sábado, 17 de outubro de 2026

Colonialismo - um caso de sucesso

 Opinião

Um empreendimento português certamente vitorioso no Brasil foi o colonialismo! 

Esse foi o comentário de um amigo querido, em um casual e feliz encontro quando trocamos observações sobre a conjuntura eleitoral de 2026. Endossei suas observações e comentário.

A elite socioeconômica, extrato social que teria as condições básicas para alavancar transformações após a quebra formal de vínculos com a metrópole portuguesa nunca teve um projeto de país. Desde que pudesse continuar vivendo e usufruindo privilégios como as suas referências, antes europeias e, mais tarde, de outras partes do mundo, então, tudo bem! Dane-se o resto! Essa regra vale até hoje.

Quanto às classes desfavorecidas, essas tentaram, prova disso são as inúmeras vidas se perderam nas tentativas. Mas, nunca conseguiram fazer a tão necessária revolução. Os embates nunca cessaram, as chacinas e mortandades, no campo e nas cidades nunca foram interrompidas. Sempre provocadas tanto pelo Estado como por sabujos milicianos em seu nome. Todos agindo como protetores da elite e sufocando os trabalhadores desfavorecidos.

Parafraseando o jornalista e escritor Breno Altman: aqui, no Brasil, a linha histórica de subordinação e de colaboração das elites com a colonização é uma linha contínua que nunca sofreu sobressaltos relevantes.

Hoje o país está na iminência de eleger para presidente um candidato da extrema direita que tem sabidas relações com integrantes de organizações criminosas. Alguém que já declarou a intenção de submissão colonial ao governo estadunidense, e que faz parte de uma corja da qual alguns membros fugiram do Brasil para promover ações lesa-pátria  em troca da continuidade de seus privilégios. 

Em artigo na Revista Piauí - Outubro 2026 - No. 241, intitulado “Made in Rio das Pedras” (referência a uma comunidade na zona sudoeste do Rio de Janeiro conhecida como sendo o berço da milícia no estado), o jornalista Fernando Barros e Silva expressou em texto de qualidade invejável a submissão vergonhosa da referida candidatura presidencial aos ditames de um governo estrangeiro. Segue um trecho do artigo. A matéria completa está no link da revista.


“...O gigantesco boneco inflável com a imagem de Donald Trump exibido a céu aberto e as inúmeras bandeiras dos Estados Unidos que tremulavam nas mãos dos manifestantes talvez arrancassem um sorriso de George Orwell. Afinal, estavam ali na condição de símbolos políticos da festa pela Independência do Brasil. A cena ficava à altura de 1984. O gesto de vassalagem como sinal de liberdade evocava o duplipensar orwelliano, em que as coisas significam o seu contrário e a capacidade cognitiva da população entra em colapso.” 

 

Sem dúvidas, triunfo do projeto colonial português. Gravou suas marcas em corações e mentes.

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