segunda-feira, 4 de maio de 2020

A vida em tempos de coronavírus (46)


Opinião


Hoje o coronavírus levou um dos maiores compositores da minha geração. Um amigo mandou mensagem pra mim “ É, esta manhã caiu como um viaduto!”.

Ao lado de Paulo Cesar Pinheiro e Chico Buarque de Holanda, Aldir Blanc, falecido hoje, completava um trio de gigantes da poesia musical. Sua obra será eternizada. As gerações mais novas que não sabem quem foi o Aldir também o admirarão logo que ouvirem suas canções e souberem que ele é o autor.

Para alguns de nós ficará a lembrança feliz de ter compartilhado com ele o mesmo tempo, a mesma época.

Resposta ao Tempo (Aldir Blanc e Cristovão Bastos)

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Pra ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

#####
NOTA
Essa poesia/canção é da autoria do Aldir com o Cristovão Bastos e já teve várias interpretações lindas. A que mais gosto é a da Nana Caymmi. Mas, ela pode ser ouvida numa interpretação emocionante do próprio Aldir, no link que acessei em 04/05/2020 <https://youtu.be/fgHfzDgOwtY>

domingo, 3 de maio de 2020

A vida em tempos de coronavírus (45)


Opinião


Tenho acompanhado as avaliações de progressão das contaminações do coronavírus feitas pelos estudos na universidade de Singapura já citados em outras publicações nesse blog. As predições para o Brasil foram atualizadas e pioraram em relação às anteriores (ver figura abaixo). Piorar significa um aumento na estimativa da quantidade máxima de contaminações (pico) e um deslocamento para mais tarde da estimativa de data para inversão da tendência de crescimento da quantidade de casos, mas sem um correspondente achatamento da curva de contaminações.

Vale resgatar, em que pese seja óbvio, que as curvas e estudos de predições de evolução das pandemias baseiam-se nos fatos  ocorridos, mesmo que sejam subnotificações. As curvas são formas de representar tendências, mas não são as curvas que determinam as ocorrências dos eventos e o desenrolar do processo. O que determina o processo são fatos e as providências que são adotadas em relação a eles. Se providências adequadas não forem adotadas, pode-se ficar num processo eterno de ajustes de curvas sem nunca chegar ao pico e à consequente inversão da tendência que é o primeiro objetivo desejado.

Os dados diários, independentemente dos estudos de Singapura, mostram uma redução da aceleração da velocidade de contaminação no Brasil e isso é bom, mas redução da aceleração não quer dizer redução da velocidade.  A aceleração, ou seja, a taxa de crescimento diário de contaminações pode aumentar se, em vez de um controle efetivo, a sociedade resolver chutar o pau da barraca e abandonar os esforços que vêm sendo realizados até aqui.

Há um vídeo muito interessante e didático que mostra a desaceleração das contaminações no Brasil como resultado do isolamento social (ver link abaixo). O vídeo é bem cuidadoso e sem presunções, feito por um analista, Mauricio Feo, o mesmo que fez outra apresentação sobre a evolução viral usando um exemplo com o crescimento das plantas chamadas "vitória-régia" e que foi amplamente divulgado pela web e até na TV.

Posso estar enganado, mas acho que estamos em uma fase em que o cumprimento das restrições deveria ser rigoroso numa tentativa de garantirmos uma inversão na tendência de crescimento das contaminações. Porém, é importante registrar, ainda que as estimativas de reversão e controle da pandemia estejam corretas – o que é uma visão otimista -  ainda assim, teremos um preço altíssimo a pagar em quantidade de contaminações e óbitos.

Infelizmente, na linha da política genocida do ex-capitão boquirroto, vemos um afoitamento de diversas autoridades públicas fazendo de tudo para escancarar as porteiras das restrições e do isolamento social. Pior do que isso, apontando irresponsavelmente para a sociedade um cenário de retorno à uma normalidade que não mais existirá. O descompromisso é total.

Sem dúvidas, o assunto da redução do isolamento social precisa ser tratado, mas tratado como um planejamento sobre como fazer o relaxamento das restrições quando chegar a hora. Porém, os caras alinhados com a trupe Bozo estão simplesmente querendo deixar a boiada passar e foda-se o que acontecer. Corremos o risco de sermos apontados não como vítimas da pandemia, mas como irradiadores de contaminações.

No contraponto das iniciativas do governo fascista, o combate à pandemia conta com a subversão de algumas outras autoridades, incluindo governos estaduais. Não embarcaram na canoa da trupe Bozo, mas não nos iludamos, não estamos diante de nenhuma  revolução, essas contraposições têm um limite e se desenvolvem num cenário de crise política de consequências difíceis de avaliar nesse momento.

Precisamos botar essa canalhada para fora. Para a saúde da sociedade brasileira, erradicar a contaminação viral da trupe Bozo é tão importante quanto o combate ao coronavírus.

#####
NOTAS

Referências para os estudos de Singapura - Atualizados diariamente 
Data-Driven Innovation Lab (http://ddi.sutd.edu.sg)



“A quarentena pode estar salvando o Brasil. Entenda o porquê” – Vídeo do Mauricio Feo citado no texto. Acessado em 03/05/2020 em <https://www.youtube.com/watch?time_continue=13&v=cyEGb1Osu0k>

sábado, 2 de maio de 2020

A vida em tempos de coronavírus (44)


Opinião


Em decorrência da morte de Tancredo Neves, presidente eleito pelo colégio eleitoral após a frustrada campanha das “Diretas Já”, assumiu o governo Jose Sarney. E junto com Sarney, o país ganhou de brinde Toninho Malvadeza (Antonio Carlos Magalhães - ACM) como ministro das Comunicações, golpista e afilhado querido dos ditadores militares de 1964.


A ida de ACM para o ministério das Comunicações, como não poderia deixar de ser,  foi um desastre para o setor e especialmente para os seus trabalhadores. Contudo, esse também foi um período especial na organização dos trabalhadores de telecomunicações. Representando os trabalhadores em nossas associações de empregados, sindicatos e federação de sindicatos, costumávamos afirmar para a categoria: é melhor que o ministro mais fdp tenha sido designado para o nosso setor, porque aqui estão os trabalhadores com maior disposição e espírito de luta para enfrentá-lo.

Não foi fácil, o sacana do ACM foi ministro durante todo o governo Sarney, de 1985 a 1990, mas durante todo esse período ele foi enfrentado com vigor pelos trabalhadores do então sistema Telebrás e da empresa de correios a ECT que pagaram alto preço nesses enfrentamentos, com trabalhadores punidos e demitidos.

Essa lembrança vem a título de comparação com uma situação inversa e atual. Há 35 anos, o pior dos ministros de Sarney encontrou a categoria mais competente para enfrentá-lo. Agora, a pandemia coronavírus, um dos grandes desastres da humanidade, assola o nosso país justamente quando ele está submetido ao mais incompetente governo da nossa história e, pelos fatos que temos notícias, possivelmente o mais incompetente entre os governos das demais nações que enfrentam a pandemia. Puta que pariu! É muito azar!

Para piorar a situação, não se trata apenas de um governo incompetente. Trata-se de um governo que contribui para o avanço da pandemia em vez do seu enfrentamento. E, não bastasse isso, um governo que aglutina em torno de si uma multidão de desesperados que já estão até apontados como sérios casos clínicos de distúrbios de comportamento. Distúrbios que, bem ou mal, estavam embotados, reprimidos, mas  cujos gatilhos emocionais foram disparados nessa conjunção corona-bozo, e que não serão revertidos facilmente porque não há um gatilho de reversão. Esse será um sério problema para a geração atual que sobreviver à pandemia e, também, para as gerações de brasileiros que sucederem a atual.

Felizmente, no próprio vazio incompetente do governo Bozo surgem iniciativas aqui e acolá. Conforme já comentei em outras oportunidades, a camada de profissionais que está envolvida diretamente com o assunto dá mostras expressivas que não se confunde com o extrato superior ocupado pelas designações do ex-capitão boquirroto,

Nas cidades do Brasil, como em outras cidades do mundo, os profissionais da área de saúde estão sendo reverenciados por suas ações e dedicações, embora aqui ainda enfrentem as limitações dos recursos para trabalharem e agressões fascistas quando reivindicam esses recursos. Foi o que ocorreu na manhã do dia 1º. de maio em Brasília (ver link abaixo).

Outras iniciativas vêm de governos estaduais que não embarcaram na caravana da morte do governo Bozo. Um grupo de nove estados da região nordeste formou o chamado Comitê Científico de Combate ao Coronavírus (C4NE), um grupo de profissionais que trabalham sob a coordenação do neurocientista Miguel Nicolelis, uma referência mundial em sua área,  e do físico Sergio Rezende, ex-ministro de Ciências e Tecnologia do governo Lula. O comitê tem como função básica assessorar um colegiado de governadores chamado Consórcio Nordeste no tratamento do assunto coronavírus.

Já são vários os produtos do trabalho do grupo. Dia desses, por sua sugestão, os governadores criaram as chamadas Brigada Emergencial de Saúde do Nordeste que fazem parte de uma estratégia de ir até os locais de manifestação do vírus tentando antecipar-se à necessidade de deslocamento de contaminados até os hospitais. O comitê científico criou um site com informações, ferramentas de acompanhamento das contaminações, relatórios de acompanhamento dos seus trabalhos e resultados, além de diversas outras informações. Poderá ser acessado pelo link abaixo.

O comitê científico não fará milagres, mas é o tipo de ação que poderia estar sendo desenvolvida em âmbito nacional e sob uma coordenação integrada como uma política de Estado no combate à pandemia. Certamente demandaria versões específicas, talvez para  as grandes cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo. Mas, poderíamos estar juntos tentando e participando desse combate em vez de estar fazendo esse papel que assusta o mundo e que certamente nos trará muita vergonha em tempos futuros, além das vítimas diretas da pandemia.

Infelizmente, porém, diferentemente de ACM que encontrou uma categoria do tipo osso duro de roer, o coronavírus encontrou no Brasil aqui mais do que um  hospedeiro ideal, encontrou um vírus companheiro. Essa pústula levada ao poder pela ignorância política manipulada por grandes corporações do capital e associadas à corporações religiosas. Mas, nóis enfrenta!

#####


NOTAS

Profissionais de saúde são atacados por apoiadores do Bozo em 1º de maio 2020, em Brasília – vídeo capturado em 02/05/2020 em <https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=VEHFy9xCRFo&feature=emb_logo>

'Profissionais no mundo são aplaudidos, e no Brasil a gente apanha', diz enfermeira agredida em ato no DF – vídeo capturado em 02/05/2020 em <https://g1.globo.com/df/video/video-mostra-confusao-com-manifestante-vestido-de-verde-e-amarelo-8524290.ghtml>

Site do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus (C4NE) – Acessado em 02/05/2020 em <https://www.comitecientifico-ne.com.br/c4ne>

sexta-feira, 1 de maio de 2020

A vida em tempos de coronavírus (43)

Opinião


Primeiro de Maio (Chico Buarque e Milton Nascimento)

Hoje a cidade está parada
E ele apressa a caminhada
Pra acordar a namorada logo ali
E vai sorrindo, vai aflito
Pra mostrar, cheio de si
Que hoje ele é senhor das suas mãos
E das ferramentas

Quando a sirene não apita
Ela acorda mais bonita
Sua pele é sua chita, seu fustão
E, bem ou mal, é seu veludo
É o tafetá que Deus lhe deu
E é bendito o fruto do suor
Do trabalho que é só seu

Hoje eles hão de consagrar
O dia inteiro pra se amar tanto
Ele, o artesão
Faz dentro dela a sua oficina
E ela, a tecelã
Vai fiar nas malhas do seu ventre
O homem de amanhã
######


Esse é o professor Alysson Leandro Mascaro - Professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco - USP). Doutor e Livre-Docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo.




 Hoje é 1º de Maio de 2020

Dia de luta e de bandeiras vermelhas.
Ainda que isolados socialmente pelo coronavírus
os trabalhadores têm uma tarefa a cumprir - superar a sociedade capitalista.
___________________________________
NOTA
O vídeo é trecho da conferência de encerramento do  Seminário de Formação Sindical de Base no SINTAJ – Sindicato dos Servidores dos Serviços Auxiliares do Poder Judiciário do Estado da Bahia, no dia 05 de novembro de 2016. Capturado em 01/05/2020 de :<https://www.youtube.com/watch?v=woGWGyUr4is&fbclid=IwAR1kb827a-yXh7N14G4YaXfZZmp8eZLo72ooGnQc7h3cwL9M1-Khm45U4Ic>

quinta-feira, 30 de abril de 2020

A vida em tempos de coronavírus (42)

Opinião


Amanhã será 1º de Maio. Tradicionalmente dia de trabalhadores saírem às ruas em confraternização, grande parte deles sem mesmo saber a gênese de suas celebrações. Uma festa disputada. Memória de lutas contra a opressão, o 1º. de Maio sempre teve um simbolismo fortíssimo, tão forte que o empenho em roubar o seu simbolismo da memória dos trabalhadores é permanente.

No sistema de produção capitalista, onde os trabalhadores se agregam como classe explorada pelo capital, as corporações que representam esse último têm uma preocupação constante em que os trabalhadores não tenham a consciência do papel que representam nesse sistema, ou seja, não tenham consciência de classe. E as corporações trabalham intensamente para isso.

As donas do capital têm plena consciência do que representam e dos seus interesses, dos interesses e vontades de sua classe, mas isso não ocorre entre os trabalhadores. Os trabalhadores sofrem concretamente a opressão, têm força e poder para transformar essa realidade, mas não refletem objetivamente  sobre o mecanismo de exploração que os submete – falta-lhes consciência de classe.

As organizações de trabalhadores que querem superar esses obstáculos apontam as direções das lutas, organizam movimentos reivindicatórios, resgatam memórias de lutas, e é nesse contexto que se enquadra o simbolismo do 1º. de Maio. Antes de tudo, uma data que evoca as lutas e greves dos trabalhadores, além do caráter internacional da sua classe.

Certamente esse tipo de ação bate de frente com os donos do capital que recorrem às suas armas no enfrentamento dessa organização, e sua arma principal é o Estado administrado pelo poder econômico. Conforme a necessidade, essa arma é utilizada desse ou daquele jeito. Ora como instrumento de repressão contra os trabalhadores em suas manifestações e, em outras circunstâncias, como um solvente de suas iniciativas de organização viabilizado através da cooptação de lideranças sindicais e políticas.

Em nossa história já houve momentos em que mobilizações pela jornada de oito horas de trabalho quando vigorava a prática de 10 a 12 horas por dia; pela  abolição do trabalho infantil quando vigorava a prática de contratação pelas fábricas de crianças de seis anos; pela a proteção ao trabalho da mulher, entre outras, eram fortemente representadas em manifestações no 1º. de Maio e, usualmente, reprimidas pelas forças do Estado.

Em outros momentos, a arma Estado foi usada de forma mais eficiente. Foi utilizada para transformar o 1º. de Maio em uma festa alienada das lutas dos trabalhadores. Infelizmente, esse tipo de ação sempre passa, antes de mais nada, pela cooptação de dirigentes sindicais pelegos e traidores de categorias e de classe.

Não cabe resgatar a memória das lutas dos trabalhadores, nem a história dessa data tão importante. Contudo, é triste verificar que nesse ano de coronavírus a cooptação parece ter chegado a um ponto que dificilmente será superado.

A pandemia do coronavírus ficará para sempre na história do nosso país como um marco do ano 2020 e infelizmente,  o 1º. de Maio desse ano também ficará.  Mas, não apenas como um 1º. de Maio de isolamento social, mas também como um 1º. de Maio de lembranças vergonhosas e desonrosas para a história do movimento dos trabalhadores.

As centrais sindicais, com exceção da CSP Conlutas e a INTERSINDICAL celebrarão o 1º. de Maio de 2020 do tipo festa do Estado, fato que não traz muita novidade. A cooptação de dirigentes pelegos, que em vez de estarem à frente das categorias como porta-vozes de suas reivindicações, assumem o papel de mestres de cerimônias de festinhas bancadas pelo governo local tem sido recorrente.

Contudo, esse ano a parada é quente. Até o coronavírus deve estar espantado com tanta sem-vergonhice dos dirigentes sindicais. Esses calhordas estão promovendo um evento com o lema:  

1º. de Maio Solidário – Saúde – Emprego - Renda.
E estão convidando para o evento, entre outros, nada mais nada menos do que:

Fernando Henrique Cardoso (PSDB);  o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ);  a ex-candidata presidencial Marina Silva (Rede); o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); o presidente do do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. os governadores do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) e de São Paulo, João Doria (PSDB)

Sim – no mesmo cenário de Reforma Trabalhista, Desemprego, Reforma da Previdência, Privatizações – as centrais sindicais estão fazendo “isso”.

Quem não acreditar busque saber. Os sites das centrais referem-se aos convidados de uma forma genérica como “políticos”, mas a informação está escancarada em alguns jornais das centrais, incluindo no órgão de mídia que representa a CUT  (RBA – Rede Brasil Atual).

Não vale gastar palavras classificando esses hospedeiros que carregam e espalham o vírus do peleguismo entre os trabalhadores. Pra quem é, bacalhau basta. O espaço aqui restante será ocupado para a convocação de uma manifestação classista – um verdadeiro 1º. de Maio -  Vamos à luta!
######

Cartaz de convocação para o 1o. de Maio de 2020 pelas centrais: CSP Conlutas e INTERSINDICAL


quarta-feira, 29 de abril de 2020

A vida em tempos de coronavírus (41)


Opinião


Os  números oficiais de contaminados e de óbitos no Brasil devido ao coronavírus continuam crescendo, apesar de serem assumidamente subnotificados. Não consta que haja estimativas oficiais sobre os números reais que pudesse aumentar o nível de esclarecimento da população.


Nesta semana passou a circular na web, sempre informalmente,  um estudo realizado na universidade de Singapura que é um exercício de predição da evolução da pandemia em vários países do mundo, incluindo o Brasil.  O estudo utiliza modelos típicos de evolução de pandemias ajustados conforme as informações sobre os casos em cada país.

O estudo é bem claro ao apontar um monte de ressalvas e alertas que as curvas de estimativas estão sendo atualizadas diariamente e que não devem ser tratadas como um processo determinístico.

No caso do Brasil, não sabemos se a distribuição das subnotificações está sendo a mesma dos registros oficiais -  pelas dificuldades de realização dos testes, os dados são acumulados e notificados em pacotes o que dificulta o acompanhamento diário e distorce a interpretação de tendências – esse fato aumenta a incerteza nas predições. Se a distribuição dos casos reais for a mesma dos casos notificados, então as expectativas se aplicam.

Não sei explicar por quais razões, mas as expectativas  que estão sendo divulgadas, inclusive por algumas autoridades, coincidem com as informações dos estudos  de Singapura e apontam para dois pontos importantíssimos:

  • Estaríamos passando pelo pico das contaminações em torno da primeira semana de maio de 2020.
  • Essa época marcaria, então, a reversão da tendência de aumento e entraríamos num período de redução progressiva da quantidade de casos.

Tudo isso, naturalmente com as já citadas observações sobre a incerteza. Dependendo de vários fatores poderemos estar num chamado ponto de inflexão (mudança de direção) e essa merda dessa contaminação desandar levando-nos todos para um buraco sem saída. Tomara que não!

Nossa certeza é que com ou sem o acerto das predições, o nosso sistema de saúde que já se caracteriza por uma grande precariedade, está no limite de leitos em UTI  em várias cidades e os profissionais de saúde já estão vivenciando dramas das escolhas de Sofia. E se não estamos já em uma situação de  caos total,  sem duvida é porque com todas as deficiências e fragilidades boa parte da sociedade tem atendido à orientação do isolamento.

A propósito, vale resgatar que a divulgação da situação internacional tem sido contribuição fundamental para a resposta da sociedade ao isolamento. Também é fundamental o registro dessa experiência como exemplo da importância da liberdade de expressão, da divulgação e do acesso às informações. Acho até uma observação vergonhosa, mas esse registro é importante num momento em que afloram manifestações fascistas clamando por retorno à ditadura militar - o que significa o retorno de suas práticas, entre elas, a censura -  e o governo eleito reverência assassinos e torturadores dessa aclamada ditadura.

Nada podemos afirmar ainda sobre as tais predições. Estamos vendo que a situação é estarrecedora em muitos lugares, e deveríamos estar cabreiros e cuidadosos. Porque não há nada que esperar do grupo incompetente que se aglutina em um governo com atributos de genocida. Milícias, estupro, morte, violência, descaso essas são as palavras chaves desse governo.

Na noite de ontem, dia 28/4, o ex-capitão boquirroto foi interpelado por repórteres sobre o aumento de casos de mortes que na último contagem do dia foi de 474 óbitos. Pergunta em público, ao vivo, na presença de diversos repórteres. O Bozo respondeu com uma piada. Como esperar que dessa figura medíocre algum compromisso social? Não tinha, não tem e não terá.

Os profissionais do sistema de saúde – e de outras áreas – não devem ser confundidos com essa corja. Os testemunhos que vêm de todos os cantos do país é que eles estão dando o melhor de si. As soluções aplicadas, os planos possíveis, as ações táticas e os melhores rendimentos têm saído e sairão das iniciativas desses profissionais que representam o nosso serviço público e que atuam independentemente dessa cúpula putrefata que boia sobre a densa camada de verdadeiros trabalhadores.

Essa cúpula precisa ser curetada, raspada e jogada em local para que se decomponha em composto de esterco, quem sabe, um dia, prestem para alguma coisa. Mas, não nos basta que façam arranjos e trocas. As substituições por membros da mesma laia não alteram as políticas. Eles precisam ser retirados pela sociedade como sinal de repúdio a tudo que representam, num esboço de movimento de transformação. Fora todos!.

######

Referências para os estudos de Singapura - Atualizados diariamente 

 When Will COVID-19 End? Data-Driven Prediction - Jianxi Luo
Data-Driven Innovation Lab (http://ddi.sutd.edu.sg)
Singapore University of Technology and Design (http://www.sutd.edu.sg)
Updated at 2 AM, April 29, 2029




Brazil - End 97% around June 6, 100% around September 6



Vídeo com notícia sobre a resposta do Bozo sobre o aumento do número de mortos - Capturado em 29/04/2020 em < 
https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/04/28/e-dai-lamento-quer-que-eu-faca-o-que-diz-bolsonaro-sobre-mortes-por-coronavirus-no-brasil.ghtml>






terça-feira, 28 de abril de 2020

A vida em tempos de coronavírus (40)


Opinião


Em conversa com amigos em videoconferência  comentou-se sobre um caso qualquer, onde familiares questionaram o agente de saúde por não explicitar a causa de um óbito como coronavírus. As orientações de só atestar como causa Covid-19 os casos de contaminações ou óbitos efetivamente testados estaria gerando conflitos entre familiares responsáveis pelos vitimados e os agentes de saúde.

Na sequência surgiu uma questão interessante – a dos seguros de vida versus as subnotificações de contaminações e óbitos pelo coronavírus. Nos contratos de pessoas cobertas por seguros de saúde e de vida, é praxe a exclusão de obrigações de pagamento de indenizações por eventos  associados a epidemias e pandemias formalmente declaradas por autoridades competentes, assim como algumas outras situações, incluindo catástrofes naturais. Considerando apenas esse aspecto, que interesse haveria na notificação de um óbito ou diagnóstico médico como coronavírus? A subnotificação, nesses casos, seria mais conveniente para não provocar conflitos com a seguradora. Naturalmente essa foi apenas uma passagem de bate-papo de leigos, sem nada a ver com debates jurídicos.

Buscando saber mais sobre o assunto, vi que nos EUA a questão já está rolando e  há um tópico que é específico de lá. O sistema de saúde americano – tipicamente privado – na década passada sofreu algumas alterações decorrentes de iniciativas do ex-presidente Obama  tentando algum nível de publicização do sistema. As modificações foram tímidas e até hoje contestadas, inclusive pelo atual presidente que defende um Trumpcare, mas não é o foco aqui.

O foco na questão americana é o conflito que está tomando vulto agora. Nas reformas do Obamacare o governo teria dado às seguradoras contrapartidas compensatórias para os casos de situações específicas de desbalanços financeiros provocados pelas mudanças no sistema. Mas, aí apareceu o coronavírus.

Sem conhecer nem me interessas pelos detalhes, li que, entre outras tantas, a pandemia coronavírus está fazendo uma grande confusão nessa área, e abrindo polêmicas lá, nos EUA, sobre quem deve o quê, a quem.

Aqui no Brasil, algumas seguradora (Itaú, Santander e Banco do Brasil, não sei se existem outras), estão fazendo propagandas de seus serviços informando que cobrirão os sinistros decorrentes do coronavírus para os casos de  seguros de vida e prestamista (são apólices que garantem o pagamento de financiamentos e dívidas em caso de morte e invalidez). Mas, eu fiquei com a pulga atrás da orelha porque geralmente sou lerdo em tratar desses assuntos. Tenho seguro de vida e ainda não procurei saber como ficaria a situação no caso desse sacana desse coronavírus resolver me pegar e me levar dessa para outras experiências. Não sei bem a importância dessa providência, mas procurarei saber sobre isso e alertarei outros, conforme o caso.

Nas minhas navegações googlelianas sobre o assunto, estava focando  exclusivamente o caso dos batimentos de botas, mas como não poderia deixar de ser, verifico que o buraco é bem mais embaixo. O assunto tem diversas implicações, particularmente no caso do comercio e da indústria. Sei que que os exemplos que vi são infantis, na medida em que estão no âmbito do meu conhecimento do assunto que é praticamente nenhum, mas imagino que no sistema de relações entre as corporações a situação deve estar uma grande complicação, um verdadeiro embrulho de três cocos.

São várias as situações de perdas que podem estar associadas diretamente à pandemia e que sugerem discussões sobre as suas coberturas pelos mecanismos de seguros, adicionalmente aos casos de vida e saúde: inadimplemento de obrigações e danos patrimoniais; lucros cessantes; viagem; educação; riscos operacionais entre outros.

Em uma das leituras que vi aponta-se que esses outros casos envolvem montantes bem mais elevados do que os casos específicos de saúde dos segurados. A título de exemplo, diz-se que o adiamento das Olimpíadas de Tóquio gerará obrigações securitárias da ordem de dois bilhões de dólares.


É interessante que a conversa sobre essas questões parecem soar estranhas, como se elas fossem de um mundo que não é nosso. Como se o mundo da economia e das corporações não tivesse relação com os trabalhadores, o que é um pensamento equivocado,  uma armadilha.


Ali, naqueles milhões e bilhões não há uma merreca que não tenha sido produzida pelo trabalho. Então, é assunto de nosso interesse. Esses milhões e bilhões já foram produzidos e estão acumulados em formas diversas compondo a riqueza de uma minoria cuja quantidade é inexpressiva quando comparada com a massa de trabalhadores. Esses milhões e bilhões podem e devem ser resgatados e divididos. Em nome dos trabalhadores, do seu conforto, da sua tranquilidade, do sustento de suas famílias enquanto cumprem o isolamento social, de suas vidas e saúde. 

Em vez de atender ao chamado de arriscar vidas para aumentar a fortuna dos donos do capital, a palavra de ordem entre os trabalhadores precisa ser: Vamos dividir agora! Essa merreca de 600 reais é muito pouco. Sabemos que ainda tem muita grana guardada nesse baú!

#####

segunda-feira, 27 de abril de 2020

A vida em tempos de coronavírus (39)


Opinião


Dia desses li uma matéria bem interessante sobre a experiência de um artista alemão que colocou um monte de celulares ativados em um carrinho de mão e saiu puxando o carrinho pelas ruas de uma cidade. Com isso ele enganou o aplicativo do Google (Google Maps) que interpretou a concentração de celulares como um congestionamento de trânsito. Na medida em que o sujeito puxava o carrinho, o Google indicava uma faixa vermelha de via congestionada e, consequentemente, a rua ficou completamente vazia e sem trânsito porque as pessoas passaram a buscar alternativas para o congestionamento. No final desse texto tem link para a matéria e vídeo com a experiência do artista.

Sem aprofundar as análises, a matéria sobre o cara que enganou o Google Maps aponta alguns aspectos importantes desse mundo novo e virtual. O texto chama atenção para o que ele atribui como novas formas de mercantilização na produção capitalista que,  além de determinarem comportamento e opiniões, viabilizam o exercício do poder e o controle do conhecimento.

Outra novidade, interessantíssima, foi apresentada pela Microsoft e que até viralizou na web: um software que produz um holograma (imagem em 3 dimensões) de um apresentador que pode se apresentar discursando em qualquer idioma, mas com a dicção e a entonação do apresentador original. Algo impressionante, sem dúvidas, mas cabe a pergunta: quem além das grandes corporações privadas lucrará com isso?

Trata-se de um assunto sobre o qual vale refletir, mas geralmente o próprio fascínio pelas novas funcionalidades tecnológicas desvia a nossa atenção de pensar sobre elas. Deixamos de considerar como essas inovações se prestam mais para a criação de novos mecanismos de exploração do que para uma melhoria efetiva no bem estar dos seres humanos. 

Esse tema deveria ser bem explorado, especialmente no momento quando a humanidade – ou parte significativa dela – está acuada em suas casas por conta do coronavírus. O quanto e como essas inovações contribuíram positivamente para a humanidade até o aparecimento do coronavírus? E agora, durante a pandemia e depois, no período pós pandemia?

Não se trata de demonizar ou navegar contra a corrente, o que seria impossível, mas de fazer balanços. Geralmente nas conversas não faltam exemplos de potenciais usos das modernas tecnologias para a satisfação e gozo da humanidade, mas na prática não se vê muito mais do que o aprimoramento de meios visando extração do mais valor na produção capitalista. 

O conhecimento científico, como qualquer outro, é um produto social, assim como as inovações tecnológicas construídas a partir dele. Nada mais justo  do que questionar quem está se apropriando e aproveitando efetivamente dos benefícios desse conhecimento.

NOTAS

[1]
Google Maps Hacks by Simon Weckert – Acessado em 27/04/2020 em < http://www.simonweckert.com/googlemapshacks.html>

[2]
Demo: The magic of AI neural TTS and holograms at Microsoft Inspire 2019 – Acessado em 27/04/2020 em <https://www.youtube.com/watch?v=auJJrHgG9Mc>


########


domingo, 26 de abril de 2020

A vida em tempos de coronavírus (38)



Opinião


Os números oficiais do Ministério da Saúde informam que estamos no limiar dos 60 mil casos de infectados com o coronavírus e já com mais de 4 mil mortes. O próprio ministério não esconde que esses números se referem apenas aos casos em que tanto as causas das infecções como as dos óbitos foram constatadas por testes.

Esses números por si só são apavorantes e mais ainda quando pensamos que eles representam subnotificações. Diversas reportagens, inclusive reportagens em jornais internacionais, tratam da questão das subnotificações no Brasil e quase todos estimam que os números oficiais representam menos de um décimo dos casos. As matérias estimam que os casos reais sejam de 11 a 15 vezes  os números oficiais. Tomara que esses números estejam errados porque, se estiverem corretos, no caso mais otimista, o Brasil já está com mais  de 600 mil casos de contaminações e mais de 40 mil óbitos. Isso já é uma visão do inferno.

Não acho absurdo que os números oficiais registrem apenas os casos testados e nem me surpreende que estejam tão distantes da realidade. Afinal, não é novidade para ninguém que vivemos num país carente de recursos. Esses números exibem a carência de testes e de uma logística que permita acelerar a quantidade de testados com as doses disponíveis. Será um absurdo se as autoridades estiverem se referenciando exclusivamente por esses números.

Existem métodos científicos para avaliações e estimativas dos números reais, mesmo que os testes não tenham sido realizados, e existem profissionais supercapacitados para realizar essas avaliações e estimativas. Porém, não acredito que as figuras da trupe Bozo no Ministério da Saúde, nem o merdetta que saiu nem o punheta que entrou, sejam capazes de dar tais diretrizes ou quaisquer outras. Essa corja  que ocupa o governo já nem consegue se disfarçar. Já tocou um “foda-se” para a nação e ontem deram uma demonstração disso.

 A minha expectativa – e quase certeza - é que os profissionais das diversas áreas estejam trabalhando por suas próprias iniciativas. Por motivos diversos, e para sorte nossa, a sociedade brasileira ainda não assimilou culturalmente e integralmente os valores da  lógica capitalista que determinam a nossa ordem econômica, e isso é bom. Aliás, é a nossa tábua de salvação nesse momento.

#####

sábado, 25 de abril de 2020

A vida em tempos de coronavírus (37)


Opinião


Ontem foi dia da  “Mãe das lives”. Talvez preocupado com os efeitos depressivos sobre a população provocados pelo isolamento social, o governo Bozo protagonizou uma encenação burlesca, rigorosamente uma Farsa (gênero dramático cômico que se utiliza de personagens caricatos e excêntricos) que deve ter concorrido e batido qualquer live recente das chamadas duplas sertanejas.

A apresentação se deu em dois atos e “mediocridade acima de tudo e de todos” deve ter sido a orientação dos diretores do espetáculo. No primeiro ato o juiz de primeiro piso, antes ministro, e no segundo ato o ex-capitão boquirroto acompanhado de parte da trupe. Uniram-se todos em atuação especial.

Bozo e o juiz de primeiro piso engalfinharam-se, arrancaram perucas e cabelos um do outro. Rasgaram roupas e desnudaram-se. É verdade que o que se viu não foi novidade. São conhecidos canastrões e suas fantasias não melhoram as suas representações. De qualquer forma, um arrancou do outro todos os disfarces e isto foi importante para quem ainda confunde ator com personagem e tem expectativa de que alguma coisa boa exista sob os seus costumeiros trajes e caretas circenses.

Oportunista, mentiroso, chantagista, criminoso. Crime de responsabilidade, obstrução de Justiça, interferência em investigações. Tentativas de acesso indevido a documentos sigilosos de inteligência, falsidade ideológica – esse foi o script das apresentações. Conversa de bandidos trocando acusações em delegacia de polícia. Só faltaram as algemas.

Até os governos do PT foram trazidos  à cena como referências de trato politicamente correto da coisa pública. Quem diria!

Há mais de trinta anos, uma novela global teve um enredo que se passava em um degradado reino de Avilan, onde os poderes eram ocupados por personagens caricatos e corrompidos. A novela ficou como uma fantasia satírica da situação nacional na época. Acho até que já foi reprisada como uma história distante. Porém  - a vida é uma caixinha de surpresas – esse era o bordão repetido pelo narrador da história do azarado Joseph Climber.  E aqui os azarados somos nós porque o reino de Avilan é aqui e hoje. E quem tiver dúvidas pergunte ao chefe da trupe Bozo. Ele já disse em alto e bom som: A constituição sou eu!



O rei e sua corte próxima já não posam para fotos. Hoje tem-se vídeos. E estavam todos lá. A ministra dos Direitos Humanos bem atrás, sem uma goiabeira na qual pudesse subir e se destacar. O ministro da Saúde tomou conta da festa. Como se estivesse dopado, fazia caras e bocas atrás do ministro da Educação. As chamadas  gifs com suas imagens ocuparam a web. Luizinho Mandetta foi substituído por Nelsinho Masturbação (ou rima que se aplique), essa era a legenda das gifs.

O ministro da Educação foi apontado pelo Bozo como exemplo. Reconhecimento justo. Nada mais coerente do que aquela figura como uma representação exemplar desse governo. O da Economia, de máscara, devia estar sorrindo e pensando em como incluir aquelas imagens num dos tantos pacotes que ele está fazendo para entregar o país e faturar uns trocadinhos a mais.

E os milicos? Altivos - era o que lhes cabia. Orgulhosos do papel que têm desempenhado de símbolos da ameaça permanente de uma ditadura militar e avalistas do ex-capitão boquirroto e de seus atos. Cúmplices da abertura de Alcântara para os EUA e da entrega da Embraer para a Boeing. Endossam sem constrangimentos as continências do ex-capitão à Star-Spangled Banner.

Certamente foi o dia mais divertido da quarentena. Será inesquecível. E quem perdeu poderá ver a síntese reproduzida em um dos quadros do vídeo com a imagem  do tradutor de Libras (que também viralizou na web, possivelmente até para fora do país - imagem abaixo). Comenta-se que outras apresentações desse tipo virão, focalizando outros personagens. Cada um em sua vez de ocupar o lugar na frigideira.

Enquanto isso, vamos por aí, buscando o que haverá de melhor para nós. Outros conseguiram, porque não haveríamos de conseguir. Certamente esqueceram uma semente em algum canto de jardim.

 #####