sábado, 19 de março de 2016

Os amigos e os cajus

Leituras para distrair
Recebi a foto de um kit, que o remetente ironicamente identificou como “kit Jorge”, contendo uma lata de pinga Pitú e alguns cajus. Gostei da brincadeira e fiz alguns comentários.

Eu não pratico tanto, mas gosto de um caju amigo. Uma peça carnuda de caju cortada em filés sobre uma tábua de madeira, uma boa pinga, e o momento máximo: mastigar um filé de caju e, em seguida, degustar a pinga. Uma delícia! Ainda que possa ser um atentado contra a saúde.

Conheço pessoas que invertem o ritual. Primeiro a pinga e, depois, o caju como um tira-gosto. Não é o meu caso, mas é besteira discutir este detalhe. Vale o prazer. 

Não é um ritual para se praticar sozinho. Eu e um antigo companheiro, cujo contato perdi, praticávamos o caju amigo em uma pequena propriedade que tive e que chamávamos de “sitio”.

O caju amigo me traz duas lembranças especiais. Uma delas, como não deixaria de ser, é gonçalense. Ainda estávamos no colegial, lá em São Gonçalo, quando íamos ao bar do Adelino, na Vila (Zé Garoto), e bebíamos um caju amigo, eu e o meu querido e falecido compadre. Lá o caju não era servido em filés, era espremido em um copo do mesmo tipo onde era servida a pinga. Copo simples, de fundo alto, antes era chamado copo de cachaceiro, hoje é chamado de shot. Ali, em pé, no balcão, bebíamos em dois goles. Meu compadre bebia primeiro a cachaça, eu bebia primeiro o caju, a pinga ia em seguida. Hoje o Adelino seria preso por vender bebida alcoólica a menores. As conversas, as piadas, as expressões e comentários eram sempre os mesmos. Tudo fazia parte do ritual. Um dos tantos rituais que consagraram uma amizade que só me trouxe felicidade.

Outra lembrança é de uma tarde em um local distante, uma quase esquecida estação da Embratel, em Boa Vista, Roraima, ou Macapá, Amapá. A memória é falha, e nunca mais voltei lá. Era uma estação dos antigos sistemas de tropodifusão com suas antenas lindas, erguidas como enormes muralhas de metal no espaço e que pareciam peças de ficção científica. Poucos profissionais de telecomunicações tiveram a oportunidade de conhecer aqueles equipamentos que eram a alternativa de comunicações na amazônia antes do advento do satélite.

O terreno lateral ao da estação continha vários cajueiros e uma mangueira enorme com uma sombra magnífica. Grande o suficiente para abrigar uma birosca e alguns bancos de madeira. Nada em volta, só mato e a casa do caseiro da estação. Não sei de onde saía a clientela da birosca. Terminamos o trabalho e fui levado para conhecer a birosca e o caju amigo. Uma pinga deliciosa e os tamanhos dos cajus eram impressionantes, pelo menos para mim.  Tudo se ajustava naquela tarde, parecia um momento ensaiado. Estávamos eu, um companheiro da engenharia de Belém, outro colega do Rio e o pessoal da estação local. O resto não preciso relatar, nem conseguiria. Basta fechar os olhos e deixar a imaginação fluir deliciosa como flui um caju amigo.

Sobre o kit para caju amigo, eu já o vi no supermercado próximo ao Largo do Machado, aqui, no Rio. Achei interessante, embora eu não goste muito do sabor da Pitú, uma pinga pernambucana reconhecida internacionalmente. Não sei se existe alguma Pitú especial. A comercial eu não gosto. Porém, gosto não se discute, mais vale um gosto do que dez vinténs, como dizia a minha avó Olga.
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Nota: este registro foi elaborado em novembro de 2015 



quarta-feira, 16 de março de 2016

Uma Klan tropicalizada


Opinião

Recebi de um amigo as imagens abaixo. Elas resgatam a similaridade das manifestações que se desdobraram na ditadura de 1964 com as manifestações do último dia 13 de março de 2016. Fiz alguns comentários que compartilhei entre amigos e familiares e reproduzi aqui para registrar a minha opinião. 

Parece que a história se repete como farsa. Farsa no sentido de burlesco, de caricatura sem compromisso, como disse o velho Karl no “18 de Brumário”1. E ainda recorrendo ao "velho": os homens fazem a sua própria história, mas não fazem segundo a sua livre vontade porque eles não determinam as circunstâncias. Elas lhe são dadas, transmitidas. 

Eu não saberia reproduzir com exatidão sem recorrer à estante de livros e copiar o texto, mas este não é o caso. A ideia está correta.

E as circunstâncias estão aí, impondo-nos escolhas que possivelmente teremos que fazer ainda que não queiramos. No caso, acho que cada um de nós precisará escolher um lado. 

Isto não seria um problema porque, afinal, política é isto: escolha. Contudo, tomara que eu esteja errado, as coisas caminham de uma forma em que não haverá vários os lados, mas talvez apenas dois. Nem mesmo a abstenção será uma alternativa em si própria.

Minha escolha já fiz. Não farei parte dessa massa que incorpora e que caminha lado a lado de uma elite minoritária brancosa e fascista cujo projeto estratégico (e escroto) é a consolidação de uma sociedade excludente e desigual disfarçado de um discurso de combate à corrupção.

Sei que os manifestantes não são todos fascistas, que alguns querem efetivamente um país melhor etc. Mas, o fato é que estão juntos e fortalecendo os fascistas, exploradores, vendilhões das riquezas nacionais, além de outros atributos.

Então, Fodam-se! Se a distinção é necessária, eles que a façam. Até lá, considero que todos formam um bando de Filhos das Putas.

De meu lado, arco com o ônus de ser identificado com grupos e práticas políticas que abomino e com os quais já me incompatibilizei há muito tempo. Não será simples, mas é a parte que me caberá neste latifúndio. Sempre fiz isto e continuarei fazendo.

Como já disse, tomara que eu esteja errado e não precise realizar escolhas em conjunto tão restrito de alternativas. Especialmente porque a consequência imediata possivelmente será a perda ou afastamento de relações afetivas queridas.

Mas, se for necessário, assim será. Não sinto vergonha, não disfarço os meus projetos, nem me mobilizo pelas chamadas à luta convocadas pelos jornais da Globo.

Em hipótese nenhuma me confundirei com esta burguesia coxinha e babaca que sente vergonha de ser brasileira, que abomina a miscigenação característica da nossa sociedade, que odeia o pobre em vez de odiar a pobreza. Esta versão verde-amarela de Ku Klux Klan. Aliás, como o meu amigo bem observou, nada tão simbólico como estarem quase todos vestindo camisa da insuspeita CBF.
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1.
O 18 de Brumário de Luis Bonaparte é considerado um dos textos mais importantes de Karl Marx onde ele relata e analisa um golpe de Estado ocorrido na França em dezembro de 1851 comandado por Luís Bonaparte que havia sido eleito presidente três anos antes e impôs uma ditadura declarando-se imperador Napoleão II. Luís Bonaparte era sobrinho do Napoleão Bonaparte que todos conhecem (aquele da mão enfiada no casaco), também ditador, e que havia se coroado como imperador da França em 1804.
Em 1789, na Revolução Francesa, os revolucionários mudaram o calendário alterando a quantidade de dias da semana, a quantidade de semanas dos meses, os nomes dos meses etc. Essa mudança durou até o ano de 1805. Quando Napoleão Bonaparte (o da mão no casaco)  foi coroado era o dia 18 do mês de Brumário pelo calendário revolucionário. O livro de Marx tem um título que ironiza a situação. O golpe de Luís Bonaparte foi dado no aniversário da coroação do seu tio, assim teria sido o 18 de Brumário do sobrinho, 47 anos após o golpe do tio.
A primeira publicação do 18 de Brumário de Luís Bonaparte, escrito por Marx, foi em 1852. Atribui-se a sua relevância ao fato de ser um exemplo concreto de um método de análise que hoje se denomina análise marxista.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Irradiando magia


Leituras para distrair

Em 8 de dezembro de 1980 oficializei o meu retorno de São Paulo assinando o contrato com a Embratel. Dia de N.Sra. da Conceição. Vim ao Rio e retornei a São Paulo no mesmo dia. Logo que cheguei fiquei sabendo do assassinato do John Lennon. Dia estranho. Alegria e tristeza.

Mas, 8 de dezembro também é especial por outras lembranças queridas. Minha madrinha, avó, tia e dona de outros títulos familiares e afetivos, dinha Mansinha, promovia em seu centro de umbanda, na casa onde morávamos, uma celebração para Oxum, a patrona do centro. Era uma festa dominada pelo sincretismo. Primeiro havia uma ladainha celebrando N.Sra. da Conceição, a puxadora das rezas chamava-se D. Irene. Finda a ladainha havia uma sessão espírita com rezas, incorporações etc.

Mas, antes de tudo, havia uma sessão de “descarrego” quando a casa e os presentes eram defumados para afastar os maus espíritos. Dinha Mancinha  (com "c" mesmo) percorria a casa com o defumador, uma grande taça de barro onde havia pedaços de carvão em brasa produzindo fumaça. Não lembro se havia alguma erva. De qualquer forma, não fedia. Ela cantava uma prece que dizia “Defume esta casa bem defumada/com a cruz divina ela vai ser rezada/ ela é rezadeira, ela é filha de umbanda/com a cruz divina todo mal debanda”. Cantando ela percorria as entradas e saídas da casa espalhando a fumaça e cada um dos presentes se apresentava para a defumação. Ela aproximava o defumador e a fumaça nos envolvia, frente, costas, embaixo dos braços e pernas, exatamente como os agentes federais fazem com o detector de metais nos aeroportos. 

E a casa ia enchendo de vizinhos, amigos e familiares que se serviam dos muitos doces em compotas ou em forminhas de papel, bolos e manjares diversos preparados em nossa casa ou levados pelos participantes. A rigor não havia convidados. A casa era aberta e a segurança era os homens da casa e, possivelmente, os deuses homenageados. 

Quase não rolava bebida alcoólica. Havia algum vinho doce, tipo moscatel (horrível) que uns poucos bebiam. Também havia licores. Nada de cerveja. Meu pai, o cambono do centro (uma espécie de primeiro secretário do pai-de-santo), tinha a sua pinga embaixo da pia e da qual ele se servia moderado por suas responsabilidades e por minha mãe, é claro. Mas o ambiente geral não era de beberagem. Era uma alegria e um alto astral que iniciava já no aniversário da minha madrinha, em 3 de dezembro. Lá, eu e meus irmãos aprendemos rezas, cantos (pontos de macumba), adornos, rituais, oferendas e, principalmente, incorporamos valores de caráter. Nunca vi um lance sequer apontando para o prejuízo de alguém.

Gosto muito de saber sobre os mitos religiosos. Desconheço algum que aponte o ato de ferrar a vida do outro como mecanismo de sublimação do ser humano. Mas, tenho admiração especial pelos mitos de origens africanas. Eles são lindos e interessantíssimos. E vão bem além daqueles que as religiões fizeram chegar até nós. É uma pena que a discriminação e preconceito racial e religioso da nossa história tenha nos negado o estudo das mitologias africanas e indígenas. Aprenderíamos muito com eles. Mas, vejo as condições atuais de circulação de informação como uma nova oportunidade. Bem que eu gostaria de ver no cinema Ogum, além de  Thor. Oxum, além de Odin. Exus e Sacis além de Rumpelstichen.

Hoje é dia d’Oxum, um tema que os compositores Gerônimo e Vevé Calazans e a cantora Gal Costa transformaram em uma das músicas que mais me emociona. Composta para uma serie de TV, deveria ser (se não é) o hino de Salvador. Poderia ser, também, um hino do Rio de Janeiro. Tive o prazer de ouvi-la recentemente cantada pelo Lucio Sanfilipo, no Trapiche Gamboa, numa noite povoada por orixás. Bebi uma ceva gelada e uma cachaça. Comemorei com os meus amigos presentes e saravei os ausentes, como faço agora. Saravá!

Para quem se interessar em ouvir: É D'oxum 

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Não será por falta de vovó, nem de uva

Opinião

Acho perfeitamente possível melhorar a situação do analfabetismo em nosso país. A rigor os índices estão melhorando, mas o fato é que precisamos de prazos menores e, mais do que isto, que as melhorias ocorram em prazos planejados.

Como todas as questões que envolvem as escolhas de rumos e prioridades para um país, aquelas relacionadas à educação, entre elas o analfabetismo, são de natureza política. Entretanto, vista sob uma óptica operacional, a erradicação do analfabetismo no Brasil tem pouco ou quase nada a ver com aspectos pedagógicos sendo uma questão de natureza quase exclusivamente de gerência, administração e alocação de processos e de recursos.

Vale ressaltar que o termo analfabetismo é citado aqui nos termos em que o IBGE considera, ou seja, analfabeta é a pessoa que não sabe ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhece[i]. Não estamos falando, por exemplo, do chamado analfabeto funcional ou outra categoria classificada pela pedagogia. E para superar este chamado “analfabetismo absoluto” não são necessários estudos e métodos pedagógicos especiais. Não que outros conceitos e ensinamentos mais elaborados devam ser colocados em segundo plano ou interrompidos, mas, no momento, para sair deste antro estreito, vale até mesmo o tradicional  “vovó viu a uva”.

Esta alfabetização básica e necessária, que se resume a uma aprendizagem dos mecanismos de leitura e escrita além de umas regras simples de linguagem,  já é realizada pelo país afora, entre familiares, vizinhos, grupos comunitários voluntários etc. Arrisco dizer que o processo para esta alfabetização ou, se quiser,  para o nível de alfabetização desejado e necessário, neste momento, não apresenta grandes segredos. O xis do problema é a quantidade de gente que precisa ser alfabetizada.

Os dados do IBGE que são extraídos das pesquisas realizadas sobre o censo de 2010 e pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada no período 2007/2013 e colocados à disposição dos pesquisadores apontam uma “Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade”  de 8,5%[ii]. Para a população atual, nesta faixa etária, esta taxa corresponde a cerca de 13,6 milhões de pessoas. Esta é a quantidade de gente que precisa ser alfabetizada . São números melhores que os de 2001 quando a taxa era 12,4% correspondendo a 15,1 milhões de analfabetos[iii], mas ainda é muita gente, mais do que a população de Portugal, ou da Suécia, ou da Bolívia. Podemos dizer que melhoramos, mas ainda estamos bem distantes do necessário e entre os maiores tributários para a quantidade de analfabetos no mundo.

O Brasil também deu um passo importante ao aprovar  em 2014 um PNE - Plano Nacional de Educação que inclui entre as suas metas a de número 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste PNE (2024), erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional. Foi uma gestação difícil, aprovada sob críticas, mas temos uma meta institucional que independe dos governos. O passo seguinte, a tarefa que se coloca, é tocar esse bonde, fazê-lo andar. 

Erradicar o analfabetismo é, portanto, uma tarefa exclusivamente operacional que depende, naturalmente, da decisão política de incluí-la entre as prioridades.  Se tomada esta decisão, a tarefa é consolidar as informações (que já existem porque o censo já as colheu) sobre onde estão estes 13,6 milhões de brasileiros. Daí, então, apontar o foco para eles alocando recursos: professores, infraestrutura e material didático além da adoção de medidas que permitam, no mínimo, contornar as dificuldades que dão origem a este quadro e que certamente passam pela distribuição de renda.

Será uma inocência política esperar que por esta via se promova alguma alteração no quadro de distribuição de renda do nosso país, porém mesmo medidas paliativas que superem deficiências de renda exclusivamente com o objetivo de viabilizar uma mobilização nacional para a alfabetização são perfeitamente viáveis. Por exemplo, remunerar razoavelmente os professores participantes de um mutirão.

Concluindo, ressalvo que esta avaliação sobre a possibilidade de erradicação do analfabetismo não deve ser confundida com crença nem com esperança. As carências educacionais nacionais não se reduzem à questão do analfabetismo, e nem o PNE é a tábua de salvação da educação brasileira. Mas, o PNE deve ser visto e tratado como um instrumento que precisa ser valorizado e utilizado, ainda que as suas metas para a erradicação do analfabetismo absoluto sofram críticas consistentes e importantes que as classificam como minimalistas entre outras depreciações. [iv]  A transformação desta possibilidade em realidade se fará com a atuação política,  e a conjuntura está aí mostrando a todos nós que não é simples. Mas, não será por falta de vovó, nem de uva.

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[i] Site IBGE- Indicadores sociais mínimos – Conceitos - http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/conceitos.shtm - acessado em 13/10/2015

[ii]  Brasil em síntese – Educação - Portal do IBGE - http://brasilemsintese.ibge.gov.br/educacao/taxa-de-analfabetismo-das-pessoas-de-15-anos-ou-mais -  Acessado em 13/10/2015

[iv] Plano Nacional de Educação 2011 – 2020- Notas Críticas - Coletivo de Estudos Marxistas em
Educação (COLEMARX) da Faculdade de Educação da UFRJ – Site SEPERJ - http://seperj.org.br/admin/fotos/boletim/boletim558.pdf - Acessado em 13/10/2015


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Onde essa criança aprendeu isso?


Leituras para distrair
“Aberto laboratório de computador quântico em Shanghai”. Eu li esta notícia recentemente, na internet e, embora ciente que sempre haverá uma distância razoável entre a realidade e as manchetes jornalísticas, fico impressionado. Há seis anos comentei sobre um livro que trata da computação quântica (Resenha Q - Bits), um assunto que na ocasião ainda parecia estar mais próximo da ficção. Contudo, as notícias sobre o estado da arte nesta área sugerem que os avanços tem sido rápidos e que há uma possibilidade real da construção, em breve, da tal máquina.

O assunto ainda parece tema para nerds ou cientistas, mas até bem pouco tempo quase ninguém fazia ideia, também, do que eram bits, bytes ou pixels, produtos que hoje são vendidos no comercio ambulante mesmo que poucos saibam exatamente o significado técnico dos mesmos, banalizados pelo seu valor de uso, como a Aspirina. Dispositivos eletrônicos de memória de massa, os minúsculos pen drives, foram apelidados de “chupa-cabra” e são comercializados entre as bancas de livros usados na saída do metro Carioca, no Rio Janeiro com os seus preços na faixa de dez a trinta reais conforme a quantidade de “megas” ou “gigas” que são capazes de armazenar.

A anunciada computação quântica promete ser uma revolução, bem mais do que apenas um avanço tecnológico ou uma atualização de versão de funcionalidades do celular. As velocidades de bilhões de operações por segundo realizadas atualmente com os “bits” serão superadas em muito pelos “quantum bits”, ou Q Bits. Esta “coisas” além de assumirem os valores “um” e “zero”, como fazem os bits tradicionais, podem assumir também um terceiro estado, indeterminado, que é, ao mesmo tempo, “um” ou “zero”, e tudo se passa como uma mágica que permitirá um aumento estupendo nas atuais velocidades das operações. Não importa como, acredite, este atributo permitirá um aumento tão grande na capacidade de processamento de informações que a sua chegada já ameaça os mais modernos sistemas de criptografia (codificação e senhas) eletrônica.

As possibilidades advindas destes avanços tecnológicos geralmente nos estimulam a buscar as interpretações dos renomados cientistas e técnicos numa vã tentativa de antever o mundo futuro.  Mas, com este objetivo, talvez a melhor direção seja dirigir os nossos olhares para as crianças e os artistas. Veja a reação de uma criança de colo, que nem mesmo sabe falar, ao pegar um celular. Faz gestos de pressionar pontos ou deslocar imagens em uma tela de sensibilidade ao toque, quase tão instintivos como o de levar a mamadeira à boca. Buscam respostas da tela com gestos que ninguém ensinou. E vejamos também com atenção os artistas, pintores, escritores, músicos, poetas. Mas, não com uma visão restrita de quem busca adivinhar o futuro em bola de cristal. Faça as filtragens que quiser, mas tente abrir a mente à compreensão. Eu não sei a receita, muito menos saberia ensinar, mas aprendi que nenhum cientista do passado conseguiu conjecturar sobre a realidade atual com tanto acerto e significado como fizeram os artistas com suas metáforas, suas ficções, dúvidas e assombramentos (Link para a matéria: Aberto laboratório de computador quântico em Shanghai).



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domingo, 23 de agosto de 2015

"ai, ai, ai, família é mãe e pai"


Opinião
Em meio a desestímulos, greve de professores nas universidades, manifestações de baixa estima e conflito de opiniões, o Brasil vai executando o seu Plano Nacional de Educação – PNE agora com a elaboração dos planos estaduais e municipais. Infelizmente este não é o tema que ocupa as manchetes dos noticiários e, assim, não é replicado nas conversas populares cotidianas. Mas, em âmbito mais restrito, entre grupos específicos de interesse, os debates estão ocorrendo e as informações estão disponíveis.

Um surto conservador estimulado pela conjuntura política tem se manifestado em todo o país e o centro dos debates tem sido as diversidades, especialmente aquelas representadas pela palavra "gênero". A ação conservadora nas câmaras parlamentares municipais e estaduais tem sido tão expressiva que em várias situações a palavra “gênero” foi simplesmente excluída de qualquer parte de texto dos planos de educação aprovados. Na prática isto significa que as estruturas de educação e ensino submetidas a estas leis deverão passar longe das discussões sobre as diversidades em suas múltiplas formas.

No último dia 11/08/2015 a câmara de vereadores de São Paulo aprovou em primeira votação o plano municipal da cidade que é possivelmente a mais importante do país sob a óptica política. Nas galerias, chamados de fascistas pelos grupos mais progressistas,  os manifestantes conservadores gritavam "ai, ai, ai, família é mãe e pai". A palavra “gênero” foi excluída do texto.

A disputa prossegue. Qual a educação que buscamos? Uma educação formadora de um ser humano com visão abrangente, observador e crítico, independentemente de suas escolhas políticas, ou queremos uma educação apenas geradora de mão de obra com qualidade e especializada para um sistema de produção que determina currículos, uma educação que forma especialistas, tecnocratas, competidores sem visão crítica da sociedade em que vivem?

Queremos uma educação “para o mercado” que acolhe ou descarta educandos conforme o estado da arte das tecnologias e a demanda circunstancial dos interesses do sistema capitalista de produção, ou queremos formar o ser humano sem preconceitos, solidário,  idealizador e capaz de construir uma sociedade justa?

Acho uma discussão interessante, mas o que valorizo aqui é a divulgação dos planos e dos debates em torno deles. E na sua cidade o Plano já foi elaborado, o resultado final foi legal, você sabe o que rolou por aí?




terça-feira, 21 de julho de 2015

Erisvaldo

Vizinhos


É estranho você estar na rua e ouvir um sujeito indagando em alto e bom som: “Quem quer comer a minha rosca? Tá quentinha, doce e gostosa, você vai adorar! Adoro quando comem a minha rosca!"

Você pode até tentar parecer politicamente correto e não preconceituoso, mas não tem jeito! Outra parte do cérebro se adianta e processa a informação como pura sacanagem. Aí, você busca identificar a origem daquela proposta pública e explícita de sodomia, e descobre a cara alegre e gozada de um vendedor oferecendo um doce que ele mesmo fabrica e vende nas ruas, anunciando as qualidades do seu produto com mensagens de duplo sentido e provocando com a sua brincadeira sorrisos escancarados ou disfarçados dos que estão próximos.

O vendedor é conhecido como “da rosca”, uma referência ao bordão que ele repete pelo bairro vendendo os seus doces e o seu nome Erisvaldo. Ele mora próximo, mas não somos vizinhos de residências. O seu ponto fixo de venda é que fica na vizinhança, em um dos acessos à estação Catete do metro, de onde ele sai e circula entre as ruas próximas. Personagem popular, Erisvaldo é citado em alguns livros sobre a cidade, foi entrevistado em programas famosos na TV, é personagem de vídeos do youtube, e na internet há várias referências à sua figura e à sua forma especial de venda. Ele foi até tema de livro de práticas gerenciais apresentando-o como exemplo de empreendedorismo. É uma figuraça! Conheço gente que adora as suas roscas, mas fica constrangida em comprá-las, com receio que durante a compra, estando ao lado do Erisvaldo, ele resolva anunciar com sua voz estridente: “Acabei de queimar a minha rosca, ela está uma delícia!”.

A atitude galhofeira e simpática do Erisvaldo é bem a cara do Rio de Janeiro. Ele faz parte de um conjunto de trabalhadores que desperta a minha atenção. São vendedores e prestadores de serviços nas ruas que mesmo trabalhando em condições bem adversas, ainda assim, vão à luta e sobrevivem com um esforço e perseverança cuja motivação eu não sei explicar e nem sei se alcançaria se fosse colocado nas mesmas condições. É certo que existem outros exemplos além do meu vizinho, alguns bem mais significativos, incluindo os que não sobreviveram, mas eles só reforçam o que destaco e justificam a minha admiração. Não deve ser fácil.

Eu não conheço o homem da rosca, nada sei sobre o que ele pensa, qual o seu caráter ou seus valores. Pode ser até que conflitem com os aspectos que resolvi ressaltar. Mas, admiro este vizinho. Ele simboliza o trabalhador transformando as suas potencialidades em seu meio de sustento sem recorrer à exploração do trabalho do outro. Tomara que na prática ele seja um exemplo do símbolo que representa. Ele irradia algo bom entre as pessoas a sua volta enquanto realiza as suas atividades, e eu gostaria que ele conseguisse o equivalente como retorno. Além do mais, cá entre nós, a rosca do cara é gostosa.


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Ponto de venda - Vizinho

 

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Circulando e o seu "grito de guerra": da roooos . . . ca!



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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Metro

Vizinhos

Não preciso comentar as vantagens de ter como vizinho o Metro. Ele nos faz vizinhos de uma parte significativa da cidade que, infelizmente, é bem menor do que deveria. É uma pena que a sua história não possa ser apontada com grandes méritos. Ela é, em parte, a história das escolhas que a população fez ao eleger os administradores da cidade e do estado. É claro que ninguém os escolheu contando que seria prejudicado pelo seu próprio voto, mas isto só reforça a responsabilidade sobre as nossas escolhas, não nos isenta delas.

A história do início do Metro do Rio é bem parecida com a da sua referência mais próxima, o Metro de São Paulo. Ambos foram sugeridos desde o ano de 1928, porém as empresas Metro do Rio e de São Paulo só vieram a ser criadas no ano de 1968, e as primeiras linhas só começaram a operar em 1974, em São Paulo, e em 1979, no Rio de Janeiro. Contudo, as histórias foram similares apenas até a formação das empresas. De lá, para cá, o Metro do Rio conta com apenas cerca de 40 km de rede e transporta 780 mil passageiros por dia, enquanto a rede paulista é de cerca de 80 km e o transporte diário é de cerca de quatro milhões e meio de pessoas em linhas onde os trens se deslocam com até 100 km por hora, enquanto a velocidade dos trens cariocas é da ordem de 60 km por hora. Nem vale a pena, aqui, estender a comparação com outras cidades do mundo onde as redes são medidas em centenas de quilômetros.

Seguimos, então, com as nossas precariedades e distorções. A ausência de um planejamento integrado é a característica mais relevante deste vizinho do qual usufruo privilegiadamente. Seria muito bom que, no mínimo, as seis linhas que do seu projeto integral já estivessem em operação, mas o fato é que ninguém consegue, sequer, descrever com clareza os seus percursos e estações, este assunto é um saco de gatos, e a confusão, esta sim, parece planejada com o objetivo de escapar ao controle público. Assim, a cidade continua escrava e refém dos proprietários das empresas de ônibus que nem mesmo prestam um serviço decente. Transportam a população como animais ou cargas inanimadas em veículos que, conforme um amigo especialista no setor, mais parecem carrocerias montadas sobre chassis de caminhões travestidos de ônibus, embora os proprietários insistam em negar que seja assim. 

Estes grupos se representam institucionalmente pela reunião de seus sindicatos, a Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros) que já foi denunciada pelo ex-deputado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Helio Luz, como um poder paralelo, o verdadeiro crime organizado cuja capacidade financeira e de organização os criminosos comuns não têm. Aliás, demonstrando um avanço em sua organização, será um consórcio formado pelos operadores dos quatro meios de transportes da cidade (trem, metrô, barcas e ônibus) quem operará pelos próximos 25 anos o sistema VLT – Veículo Leve sobre Trilhos cuja construção vem sendo alardeada com pompa, mas que pouco significa diante da integração de transportes de massa que os habitantes e trabalhadores da cidade efetivamente precisam e merecem.  Vizinho bom esse Metro, mas complicado!

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As linhas do Metro - Um saco de gatos!
Jamais alguém soube com clareza quais seriam as linhas do Metro RJ.
Qual o percurso e quais as estações?


Momento de descontração
Piada: as três barrinhas deveriam sugerir um "E" de "Engenharia"
Algo que certamente a cidade não tem é uma engenharia de tráfego.




segunda-feira, 13 de julho de 2015

UNE

Vizinhos

Esta vizinha é uma velha senhora caminhando para os seus oitenta anos. A União Nacional dos Estudantes – UNE é vizinha de calçada, e a sua sede, no número 132 da Praia do Flamengo, está precisamente a 240 metros além da portaria do meu prédio. A rigor, ela “estava” porque, no momento, o local é um canteiro de obras. Naquele endereço funcionou, nos anos 30, o clube Sociedade Germânia fundado antes da independência do Brasil. O clube foi fechado durante a segunda grande guerra pelo governo Vargas que confiscou e concedeu o prédio aos estudantes para ser a sede da UNE que já existia desde 1937. Atualmente o clube Germânia funciona na Gávea.

A UNE foi símbolo das manifestações estudantis que contestaram o regime militar, e por isto foi declarada ilegal em 1964. Seu prédio sede foi incendiado nos primeiros dias do golpe e, mais tarde, demolido pela ditadura. A entidade passou a atuar na clandestinidade, seus militantes e dirigentes foram perseguidos e alguns deles presos ou assassinados. Em 2007 os estudantes ocuparam o terreno que funcionava como um estacionamento e conseguiram na Justiça a posse do mesmo. Mais tarde o Congresso Nacional reconheceu a responsabilidade do Estado e determinou a indenização da UNE por suas perdas. Em 2010 o presidente Lula inaugurou no local o início das obras de reconstrução da sede da UNE. Conforme tem sido divulgado por alguns jornais e, em parte, pela própria UNE, na área de sua sede será erguida a “Torre Flamengo” uma obra realizada em sociedade com a iniciativa privada. Será um prédio de 12 andares que abrigará a nova sede com um espaço para o seu uso exclusivo, mas que também será um empreendimento para a exploração comercial.

Neste momento, junho de 2015, a minha vizinha está realizando o seu 54º Congresso em Goiânia (GO). Sem dúvida um evento importante que registra cerca de 10 mil participantes. Entretanto, a UNE tem sido contestada como a representante unânime da esquerda política na área estudantil, e acusada de imobilismo decorrente de seu apoio incondicional ao  governo federal. Seus críticos criaram, em 2009, uma nova entidade a “ANEL - Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre” que já realiza o seu terceiro congresso no mesmo período do congresso da UNE, mas em Campinas (SP) e com cerca de 1000 participantes. O futuro nos dirá sobre os desdobramentos destas disputas.

Enquanto isto, a vizinha segue com suas obras. As placas no local já não fazem menção à entidade, mas uma animação no youtube informa que ali haverá auditório, sala de exposição, café, restaurante, garagem em subsolo e outros recursos decorrentes de um projeto que foi doado à UNE pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Eu preferiria uma UNE não “empreendedora”, praticando a sua liberdade nas ruas, provocando a participação política dos estudantes. Leve como eles,  e sem essa coisa de administração comercial de patrimônio que me parece um convite à acomodação e ao peleguismo. As notícias falam em uma obra de custo R$ 65 milhões – não é pouca coisa. Parece que a velha senhora reaparecerá em grande estilo, pelo menos, ressalve-se, na aparência.

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Canteiro de obras - sede da UNE, Praia do Flamengo, 132
Cartazes anteriores ao início das obras


Canteiro de obras - As referências à UNE foram retiradas

Sede da UNE logo após o confisco da sede do Germânia (esquerda) e
incêndio durante o golpe militar de 1964 (direita)

Ruínas da antiga Sede








Torre Flamengo
Local da nova sede da UNE



Esses corôas são ex-presidentes da UNE
Manifestação quando o terreno foi devolvido à entidade



ANEL- Assembléia Nacional dos Estudantes  Livre
Nova entidade - Oposição à UNE

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Castelinho

Vizinhos

Este vizinho recebeu o apelido de “Castelinho do Flamengo” porque sua aparência lembra a imagem de um diminuto castelo. Não é um apelido original, afinal são muitos os “castelinhos” pelo Brasil afora que ganharam este apelido pela mesma razão. No caso deste vizinho trata-se de uma construção simpática, concluída em 1918, portanto antiga para as nossas referências. Originalmente foi residência, e hoje é a sede de um centro cultural administrado pela prefeitura da cidade. Sei que é um prédio tombado pela mesma prefeitura, mas nada sei sobre a sua propriedade.
No Castelinho funciona o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, e ele é apresentado como um ponto turístico da cidade, embora ainda não reúna atributos para tal. Ele é mais uma referência geográfica da região na medida em que está localizado em uma das esquinas de acesso à Praia do Flamengo e aproximadamente a meio caminho da extensão da praia contada desde a marina da Glória até o obelisco Estácio de Sá, fundador da cidade. 
O homenageado com o nome do centro cultural foi um dramaturgo falecido precocemente nos anos 70. Conhecido como “Vianinha” é sempre citado com respeito e admiração pelos seus pares, mas a divulgação do seu nome recebeu uma contribuição significativa da Rede Globo que escolheu associar aos seus quadros o nome do referido artista cuja carreira, até então, era associada ao combate e questionamento do regime militar.
O Castelinho tem condições para se tornar um ponto turístico de destaque, mas isto dependerá da sua administração e dos eventos que promover. Em outras cidades do mundo existem locais similares que são efetivamente destaques turísticos, apesar de terem muito menos potencial e charme que o Castelinho. Independentemente disto, só o fato de existir um espaço público na cidade com o propósito de estimular e divulgar a produção cultural já faz do Castelinho um vizinho especial.
Uma curiosidade é que o Castelinho tem fama de ser assombrado, como todo castelo que tenha um mínimo de vergonha na cara. Suas dependências seriam habitadas pelo fantasma de uma herdeira órfã que vaga pelo prédio reivindicando os seus direitos. Ela teria sido ludibriada por um tutor que se apossou dos seus bens, além de maltratá-la, aprisioná-la na torre etc. O tal fantasma nunca fez muito sucesso, até a Rede Globo com os poderosos recursos do seu programa Fantástico já fez investigações para identificá-lo, mas em vão. Ele perdeu a oportunidade de se manifestar e virar celebridade internacional. Isto não chega a ser uma novidade, nos anos 90 o ET de Varginha também se sentiu inibido e desapareceu. Diante daquelas câmeras só quem fica a vontade é o pessoal da novela, da direita política e os comunistas arrependidos. Assim, não serei eu quem irá desmerecer o fantasma. O mundo físico já assombra suficientemente a vida dos cidadãos e não é absurdo que o plano metafísico esteja com prioridade menor. Além do mais, se a herdeira reclamou os seus direitos junto ao poder judiciário nacional, há uma probabilidade enorme de existir um processo qualquer também vagando pelas diversas instâncias, varas ou coisa que o valha, e só mesmo um ser etéreo e perene para acompanhar a sua tramitação na espera de alguma conclusão.

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Castelinho - Fachada - Dois de Dezembro com Praia do Flamengo

Castelinho nas antigas - Registro do Augusto Malta
Noite no Castelinho - Tá na hora do fantasma chegar

Eventos no Castelinho