terça-feira, 24 de março de 2026

Mensageiro é o escambau!

 

Opinião

O encaminhamento que está sendo dado às prisões do capitão ex-boquirroto e do banqueiro da peleleca, dois criminosos que incluem em seus portifólios o planejamento de agressões e até de assassinato de opositores, institucionaliza a canalhice das relações sociais no país.

Não que seja uma surpresa, nunca foi, mas as decisões recentes, tais como: assistência médica  especial, integral e permanente; prisão domiciliar; troca para celas com instalações mais confortáveis; enfim, benesses e mordomias típicas de roteiros de filmes sobre chefões mafiosos e quadrilheiros, além de escancararem a situação real do poder aqui, por nossas bandas, escancaram também o papel de muitos profissionais da mídia, que tentam passar apenas como mensageiros, mas que, a rigor, desempenham papel importante na configuração da  hipocrisia institucional.

Tem sido frequente as denúncias de militantes da esquerda sobre as tratativas que vários jornalistas têm dado aos assuntos que permeiam o cenário político do país, embora algumas dessas críticas até disputem em escrotidão com as situações e as práticas que denunciam. Em resposta, figuras importantes da mídia nacional desfilam com um discurso recorrente: são mensageiros, revelam fatos e protagonistas, as críticas são descabidas porque confundem os mensageiros com as mensagens.

Essa tem sido uma retórica frequente, mas é um argumento falso. Esses jornalistas, considerando a estrutura do conglomerado de mídia em nosso país, não são apenas mensageiros, embora tentem parecer assim. São figuras públicas, com representatividade na sociedade, dispõem de canais alternativos de comunicação, tipicamente redes sociais, e emprestam os seus nomes e currículos como endosso das notícias que divulgam, mesmo quando tratadas e orientadas por suas respectivas gerências editoriais.

E agora? Diante do descabimento das situações atuais, o que fazem esses mensageiros? Calam-se! O silêncio é total.

O powerpoint da vênus platinada no dia 20/03/2026, e a sua tentativa de desqualificação da importância do fato com um esfarrapado pedido de desculpas no dia 23/03/2023,  passou a ser o caso mais recente. O caso compromete todo o quadro dos pretensamente isentos jornalistas. Não dá pra jogar culpas para os conselhos e redatores editoriais. Não dá para classificar as bancadas entre os “do bem” e os “do mal”. Quem viu e calou concordou, foi cúmplice, porque todos viram. 

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