quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Gaza - 07 de outubro de 2023

Opinião 

(Rio, 08/10/2023) - Podemos estar no limiar de uma enorme tragédia. O genocídio da população de Gaza por um proto-fascismo israelense.

Netanyahu conseguiu um grande tento, uma justificativa para a sua guerra étnica. A propaganda israelense provavelmente invadirá as mídias populares no Brasil, mas a realidade permanecerá.

Gaza é um enorme campo de concentração mantido pelo poder israelense e, agora, na iminência de se tornar um campo de extermínio. Tomara que eu esteja errado.

 

Conversas com 3 amigos

[11:43, 08/10/2023] – Amigo 1

Olá Santos. Vc está  certo sobre o que é Gaza. Dá muita raiva ver a cobertura da mídia brasileira e internacional. E a posição dos governos americano e europeus.  E também do governo brasileiro. O cinismo de dizer que não se pode atacar civis, quando Israel não faz outra coisa há mais de  70 anos.

Netanyahu vai fazer uma guerra de extermínio. Mas há uma questão nova: pela primeira vez os combatentes palestinos de Gaza conseguiram romper o muro, entrar em cidades e tomá-las e fazendo reféns israelenses. Esse fato é uma derrota para Israel e expressa o fato de que a moral do exército de Israel está mais baixa do que se esperava.

 

[11:54, 08/10/2023] jorgedesouzasantos:

Estou entre aqueles que pensam sobre qual o propósito estratégico do Hamas com esse ataque. Não sei avaliar nem consigo especular.

 

[12:01, 08/10/2023] – Amigo 1:

Na verdade, acho que o Hamas segurou o mais que pôde a raiva dos habitantes de Gaza. Mas o que pode ter levado a essa incursão são os acordos em marcha entre países árabes e muçulmanos para reatar relações e normalizar o status quo de Israel e da limpeza étnica com a manutenção do campo de concentração de Gaza. Arabia Saudita está em tratativas para fazer um acordo. Alguns estados do Golfo já fizeram. Isso significaria cirtae (*?*) ainda mais os apoios que o Hamas ainda tem.

 

[08:12, 08/10/2023] – Amigo 2:

Foi o que me veio à cabeça ao ver a notícia. O massacre da Faixa de Gaza.

O Jornal Nacional foi uma vergonha. O assunto dominou o tempo todo com a visão de Israel e de sionistas. Foram várias reportagens em Tel-Aviv, Londres, Brasil, etc. Depoimentos de brasileiros residentes em Israel (judeus, claro), inclusive um personagem ferido.

Mostrou com detalhes um prédio em Israel atingido, com marcas de queimado e depoimento.

Várias vezes apareceu um prédio grande sendo destruído totalmente, cena de demolição, sem qualquer comentário, sequer informando onde era. Apenas na última reportagem foi dito que era em Gaza e que a destruição foi represália.

No final, teve um rápido depoimento de um palestino brasileiro. A última reportagem foi a única não tão tendenciosa.

Eu me pergunto quais foram o objetivo e a estratégia do ataque?

Entendo que o contexto é ruim para os palestinos. Mas a ação me parece suicida. É certo que vai haver represália em grau máximo. O que será conquistado pelo Hamas? Maior apoio entre os sobreviventes?

As forças de defesa de Israel vão sair chamuscadas desse episódio .

Falharam muito em não prever nem neutralizar de imediato. É o maior gasto per capita, vivem se jactando de ter alta tecnologia (e têm mesmo, mas ...). E o massacre que deve vir vai ter cores nazistas. Mais do que já tem.

 

[00:37, 08/10/2023] – Amigo 3:

Caro Jorge, discordo em todos sentidos.

Sempre fui a favor de duas pátrias, mas os palestinos nunca as quiseram.

Depois de ontem, não mais!

Se houver qualquer revanchismo, aquilo que vc chama de extermínio, ele se deverá unicamente aos que se comportaram a vida toda como terroristas.

Para melhor conhecer os meandros dessa guerra sem fim e aumentar o seu vasto e bom conhecimento,  aconselho assistir o filme Golda, hoje ainda em cartaz.

Nunca a frase dela abaixo foi mais atual. (“ _Se os palestinos baixarem as armas, haverá paz. Se os israelenses baixarem as armas não haverá mais Israel_ “)

 

[11:50, 08/10/2023] jorgedesouzasantos:

Oi amigão,

Não vejo a vida em duas cores, felizmente. Tento compreender a complexidade e as nuances das situações e relações sociais. Não tenho a presunção de imaginar a agonia da moçada que está nesse momento recebendo bombas na cabeça, mas penso nela. Assim como não deixo de pensar no inferno da vida da galera que vive sufocada pelo estado de Israel  na região que os interesses de corporações capitalistas chamaram de Palestina. Podemos elaborar interpretações dos fatos históricos, mas os fatos estão aí, inquestionáveis. 

Uma onda fascista se alastra pelo mundo, esse é um fenômeno do nosso século, e em algumas partes desse mundo ela entra em fase com situações vigentes. Reforça-se. É o caso, infelizmente, da situação em Israel, Netanyahu e asseclas, levados ao poder por escolhas eleitorais. Sabemos o que é isso.

Este cenário e os fatos históricos é que me trazem a expectativa da tragédia. A tentativa de limpeza étnica praticada por sucessivas lideranças israelenses é um dado da realidade, ao mesmo tempo em que uma população inteira foi deixada ao “deusdará” pelas grandes principais forças políticas internacionais. No mais, embora eu não endosse práticas e eventos, o que vemos é a galera palestina tentando resistir. Não justifico. Uma única vida não justificaria tudo que tem ocorrido e que temos assistido.

Estou entre aqueles que perguntam qual terá sido o objetivo dos ataques do Hamas, e também entre aqueles que veem nos fatos uma oportunidade para Netanyahu justificar e levar adiante sua guerra étnica. Gaza tem chances enormes de se tornar um campo de extermínio. Triste! Reitero o que disse antes, tomara que eu esteja errado. Abraços. ###

 

[12:22, 08/10/2023] – Amigo 3:

É importante lembrar que Gaza, assim como toda a península do Sinai, essa em passado mais distante, estavam ocupadas (ganhas como resultado de uma guerra ) por Israel e depois foram devolvidas aos egípcios e palestinos com a intensão de haver uma paz permanente na região.

Nada disso deu certo e mesmo com esses territórios serem ganhos em guerras da qual Israel foi provocada e não a iniciou.

Essa ideia fixa dos palestinos do Hamas de exterminar Israel e recusar-se a negociar a paz entre eles só levará mesmo a uma grande catástrofe de ambos os lados, sendo que os maiores prejudicados serão aqueles de menor poderio bélico, infelizmente.

Essa ideia de extermínio, expressão que só é empregada de um lado e claramente proclamada pelos terroristas que Israel não não deve existir.

Matar a sangue frio mais de 200 pessoas, em sua maioria estrangeiros que participavam de uma festa rave no sul de Israel, bem demonstra de que lado vem a intenção de extermínio. Por isso deve-se usar essa expressão com parcimônia e com um melhor conhecimento da situação.

Por que será que dos 7 países árabes no entorno de Israel nenhum deles aceita fornecer um mm de seu território aos palestinos?

 

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Uma no cravo, outra na ferradura

Opinião

 

Esse aforismo tradicionalmente exprime a intenção de dolo, de engano e falsificação. Mas, aplica-se também à necessidade circunstancial de quem precisa lidar com situações contraditórias e ameaçadoras entre si. Para o governante público não deveria ser uma novidade, e certamente não o é para o governo Lula que, possivelmente, terá esse pau no cu como marca histórica do seu terceiro mandato. 

Provocar o debate sobre a autonomia do Banco Central foi uma bola dentro. Além de bater de frente com a elite financeira sem ficar isolado (encontrará adeptos mesmo dentro da camada de capitalistas), marcou um ponto especial ao tomar para si a iniciativa da pauta política que, até aqui, vinha sendo determinada quase exclusivamente pela extrema-direita. Isso mudou. 

Os grandes jornais e TVs estão dando porrada no Lula esquerdista. Nesse Lula que fala em trabalhadores, sindicatos, direitos trabalhistas e reconhecimento das demandas sociais, atropelando o cercadinho dos tetos de gastos públicos. Sem dúvidas, o discurso do Lula 3 está reconhecidamente mais assertivo em relação as pautas sociais que os dos Lulas 1 e 2, embora os imperativos e conflitos de escolhas ainda não tenham aflorado nessas áreas. 

Longe de saber o que vai na cabeça do sapo barbudo, suponho que ele conta com algum apoio da direita enquanto satisfizer suas aspirações, mas sabe que o suporte real de enfrentamento com a extrema-direita, que é popular, precisará também ter um caráter popular e terá que vir da população militante, a mesma que o manteve politicamente vivo durante o cárcere, e que lhe deu os votos e o apoio popular para a presidência. 

Sem esse tipo de apoio, não nos iludamos, o governo Lula estará fudido. Ele não irá encontrá-lo na Faria Lima, nem nos Liras ou Pachecos do parlamento. Muito menos no cenário internacional onde ele é, atualmente, uma referência, mas onde também se desenvolvem outras disputas. Daí esse Lula chão de fábrica. 

Então, é hora de mobilizações. Lula tem mandado algumas mensagens. O movimento popular organizado precisa responder ao seu chamado. Formulando, propondo e forçando as suas pautas que estão contidas no programa geral de governo. 

Esse é, a meu juízo, o papel das forças de esquerda que participaram da geleia geral  que tirou a extrema-direita do poder. Se o movimento popular que apoiou Lula não o fizer, a direita ocupará esse lugar. Não com o objetivo de melhorias da situação social, mas como mote e discurso fácil para a negação do governo. 

A questão ambiental, circunstancialmente, é uma área favorável ao Lula onde há um espaço enorme de atuação sociopolítica e com respaldo político interno e internacional. Essa área poderá ser uma cunha de avanço e afirmação política, mas a extrema-direita também poderá contar com esse trunfo. Não o fez até agora, quem sabe, por incompetência. 

Do seu lado, a burguesia nacional é tão escrota que não tem sequer um projeto de afirmação. Sente vergonha de si própria, e a submissão servil, canina no pior sentido, é o seu horizonte. 

Portanto, apesar dos pesares, há o que fazer. Há uma deliberação a tomar: qual direção? E o papel dos militantes organizados em seus partidos e grupos é forçar no sentido da esquerda. O líder político Lula saberá responder, embora não possamos afirmar o mesmo o seu entorno político. E se Lula não souber, vai dançar. Mas, ele sabe disso e seguirá fazendo o seu papel, ora baterá no cravo e outra na ferradura. 


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quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Filtro de canalhas

Opinião 


A participação, o apoio e a tolerância omissa ou silenciosa diante de movimentos que clamam pelo retorno à ditadura corrupta, torturadora e assassina e, ainda, a indiferença aos atos de sabotagem da nação que estão sendo realizados pela direita e extrema-direita nesse período de transição são manifestações inequívocas de fascismo.

Os votos na extrema direita foram injustificáveis no primeiro turno e no segundo turno, mesmo assim, poderíamos até supor que nem todos foram votos ideológicos. Contudo, se antes ainda era admissível o benefício da dúvida, agora não é mais. O tempo e os fatos filtram e exibem os canalhas.

O destino deles será o lixo da história, mas ainda em seus tempos de existência precisam ser acusados, julgados, e os condenados levados em cana, extirpados da convivência social. Sem anistias ou perdões.

Se não cobrarmos e apoiarmos que o governo eleito atue para que isso aconteça agora, que outra oportunidade existirá?  ### (Jorge – 30/11/2022).


quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Quem não conhece que te compre!

Opinião

Observo que o juiz Mandão vem se transformando numa espécie de herói da vez para alguns esquerdistas precipitados. Dado que a eleição de Lula provocou um vácuo temporário nos poderes executivo e legislativo, o judiciário restou como a referência institucional da estrutura republicana brasileira e, nesse cenário, a reação do agora presidente do TSE às práticas da extrema direita, desde antes do pleito presidencial, projetam a figura do juiz como esteio desse nosso arremedo de democracia liberal.

Será uma boa prática se os esquerdistas pisarem devagarinho no chão do palco onde se desenrola o drama político brasileiro, onde atores diversos performam múltiplos e contraditórios personagens. Alguns parecem ter esquecido, mas o reverenciado juiz fez sua história política nas hostes da direita conservadora, e seu último posto antes do STF foi o de ministro do governo golpista Temer. Além do mais, uma das suas primeiras atuações já empossado no STF foi contribuir para a prisão de Lula.

Como não existe vácuo político, o ex-ministro golpista parece vestir os atributos ideais da sonhada terceira via infrutiferamente buscada pela direita que já trocou olhares de amores com outros magistrados, a saber: o Batman brasileiro do mensalão, Joaquim Barbosa, e o patético juiz de primeiro piso defenestrado pela própria justiça como “juiz ladrão”.

Por mais convenientes que possam ter sido algumas das suas decisões, o juiz e ex-ministro golpista não consegue disfarçar o autoritarismo que exala pelos seus poros e que deveria estar longe dos ideais e projetos da esquerda. Esse endosso quase cego, e até alienado, que observo em esquerdistas precipitados rendendo homenagens ao juiz mandão é um equívoco, uma canoa furada que não tardará a fazer água, logo ali na frente, no início do mandato do novo governo. (elaborado em 24/11/2022)

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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Chamando pelo nome: extrema-direita

 Opinião


Aderi à proposta de não usar mais termos derivados do nome do velho tarado da moto apondo-se os sufixos " ...ista" ou "...ismo".

Sei que a bronca contra o Bozo é grande. Espezinhá-lo em sua derrota e carimbar seus simpatizantes é tentador, mas fazer isso será dar crédito e valorizar uma figura escrota e medíocre cujo futuro deve ser o ostracismo e o lixo histórico.

Ainda não é uma campanha, embora eu gostaria que fosse.

Sempre usarei "extrema-direita" ou "extrema-direitistas" em vez dos costumeiros termos “bolso ... ismo” ou “bolso ... istas”.

É muito cômodo para os simpatizantes, eleitores ou partidários do Bozo serem identificados diretamente com o nome daquela figura porque isso disfarça ou esconde os seus valores.

Fascistas por opção, eles passam a ser identificados apenas como discordantes da "esquerda", do "comunismo", do petismo ou coisa que o valha, enquanto os seus valores reais, aqueles nos quais eles votam e apoiam, misturam-se e se escondem atrás dessas designações pastosas e genéricas associadas ao seu “mito”.

Assim, referir-se a eles como “extrema-direita” e “extrema-direitistas”, em vez de esconde-los atrás do nome do tarado da moto, é importante porque desnuda suas verdadeiras opções e obriga essa galera a mostrar e até pensar (coisa difícil) sobre o que realmente elas são ou apoiam, sem disfarces.

Assumir-se como extrema-direita será a opção de cada um, mas não deixarei que me venham com essa fantasia de que somos iguais, apenas com opções diferentes de voto e blá, blá, blá. Extremistas de direita! Que vão, então, praticar e render loas ao fascismo lá, na puta que os pariu! ##### (escrito em: 11/11/2022).

Expectativa e desejo

 Opinião

 

Há uma distinção entre as questões: o que se espera e o que se deseja do governo Lula.  Elas se relacionam, mas são distintas. O eleitor cuja motivação foi além da vontade de escorraçar a extrema-direita do governo talvez esteja refletindo sobre elas, e será bem fácil cair na armadilha de confundi-las.

 A expectativa em relação ao governo resultará de análises de vários fatores: das condições que determinaram a formação da frente ampla que foi vitoriosa; dos grupos e forças políticas que compuseram a frente e de seus interesses; do resultado eleitoral específico e como um todo; do quadro socioeconômico do país; do desmonte do Estado realizado pela extrema-direita derrotada;  da fome e miséria que assola mais de 30 milhões de brasileiros; além do quadro socioeconômico e sociopolítico internacional que está distante de ser um mar de rosas. 

Cada um desses aspectos é um mundo de possibilidades analíticas, congruentes ou conflitantes, que até serão simplificadas pelo pragmatismo imposto pela realidade. Contudo, ainda assim, esse é um campo onde os conflitos decorrem de divergências de opiniões e não, necessariamente, de disputas.

Outra questão é o que se deseja do governo, e isso vai além dos princípios comuns que determinaram as alianças entre grupos distintos que se identificam exatamente por desejos distintos. Daí, pode ser até que ocorram convergências de propósitos, mas o natural e legítimo é que esses grupos disputem o governo que elegeram em aliança.

Mesmo que as circunstâncias que envolverem o governo em determinada situação política possam estar dentro de certas expectativas, cada grupo trabalhará (ou deveria) para que as respostas ou iniciativas governamentais apontem na direção de suas metas políticas. Esse é essencialmente um campo de disputas, e é aqui a porca torce o rabo e histórias se repetem.

Apesar da correção política do discurso de Lula que não existem dois brasis e da sua convocação para a união social, a realidade não é assim. Existem vários brasis, e os trabalhadores, as categorias, os grupos sociais buscarão se organizar e lutar embalados pelas palavras de ordens que sintetizam as suas reivindicações.

Um governo para todos não fará o país caminhar na direção da redução das desigualdades sociais, muito menos faze-lo saltar o enorme fosso de atraso e discriminação em que chafurdaram a nossa sociedade. Lula sabe disso, certamente bem melhor do que muitos de nós.

 As possíveis alternativas na tentativa de correção da enorme deformidade na distribuição de nossas riquezas, que levou a miséria e que tornou famintos 30 milhões de brasileiros, certamente conflitarão com os desejos dos grupos que apoiaram a derrota da extrema-direita, mas que acumularam suas fortunas beneficiando-se justamente dessas distorções.

 Lula já declarou explicitamente que seu governo não será um governo do PT, nem poderia. Não acho que será simples para o Partido dos Trabalhadores tratar as contradições que emergirão dessa situação, mas não sendo petista não me cabe discutir os encaminhamentos partidários. Cabe-me, isso sim, embora possa esperar que o governo Lula seja assim ou assado, empurrá-lo para que aponte suas baterias na direção das metas políticas que nunca saíram do meu cardápio de desejos.

Revogação das reformas trabalhista e previdenciária; reforma agrária; redução de jornada de trabalho sem redução de salários; Fim da destruição ambiental; demarcação das terras indígenas; Educação, saúde, moradia e serviços públicos para todos; revisão de privatizações e do pagamento da dívida ao sistema financeiro; investigação e punição dos fascistas que destruíram o estado nacional e assassinaram lideranças de trabalhadores.

Eu estou no campo dos que desejam um governo que seja, antes de tudo, instrumento de avanço e progresso social, e entre os que acreditam que o principal, se não for único, suporte político com o qual o governo poderá contar será a mobilização social cuja chama deve ser mantida acesa.

Desde já, estou no lado oposto daqueles que acham que as mobilizações de reivindicações perturbam a governabilidade e, especialmente, repudio o discurso conservador, fácil, leviano, malicioso e recorrente que acusa os reivindicantes de estarem fazendo o jogo da direita e do fascismo. ##### (escrito em: 07/11/2022)

domingo, 23 de outubro de 2022

Uma loirinha enforcada

 Leituras para distrair

 

O cervejeiro carioca típico gosta da bebida geladíssima, nem importa muito qual seja. Uma lagger de baixa graduação alcoólica, desde que não seja aguada, serve. Eu chamo de “cerveja de praia”. O atributo principal não é a composição, mas a temperatura da ceva. Cu de foca! Aquela que for assim será bem recebida.

Não sou cervejeiro, mas presto atenção, até porque o boteco é um fascínio, e algo que me intriga nas andanças que faço é a falta de um substituto, além da ignorância sobre as antigas salmouras.

Quando criança, criança mesmo, não jovem adolescente, as padarias e botequins faziam picolés. O mercado do picolé ainda não era dominado pelas multinacionais, e as geladeiras das padarias e botequins tinham os mecanismos para congelar rapidamente aquelas pastas e líquidos resultantes de receitas caseiras. Tinham as salmouras que eram compartimentos com água em alta concentração salina e que giravam cumprindo a função manter pela geladeira um fluxo de água resfriada abaixo do ponto de congelamento – parte do processo de fabricação e armazenamento dos picolés.

Quando faltavam cervejas geladas para o atendimento aos fregueses mais exigentes, era frequente a prática de amarrar um barbante no gargalo da garrafa de cerveja e mergulhá-la na salmoura. Em poucos minutos a ceva estava lá, geladinha para ser consumida.

Não era qualquer boteco que fazia isso, nem qualquer freguês recebia essa deferência. A imersão na salmoura perturbava outras atividades do estabelecimento e, geralmente, apenas clientes frequentes contavam com esse tipo de cortesia do proprietário ou responsável.

As geladeiras atuais, em sua maioria mantidas pelo próprio fornecedor de bebidas, permitem a oferta quase permanente de cervejas bem geladas, embora faça parte do ritual carioca sempre reclamar que a cerveja está quente. Mas, desconheço alternativa para o resfriamento rápido se, porventura, a geladinha desejada não estiver disponível. Desconheço, não quer dizer que não exista. Tenho perguntado por aí sobre a alternativa para a salmoura e a garrafa enforcada pelo barbantinho, os atendentes mais novos sequer ouviram falar sobre isso.

Até então não recebi resposta que valesse considerar. Agarro-me ao prazer de lembrar daquelas garrafas imersas nas salmouras dos picolés para o resfriamento, parte do ritual de lamber uma ceva. Antigos tempos, quando ao se pedir uma cerveja havia a opção de casco claro ou escuro.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Preâmbulos eleitorais

Opinião 


As iniciativas do tipo divulgação do “manual de maldades” do Bozo são interessantes, mas acho que geralmente são interpretadas a partir de uma premissa equivocada. Partem da premissa que os eleitores bozominions desconhecem esses registros e que estão sendo enganados. Isso é um equívoco.

 Os eleitores bozominions sabem quem é o Bozo, sabem sobre os seus atos e mesmo quando não concordam integralmente eles endossam e dão apoio e sustentação ao seu líder político. Trata-se de uma opção política ideológica pela extrema direita e de repúdio a esquerda e suas teses.

 Não há um enfrentamento do verdadeiro contra o falso. São poucos os iludidos sobre quem é o Bozo e as teses que ele representa. Praticamente ninguém ignora o que o cara é. Eles, os eleitores do Bozo, defendem esse modo de ser e as teses associadas porque acreditam e avaliam que assim será melhor para eles. Consequentemente, o Bozo é a melhor escolha.

 Por pensar assim, acho que as tais coletâneas de “maldades” do Bozo são registros importantes, porém, quando trabalhadas a título de revelação de um perfil oculto, são de pouco valor e surtem pouco efeito.

 Precisamos travar um combate ideológico a partir de uma realidade prática, embora eu não tenha receita sobre como fazer. É preciso convencer outros que um contrato social com as cláusulas da esquerda é melhor e abre a possibilidade de ser mais vantajoso para todos do que um contrato com as cláusulas da direita cuja única possibilidade é a barbárie.  Isso é diferente de apontar o Bozo como o disfarce de algum vampiro que se consumirá em chamas se for exposto à luz da verdade. (Jorge – 05/10/2022)

 

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Um Rio de fascistas! Pensei nisso com os resultados eleitorais, mas em seguida fiz autocrítica: não devo confundir a cidade com o estado. Fui conferir. Autocrítica porra nenhuma. O carioca votou no Bozo, como a maioria dos municípios do estado, inclusive minha terra, Saigon.

Essa faceta fascistoide já vem se manifestando há algum tempo com as repetidas mobilizações que ocorreram na Princesinha do Mar. Mas, sempre ficou no ar uma contestação – é o povo da zona sul, riquinhos etc. O resultado eleitoral dirimiu dúvidas que pudessem persistir.  

Cariocas são bonitos, bacanas, sacanas, dourados, modernos, espertos, diretos, não gostam de dias nublados, nascem bambas, nascem craques, têm sotaque, são alegres, atentos, tão sexys, tão claros, não gostam de sinal fechado... e são fascistas! (Jorge – 03/10/2022)

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 Amanhã vestirei vermelho quando sair para votar. Minha camisa tem impressos os nomes de referências políticas admiradas: Carlos, Frederico, Wladimir, Rosa e Leão.

Sairei, não apenas por uma expectativa de vitória da esquerda no primeiro turno e que eu gostaria muito que ocorresse, mas porque há um enfrentamento explícito de posições políticas. Eu não tenho dúvidas sobre o meu lado e acho importante expressar isso. Fiz assim outras vezes, amanhã também.

Vermelho já foi cor do poder e dos poderosos, mas foi apropriado e tornou-se historicamente a cor do movimento dos trabalhadores. Cor conquistada. Geralmente associada à necessidade de lutas intensas por direitos e de muito sangue derramado nessas lutas.

Quem repete emburrecidamente que a nossa bandeira nunca será vermelha deveria buscar as origens da cor da bandeira brasileira em vez de se idiotizar com aquele discurso de: verde das nossas matas, amarelo do ouro, azul do céu e branco da nossa paz e que vermelho é coisa de comunista.

O barrete frígio vermelho, um pequeno gorro parecido com o chapeuzinho de Saci Pererê ou dos Smurfs tem sua origem simbólica no valor Liberdade. Foi a forma de identificação dos revolucionários na Revolução Francesa, e está presente no brasão de diversos países e também nas bandeiras de diversos estados brasileiros, inclusive na da cidade do Rio de Janeiro.  Aliás, está presente também em nossa moeda, que não é colorida, na cabeça da efígie que representa a República.

Então, essa babaquice com a cor vermelho resulta da estupidez ignorante ou do medo da liberdade e das lutas de outros para conquistá-la.

Eu não usarei um barrete frígio vermelho para ir votar. Pareceria um Gargamel disfarçado de vovô Smurf ou um Saci Pererê caricato. Mas, farei questão de avermelhar-me, afinal: vermelho é a cor dos trabalhadores! (Jorge – 01/10/2022)


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O filósofo Luis Sergio C. Sampaio, já falecido, dizia sobre o futuro do Brasil que nosso destino não seria brilhar na categoria “Luxo”, mas na categoria “Originalidade”. É por aí. Em meio à complexidade de fatos, de relações e de narrativas políticas, artistas fazem uma síntese musical da podridão desse período nojento que passamos (“Hino” ao inominável). Traduzem em uma canção tudo que vem nos engasgando e que precisamos vomitar. Uma pessoa amiga disse que ficou com a música na cabeça por horas. “Arte no Brasil é foda mesmo!” ela disse. De fato, esse “não sair da cabeça” é autodefesa do organismo que quer expurgar o que não presta e nos intoxica. Chegaremos lá! (Jorge – 18/09/2022).

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O “Hino” ao Inominável é uma peça impressionante e emocionante. Um registro histórico trágico de tempos imundos de um país onde a canalhice assumiu forma e chegou ao poder. Essa figura nefasta não merece tanto, nem mesmo esse registro. O lixo da história será o seu destino onde será largado e esquecido. Outros já foram, esse lhes fará companhia no processo de putrefação. Ainda assim, existem aqueles que louvam e saúdam a sua existência. Mas, o país vomitará essa droga que ainda o intoxica. (Jorge – 18/09/2022)

  https://youtu.be/OuQKqWIcF1U

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Não boto mão no fogo assegurando inviolabilidade do voto aqui ou em qualquer lugar do mundo, seja ele eletrônico, impresso ou oral. Ventríloquos existem. Concordo que maior fiscalização reduz as possibilidades de fraudes. Contudo, daí a endossar gandolas golpistas que se arvoram zeladores da integridade das eleições vai uma distância enorme.

Oxigênio para Manaus, vacinas para a pandemia, proteção da Amazônia, segurança pública no Rio de Janeiro são exemplos cabais e recentes de incompetência desses gandolas e de suas responsabilidades por expor ao ridículo instituições armadas que comandam. Um elenco que buscam aumentar agora com essa iniciativa de Comissão da Verdade Eleitoral. Piada grotesca se não fosse uma vergonha trágica. (Jorge – 14/09/2022).

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Hoje, 13/09, é Dia Nacional da Cachaça. Celebramos a oficialização da fabricação e comercio da bebida no Brasil, após uma revolta de donos de engenhos contra a proibição dessas atividades na colônia imposta pela coroa portuguesa.

A destilaria e consumo de bebidas alcoólicas são partes da história da humanidade, e algumas nações assumem esses produtos entre os seus valores culturais (uísque, rum, tequila, vodca, saquê). Infelizmente, por aqui “cachaceiro” é termo ofensivo, e a cachaça é rejeitada preconceituosamente apesar de estar entre os principais elementos da cultura popular.

Há grupos que se organizam para reverter esse quadro, a Confraria de Cachaça Copo Furado do Rio de Janeiro é um deles. Unidos beberemos, sozinhos também! É o nosso brinde de confrades.  (Jorge – 13/09/2022).

http://blogdojorsan.blogspot.com.br/2016/09/um-golpe-goncalense.html

 

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Parte da galera que em 2016 e 2018 tentou criminalizar toda a esquerda política está aparvalhada. Os que eles acusaram vêm sendo absolvidos por falta de provas; seus agentes acusadores são agora culpados de farsa; os que elegeram como substitutos morais dos que afastaram exibem riquezas sem comprovar origens e transacionadas por mecanismos típicos de criminosos. Tudo apurado pela mesma estrutura jurídica que elevaram às alturas quando atendia aos seus objetivos.

Alguns tentam resgatar acusações da época, mas a ululante inconsistência e falsidade lógica de suas argumentações só revelam ignorância política e flagrante burrice. Buscam, desesperadamente, justificativas para os seus votos de ontem. A história está oferecendo uma oportunidade de retratação. (Jorge – 11/09/2022)

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Não há como ignorar a massa de adeptos que o Bozo ou Lula representam. Análises podem ser feitas, razões, motivações, mas o Brasil está significativamente representado nesses grupos que se identificam por valores comuns.

Somos uma sociedade fraturada. Isso não ocorreu de repente, levamos 200 anos para chegar a esse estado de exposição. E essas fraturas não serão calcificadas com tolerância, convencimento de ideias ou superioridade eleitoral. Só a realidade das lutas para vencer necessidades que são muitas e comuns nos permitirá alguma integridade social. Lutar contra a exploração une os trabalhadores, as famílias, nos faz companheiros. Esse é o caminho. (Jorge – 10/09/2022)

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Os brutos também amam e canalhas também envelhecem. Alguns vivem mais e melhor que todos, e à custa de vidas de muitos que sequer tiveram a oportunidade de chegar à idade adulta.

A velhinha, que o noticiário se empenha em mostra-la como simpática e dedicada funcionária pública, representou o que há de mais escroto nas relações políticas internacionais: o poder imperial capitalista. Conforme a própria primeira ministra britânica: “ela foi a rocha sobre a qual se construiu o Reino Unido moderno”.

Eu nem diria que se foi tarde, porque o sistema tem suas salvaguardas. Não há vácuo na opressão. O rei morreu! Viva o rei! De qualquer forma, foi. Menos uma! (Jorge - 09/09/2022)

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Face ao espetáculo circense montado para o sete de setembro no Rio, os acidentes com paraquedistas despertaram piadas e chacotas em vez de empatia e solidariedade com os acidentados. É uma pena! Esse é o resultado de gandolas medíocres abandonarem seus compromissos institucionais e exibirem-se como integrantes da trupe Bozo. Seus atos ridicularizam as instituições que representam.

Carequinha, inesquecível artista gonçalense, apesar do estigma da sua profissão - palhaço - tratou com mais respeito e honradez a simbologia das forças armadas. Sai de baixo! Um amigo resgatou essa lembrança para mim. (Jorge – 08/09/2022)

 

https://youtu.be/7NHjtP0oa1w

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Duzentos anos após o Grito do Ipiranga, o presidente brasileiro, em palanque público e ao lado de autoridades internacionais, dá o grito do imbroxável arrogando esse título para si, e até puxando um coro de auto aclamação. 

Fica fácil, então, entender o escândalo da compra milionária das próteses penianas e remédios para a disfunção sexual para as forças armadas, e tudo indica que o priapismo presidencial está iniciando uma disputa simbólica com o insepulto coração do ex-imperador.

A propósito, a exposição do coração tem um título:  Um coração ardoroso: vida e legado de D. Pedro I. Já imaginou se o coração perder a disputa? (07/09/2022)

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No sete de setembro o Bozo estará com um pau no cú.  Por um lado, ele não tem sustentação política para o proclamado golpe, por outro, se ele se mostrar tchutchuca, será ridicularizado por aliados e oposicionistas na imagem que lhe é mais cara: a do machista valentão.

Lá em Saigon, uma máxima popular ensinava o seguinte: se você estiver mal em uma briga, dê porrada em tudo e todos que estiverem em volta, transformando a briga em confusão. Briga tem lado e responsável, tem ganhador e perdedor. Confusão é confusão. Talvez o Bozo tenha algum assessor daquelas bandas. (06/09/2022)


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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Pachamama

Opinião

 

“ Somos a última geração com alguma chance de salvar a Amazonia”. Estava escrito em um cartaz e levei um susto. Não tinha pensado nisso, e acho que é uma afirmativa verdadeira.

A ecologia nunca foi minha praia. Talvez a minha falta de empatia com os animais tenha contribuído para manter fechado o portal da minha relação com o mundo natural não humano. Não faço distinção entre gato, cachorro, barata e passarinho, além de outros. Não maltrato, mas quero distância. O meu interesse, quando se manifestou, foi por aspectos da natureza inanimada.

Só acordei para o assunto diante da evidente degradação do planeta ameaçando continuidade da espécie humana, decorrência direta de práticas da produção capitalista. No caso particular da Amazônia brasileira, destruição acelerada e até patrocinada pelos dirigentes fascistas no governo atual.

 Fruto desse despertar ecológico, deparei-me com uma questão que até então desconhecia: “ a natureza como sujeito de direitos”.

 Afinal, que porra é essa?  Um rio pode questionar e cobrar legalmente a responsabilidade de um Estado que deveria protege-lo, mas deixou que ele fosse degradado?

Aprendi que essa questão não é novidade, e que tem sido tratada por estudiosos de diferentes áreas, embora ainda não esteja na boca do povo.  Em minha ignorância nunca soube que a constituição do Equador estabelece, desde 2008:

 Art. 72. A natureza ou Pachamama onde se reproduz e se realiza a vida, tem direito a que se respeite integralmente sua existência e a manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos. (e por aí vai ...)

Li em artigos (seguem alguns links) que mais de 30 países já incorporaram institutos similares em suas legislações. Aqui, na América do Sul, o Chile seria  o exemplo mais recente, porém um plesbicito, em 04/09/2022, rechaçou o texto constitucional como um todo.

Na Colômbia, desde 2018, a Amazônia colombiana tem direito jurídico; na Índia, desde 2017, os rios Ganges e Yamuna tem direitos como pessoas jurídicas; a Bolívia, desde 2010, reconhece direitos da Pachamama; na Nova Zelândia o rio Whanganui é reconhecido como pessoa jurídica.

Os exemplos são vários (sugiro leitura dos links) e também é enorme a quantidade de questões que se desdobram daí. Utopia! Dirão uns. Outros replicarão que também foram considerados utópicos os direitos de mulheres, crianças, indígenas, negros etc.

O fato é que essas questões precisam ser levadas para as conversas de famílias, das esquinas, dos churrascos, dos intervalos de trabalho e também dos botecos. Precisam ser amaciadas, arredondadas pelo saber das ruas. Depois os rábulas e bacharéis elaborarão os formatos técnicos.

A propósito, lembrei também da minha antipatia por saladas. Suponho que tenha sido agravante para o afastamento e retardamento da minha consciência pachamâmica. 

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https://elefanteeditora.com.br/o-chile-reconhece-os-direitos-da-natureza/ - Acessado em 05/09/2022

 

https://www.conjur.com.br/2008-nov-09/natureza_tornar_sujeito_direitos#:~:text=A%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20da%20Rep%C3%BAblica%20do,estrutura%2C%20fun%C3%A7%C3%B5es%20e%20processos%20evolutivos. - Acessado em 05/09/2022

 

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Nossa cara na foto

 Opinião

O modo capitalista de produção impõe uma estrutura de classes que estão em luta permanente, embora a nossa consciência coletiva ainda não tenha se dado conta da natureza dessa estrutura e dessa luta.  E por não compreender isso, não conseguimos ver que nossas necessidades mais importantes são necessidades comuns porque são necessidades da classe a qual pertencemos.

Sem essa compreensão, participamos da luta de classes empunhando bandeiras diversas e com objetivos que geralmente são setoriais e específicos. São bandeiras reais, importantes e de necessidades imediatas, mas que não têm a abrangência necessária para nos identificar como um corpo único no campo de lutas. Sem essa compreensão, pode até acontecer de muitos estarem combatendo entre si próprios.

Infelizmente, é assim que já estamos na batalha da disputa eleitoral nesse ano quando, além do poder político institucional, que é o objetivo básico das eleições nas democracias liberais, também estará em disputa uma definição institucional do perfil ideológico majoritário em nossa sociedade. A polarização é tão expressiva e está tão consolidada que, além da candidatura político-partidária, o voto de 2022 traduzirá também a nossa opção sobre valores políticos fundamentais da sociedade brasileira.

Certamente eu não ignoro os partidos políticos que se apresentam como alternativas para o dilema da escolha Lula versus Bozo, entretanto seria um equívoco sobrestimar o peso dessas alternativas na atual conjuntura.

As questões de gênero, sexo, raça, posição socioeconômica, religião, educação, censuras, violência policial, expressões artísticas, além de outras, que têm marcado debates recentes estarão, por força de circunstâncias, implicitamente em avaliação no próximo pleito eleitoral, como uma espécie de plesbicito subliminar,

As eleições não mudarão o Brasil real, elas não têm esse poder. A nossa sociedade continuará dinâmica, diversa, contraditória, carente e miserável. Mas, após as eleições a sociedade brasileira sairá com uma cara social institucional menos difusa e melhor retratada pelo voto. Isso mudará a foto da nossa cara na carteirinha do clube das sociedades mundiais. E nesse aspecto o país não será mais o mesmo.

A luta de classes prosseguirá porque nenhuma das escolhas que fizermos levará à destruição do modo capitalista de produção que prosseguirá no seu processo fundamental e autofágico: transformar tudo, incluindo a vida, em mercadoria. E aqueles cuja única mercadoria para a troca e garantia de subsistência é a sua força de trabalho continuarão explorados e constituídos em classe trabalhadora, mesmo que não tenham uma clara consciência do que isso significa.

A luta será mais difícil ainda se os eleitores endossarem o governo de caráter fascista que já está no poder, e a possibilidade de reversão parecerá uma barreira intransponível. Mas, o enfrentamento continuará porque o conflito de interesses de classes não é uma invenção da esquerda, ele é parte intrínseca do capitalismo. As organizações da esquerda, tomara, deverão continuar em seu papel de organizar e liderar os trabalhadores nessa luta que é de classes. #####