de um estado único, laico, multinacional e com direção política determinada por seus habitantes de qualquer etnia ou religião – um cidadão um voto. Obviamente isso significaria o fim do estado de Israel nos termos atuais.

Ao mesmo tempo, não titubeio ao avaliar o ato do Hamas no dia 7 de outubro. Foi um ato violentíssimo e covarde na medida em que deliberou pelo massacre de população civil desarmada. Não, repito, não contaria com o meu voto caso eu tivesse essa opção. Eu não ignoro as justificativas para a atuação do Hamas, e se estivesse por lá, no centro das decisões, eu precisaria escolher. Sorte minha, não estava.

Não caio na armadilha de discutir se é terrorismo ou não. Terrorismo  é uma expressão que nada diz e que serve às circunstâncias. O status quo, os poderes instituídos e vigentes, usualmente denominam de “terrorismo” as ações violentas contra si e lançam mão da consigna: contra a violência e contra o terrorismo – como se isso fosse um dever sagrado e inquestionável. Mas, nunca se dispõem a debater as razões de um ou de outro. Afinal, por que “terrorismo”  ou  por que  “violência”?

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