Opinião
Um empreendimento português certamente vitorioso no Brasil foi o colonialismo!
Esse foi o comentário de um amigo querido, em um casual e feliz encontro
quando trocamos observações sobre a conjuntura eleitoral de 2026. Endossei suas observações e comentário.
A
elite socioeconômica, extrato social que teria as condições básicas para
alavancar transformações após a quebra formal de vínculos com a metrópole
portuguesa nunca teve um projeto de país. Desde que pudesse continuar vivendo e usufruindo privilégios como as
suas referências, antes europeias e, mais tarde, de outras partes do
mundo, então, tudo bem! Dane-se o resto! Essa regra vale até hoje.
Quanto
às classes desfavorecidas, essas tentaram, prova disso são as inúmeras vidas se perderam nas
tentativas. Mas, nunca conseguiram fazer a tão necessária revolução. Os embates
nunca cessaram, as chacinas e mortandades, no campo e nas cidades nunca foram
interrompidas. Sempre provocadas tanto pelo Estado como por sabujos milicianos
em seu nome. Todos agindo como protetores da elite e sufocando os trabalhadores
desfavorecidos.
Parafraseando
o jornalista e escritor Breno Altman: aqui, no Brasil, a linha histórica de
subordinação e de colaboração das elites com a colonização é uma linha contínua
que nunca sofreu sobressaltos relevantes.
Hoje o
país está na iminência de eleger para presidente um candidato da extrema
direita que tem sabidas relações com integrantes de organizações criminosas. Alguém
que já declarou a intenção de submissão colonial ao governo estadunidense, e que
faz parte de uma corja da qual alguns membros fugiram do Brasil para promover
ações lesa-pátria em troca da continuidade de seus privilégios.
Em
artigo na Revista Piauí - Outubro 2026 - No. 241, intitulado “Made in Rio das Pedras” (referência a uma comunidade na zona sudoeste do Rio de Janeiro conhecida
como sendo o berço da milícia no estado), o jornalista Fernando Barros e
Silva expressou em texto de qualidade invejável a submissão vergonhosa da
referida candidatura presidencial aos ditames de um governo estrangeiro. Segue
um trecho do artigo. A matéria completa está no link da revista.
“...O gigantesco boneco inflável com a imagem de Donald Trump exibido a céu aberto e as inúmeras bandeiras dos Estados Unidos que tremulavam nas mãos dos manifestantes talvez arrancassem um sorriso de George Orwell. Afinal, estavam ali na condição de símbolos políticos da festa pela Independência do Brasil. A cena ficava à altura de 1984. O gesto de vassalagem como sinal de liberdade evocava o duplipensar orwelliano, em que as coisas significam o seu contrário e a capacidade cognitiva da população entra em colapso.”
Sem dúvidas, triunfo do projeto colonial português. Gravou suas marcas em corações e mentes.
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