terça-feira, 23 de junho de 2015

Aterro

Vizinhos


Em frente à minha janela está o meu vizinho mais importante. Embora o seu nome oficial seja Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, o que vale é o seu apelido:  Aterro do Flamengo, e para os íntimos apenas “Aterro”, apelido que ganhou por ser um parque construído em uma área de 1.200.000 m2 da  baía de Guanabara aterrada com o entulho retirado do desmanche de um morro próximo (Santo Antonio) e com areia retirada do fundo da própria baía.

Nesta cidade qualificada de maravilhosa porque a natureza não lhe poupou beleza, o meu vizinho constitui possivelmente a mais expressiva beleza não natural do Rio de Janeiro. É uma construção humana que se estende desde o aeroporto Santos Dumont até a enseada de Botafogo, e inclui jardins, parques, quadras e pistas de esportes, campos de futebol, quiosques, o Museu de Arte Moderna, a Marina da Gloria, o Monumento aos Pracinhas, o Monumento ao fundador da cidade, Estácio de Sá, o Museu Carmem Miranda, milhares de árvores, centenas de espécies de plantas nativas e exóticas, cerca de 100 postes para iluminação com 45 metros de altura cada. O Aterro resulta de um projeto urbanístico com uma interessante história, e se transformou  num tesouro  para os  habitantes da cidade e seus visitantes. Ele é bem servido por transporte público: ônibus. O acesso ao parque é livre, sem grades,  e a sua área para lazer é ampliada aos domingos e feriados com o fechamento das duas faixas de rolagem que integram o conjunto. Desconheço outro espaço da cidade que possa ser acessado,  ocupado, usado, admirado e vivenciado com uma deliciosa sensação de apropriação sem  exclusividade, com a sensação de se fazer parte sem ser “dono”. Usufruir sem excluir o outro. As praias do Rio de Janeiro geram sensações  similares, mas elas se incluem entre as maravilhas naturais da cidade.

É um prazer ver famílias das mais variadas origens socioeconômicas ocuparem os seus espaços nos dias de folga e descanso, sem frescuras nem protocolos babacas que caracterizam as apartações sociais. Acho até que os visitantes são poucos se comparados com a capacidade de abrigo do Aterro. São raros os domingos sem as corridas ou caminhadas nas pistas que margeiam os seus jardins. O  “futebol dos garçons” que diariamente ocupa as suas quadras nas madrugadas até o raiar do dia já virou tradição.  

Meu vizinho sofre ameaças à sua integridade. Não bastassem as insuficiências dos serviços para a sua manutenção, volta e meia noticiam iniciativas visando a sua exploração comercial com atividades que descaracterizariam o seu propósito de espaço público. Já se falou em construção de shopping e até em circuito para corrida de automóveis. Essas iniciativas foram inibidas, mas as recentes concessões para o uso da marina da Gloria e os consequentes eventos programados e realizados naquele espaço afirmam uma opção pela privatização do espaço público em vez da universalização da sua ocupação. Seria um exagero de minha parte se as ameaças não estivessem aí, latentes e nem sempre veladas. Afinal, foi no início deste 2015 que uma jornalista carioca, nacionalmente conhecida e considerada, propôs descaradamente como medidas para solução de casos de violência nas praias, “... diminuir drasticamente a circulação das linhas de ônibus e de Metro no fluxo Zona  Norte – Zona Sul ...” e “... cobrar entradas nas praias de Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon ...”.


######
Panorâmica do Aterro




sexta-feira, 19 de junho de 2015

Oceano Atlântico

Vizinhos

Ele complementa a magnífica visão de outro vizinho, o Aterro do Flamengo, e eu deveria tratá-lo por “baía de Guanabara”, mas um fato cômico determinou a minha escolha. Logo que vim para a moradia atual solicitei a transferência da minha linha telefônica fixa. A atendente da operadora, que devia estar num Call Center em qualquer lugar do Brasil diferente do Rio de Janeiro, insistia para que eu complementasse o meu endereço (praia do Flamengo) com alguma outra referência, apesar de eu já ter informado número do prédio, apto, bairro, CEP etc. Aporrinhado e de saco cheio, sugeri que ela anotasse Oceano Atlântico, afinal a praia do Flamengo pertence ao mesmo. A sugestão provocou um silêncio no outro lado da linha que eu deduzi decorrer da irritação da atendente enquanto contava até dez para não mandar às favas eu e a minha ironia. Passado o silêncio, ela completou o registro da solicitação sem mais delongas. Porém, a minha surpresa foi enorme quando recebi a conta telefônica e verifiquei que, como referência para o meu endereço, estava impresso “Oceano Atlântico”. E tem sido assim, todos os meses, há anos, acreditem, ou não. A minha conta telefônica deve ter pequena possibilidade de ser extraviada para qualquer um dos outros três oceanos do planeta porque nela consta como referência para o endereço praia do Flamengo, no Rio de Janeiro: Oceano Atlântico, e foi daí que eu resolvi dar este tratamento ao meu vizinho, em vez de tratá-lo como “baía de Guanabara”.


Oceano Atlântico ou baía de Guanabara, o fato é que desfruto o privilegio dessa vizinhança. Da janela contemplo aqui, em margem próxima, desde o aeroporto Santos Dumont, a marina da Gloria, a praia do Flamengo, até os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar. Acolá, o litoral da distante Niterói, desde a Ponte, passando por suas praias urbanas até a histórica fortaleza de Santa Cruz marca da consolidação do poder imperial português. Entre as margens daqui e de lá o curiosíssimo forte Tamandaré, na ilha da Laje, que parece uma enorme tartaruga encravada no meio da baía de Guanabara e vigiando a sua entrada. O sobe e desce dos aviões passa a impressão de suaves voos panorâmicos, e a incessante movimentação das embarcações de grande porte parece um desfile ensaiado onde os veleiros e outras pequenas embarcações realizam uma espécie de dança de vai e vem. Arrisco dizer que é uma das mais belas paisagens do Rio de Janeiro. Não importa o horário ou as condições climáticas, as visões são sempre espetaculares e surpreendentes.

Gosto de imaginar os primeiros navegadores tentando identificar o que parecia ser a desembocadura de um grande rio. Penso nas disputas entre portugueses e seus desafetos lutando pela posse destes territórios, cagando e andando para os nativos obrigados a incluir entre as suas próprias disputas aqueles novos e estranhos seres. Mas, gosto também de pensar que um dia João Cândido e seus companheiros ocuparam essa paisagem comandando as embarcações capturadas em sua revolta e subjugando com os seus canhões o poder republicano e obrigando-o a abolir as punições com na marinha com o uso da chibata. Caramba! Esse vizinho tem muita historia pra contar.


Oceano Atlântico e Aterro - Visão da janela
Clique aqui para uma melhor visão da imagem




Minha conta telefônica com endereço e... referência



domingo, 14 de junho de 2015

Carequinha

Leitura para distrair

Recebi a notícia através de um amigo. O Carequinha será enredo de uma escola de samba de São Gonçalo, a Unidos do Porto da Pedra (bairro onde nasci).  Nada mais justo. Tomara que não façam uma merda. Nem precisa ganhar nada, basta que seja uma homenagem bonita, à altura do símbolo representado pela figura do palhaço.

Já repeti essa história mil vezes e resolvi registrá-la. Quando criança morávamos nos fundos da casa dos meus padrinhos que ficava na principal rua da cidade, a rua Francisco Portela, em São Gonçalo. Na mesma calçada, mais adiante, morava o Carequinha. Na casa do Carequinha não tinha garagem, mas ele tinha um carro, parecia um Citroen, preto, porém não faço ideia qual era a marca. Na traseira do automóvel, em letras metálicas, estava escrito "CAREQUINHA". 

Carequinha usava a garagem de outro vizinho, em frente à nossa casa, no lado oposto da rua. Era usual ele chegar, à noite, para guardar o carro. Depois atravessava a rua, parava para um “alô” e seguia para casa. Era comum as pessoas se reunirem nos portões para conversar, e eram todos vizinhos antigos e amigos, primeiros moradores da área. Televisão praticamente não existia, era um privilégio de poucos.

As crianças, quando permitiam, ficavam em volta, e quando Carequinha chegava sempre tínhamos curiosidade. A figura dele nada tinha a ver com a do palhaço, nem mesmo era careca, ao contrário, tinha uma vasta cabeleira preta. Porém, a voz era inconfundível. Era o Carequinha! Eventualmente ganhávamos de brinde fotos e até uns cadernos pautados, de propaganda, com a imagem do Carequinha na capa. O nome do Carequinha era George, e custei a entender porque não era Jorge. Na verdade, nem sei se algum dia entendi.

Há duas semanas, na primeira semana de junho de 2015, passei em frente à casa do Carequinha. A casa dele e a dos meus padrinhos foram as últimas daquele trecho que se mantiveram como residências. A dos meus padrinhos já não é mais, e não sei sobre a casa do Carequinha, passei por lá, mas não deu para saber.

Já adulto, no período que voltei a morar em São Gonçalo, através de um vizinho, octogenário como o Carequinha, amigo dele e também um dos primeiros moradores, fui apresentado ao palhaço como uma das crianças da década de 50, filho de fulano, neto de sicrano etc. Cheguei a trocar palavras com ele umas poucas vezes e todo o tempo que tive consumi elogiando-o.

Até onde eu sei o Carequinha teve residência por lá até a sua morte. A casa dele nunca teve garagem.


terça-feira, 17 de março de 2015

15 de março 2015. Ovo da serpente ou rabo de jacaré?

Opinião

Dificilmente se poderá dizer que as manifestações do último dia 15 de março de 2015 não foram manifestações da direita política brasileira, por mais que alguns manifestantes e apoiadores reajam a esta classificação disfarçando-se em movimentos que tentam qualificar como “apartidários”.  Trata-se de uma parcela da sociedade descontente com a existência de um governo que traz consigo, congênitos,  cacoetes e compromissos públicos defesa dos pobres e trabalhadores, ainda que não os cumpra como deveria. Para a direita, a possibilidade desta transformação (que implica necessariamente em distribuição da riqueza) está no governo e pode ser vista crescendo. É como se o governo Dilma fosse, para a direita reacionária, a sua versão de ovo da serpente. A direita dá mais crédito a uma possível metamorfose das políticas de governo do que os próprios partidos de esquerda que também fazem oposição, mas justamente cobrando esta transformação. Com esta visão, a direita quer extirpar o governo, não importa se ele resulta da vontade da maioria.

Demonstração cabal deste fato foi o contraste entre as reações de repulsa e ódio contra os provocadores que, indevidamente, insistiram em exibir a cor vermelha nas manifestações e a tolerância para com as evocações de volta à ditadura e ao intervencionismo militar com a deposição da presidenta eleita. As apologias da violência contra comunistas e petistas, as incitações de violência contra o MST, as divulgações de mensagens e símbolos nazistas, entre outros, estavam lá, confortavelmente exibidas ao lado dos democráticos e “apartidários” manifestantes. As TVs até tentaram minimizar a ocorrência dessas manifestações, mas não conseguiram justamente porque foram muitas, e a realidade irrefutável é que elas foram acolhidas pelo “movimento”.

A nossa sociedade não vivenciou guerras, não enfrentamos catástrofes ambientais e nos formamos com uma enorme diversidade de costumes, mas sempre em torno de uma integração cultural desde o norte até o sul do país. As nossas verdadeiras revoltas políticas, apesar de terem tido caráter popular, sequer chegaram a ser caracterizadas como revoluções. Foram reprimidas e dizimadas com tamanha força e violência que sequer ficaram resquícios suficientes para nos dividir, como sociedade, em grupos de opções políticas. Assim, depois do maior período de democracia formal da história republicana, nossas últimas e significativas experiências políticas foram disputas eleitorais. Disputas que atingiram um acirrado enfrentamento nas últimas eleições e que geraram conflitos que estamos vivenciando como uma novidade. Mas, queiramos, ou não, a realidade é que há divisões enormes de pensamentos entre nós (brasileiros) que, de uma forma ou de outra, precisam aflorar, se mostrar.

Estes conflitos estão repercutindo em nossos ambientes de coexistência. Entre os colegas de trabalho, nos ambientes escolares, entre familiares, amigos, vizinhos ou companheiros de bar. E possivelmente nos agrupamentos religiosos onde a instituição religiosa não constitui, ela própria, uma organização de caráter partidário oficioso.  Não tenho expectativas que tenhamos maturidade para tratar tais questões. Elas são emergentes, e esperar a maturidade seria uma contradição. Tomara, sim, que estes grupos tenham desenvolvido valores comuns consistentes que sirvam de sustentação e coesão social durante o tempo que precisarmos para amadurecer e avançar em nossas disputas, sem precisar chegar a um esfacelamento completo das nossas relações. Mas, não tenhamos dúvidas, vivemos um momento de apartação decorrente das nossas escolhas políticas, e os movimentos de 15 de março, último, e outros que estão sendo anunciados são expressões da direita tradicional retrógrada e reacionária, embora alguns manifestantes permaneçam enrustidos.

O falecido Leonel Brizola, em suas tiradas irônicas e cáusticas, dizia nestas situações: “tem olho de jacaré, boca de jacaré, balança o rabo igual a jacaré ... e você quer me convencer que não é jacaré?"

  ###

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Palavras para 2015

Leituras para distrair

Em 2014 emocionei-me com a melodia e letra de uma canção executada durante as apresentações dos creditos finais do filme “Kamchatka”, uma produção argentina espanhola sobre a ditadura argentina na década de 1970. A canção, intitulada “Palabras para Julia”, é interpretada na trilha sonora do filme pela cantora argentina Liliana Herrero. Trata-se de uma composição com melodia de Paco Ibañez, espanhol que dispensa apresentação, e letra extraída do poema de mesmo nome (Palabras para Julia) do também espanhol José Augustín Goytisolo.
Até então eu só tinha alguma notícia do Paco Ibañez com a referência de ser um virtuoso violonista. Motivado pela beleza da canção, caí dentro da rede buscando informações sobre o poeta, sobre a música, sobre a interpretação que ouvi e sobre outras interpretações. Comprei o livro Palabras para Julia (Ed. Plaza & Janés – Barcelona 1997) de autoria do Goytsolo e acessei um programa da RTVE.ES  (Rádio e Televisão Espanhola, via Web), divulgado em março de 2013, com a participação da mulher que inspirou o poema, Julia Goytsolo, filha do poeta. Com a busca verifiquei que a canção é um clássico amplamente conhecido na Espanha e na América espanhola e que eu ignorava completamente, fato que não é uma novidade.
Conheci, então, o texto completo do poema Palabras para Julia, e mesmo considerando que ele não seja novidade para muitos como foi para mim, resolvi divulgar o poema e a canção como a minha forma de registrar, entre nós, o início de 2015 com as nossas esperanças e expectativas.
Palabras para Julia foi escrito por José Agustín como uma mensagem para a sua filha. O poeta diz que a vida nos empurra como se estivéssemos permanentemente perseguidos por uivos de lobos, e que não é possível voltar atrás. As agruras certamente virão, diz o poeta, mas devemos enfrentá-las e viver com a alegria das demais pessoas em vez de chorar, isolados, diante de um muro de lamentações.
Ele diz que escreve pensando na filha, mas não exclusivamente. Também escreve pensando em outras pessoas, nos outros homens. Um homem ou uma mulher vistos isoladamente, de um em um, não são nada, apenas grãos de poeira. O destino de cada um de nós, ensina o poeta, não está separado do destino dos demais seres humanos. A dignidade dela será a dignidade de todos.
Que Julia nunca se entregue e saiba que existem pessoas que contam até mesmo com a sua alegria como uma ajuda necessária. A vida é bela e ela verá que, apesar dos pesares, existem amor e amigos. O poeta pede desculpas pelas limitações dos seus conselhos e que a filha lembre que foram escritos pensando nela e que ele mesmo ainda está trilhando o seu próprio caminho.
A canção de Paco Ibañez popularizou os versos de Goytsolo,  e Palabras para Julia tornou-se uma espécie de referência de estímulo e encorajamento para os militantes que enfrentaram as ditaduras na America espanhola. Conforme um ex-prisioneiro político chileno da ditadura Pinochet (declarações exibidas no programa da RTVE – anexo) cantarolar a melodia ou recitar os versos da canção era um recurso frequente de prisioneiros que sem a expectativa de sobrevivência no cárcere. Julia Goytsolo, por sua vez, comenta sobre a dificuldade de ter crescido como um símbolo produto da sensibilidade poética do seu pai e do mito no qual a canção se tornou. O programa onde estas questões são abordadas é muito interessante.
Numa fase em que junto com tantos amigos queridos vivenciamos o florescer de uma geração de netos, acho que a leitura e audição de Palabras para Julia é um jeito gostoso de celebrar ano que começa e desejar tudo de bom especialmente para os nossos filhos e netos.
Além da íntegra do poema, copiei links com a interpretação da Liliana Herrero no filme (que me motivou), uma apresentação no palácio do Governo, em Buenos Aires,  e uma apresentação em dupla com a maravilhosa Mercedes Sosa.
Também segue um link com uma interpretação do Paco Ibañez , além do áudio do próprio José Augustín Goytsolo (falecido em 1999) recitando o poema. 
Finalmente, o link para o programa da Rádio – Televisão Espanhola.
Feliz 2015! Espero que vocês também gostem - Yo escribí pensando en vos. 

Palabras para Julia (José Agustín Goytsolo)
Tú no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable.

Hija mía es mejor vivir
con la alegría de los hombres
que llorar ante el muro ciego.

Te sentirás acorralada
te sentirás perdida o sola
tal vez querrás no haber nacido.

Yo sé muy bien que te dirán
que la vida no tiene objeto
que es un asunto desgraciado.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

Un hombre solo, una mujer
así tomados, de uno en uno
son como polvo, no son nada.

Pero yo cuando te hablo a ti
cuando te escribo estas palabras
pienso también en otros hombres.

Tu destino está en los demás
tu futuro es tu propia vida
tu dignidad es la de todos.

Otros esperan que resistas
que les ayude tu alegría
tu canción entre sus canciones.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

Nunca te entregues ni te apartes
junto al camino, nunca digas
no puedo más y aquí me quedo.

La vida es bella, tú verás
como a pesar de los pesares
tendrás amor, tendrás amigos.

Por lo demás no hay elección
y este mundo tal como es
será todo tu patrimonio.

Perdóname no sé decirte
nada más pero tú comprende
que yo aún estoy en el camino.

Siempre siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti, pensando en ti como ahora pienso.






domingo, 14 de dezembro de 2014

Eu e o violão – nossas primeiras notas


Leituras para distrair

Em casa o violão está ali, nu, despido de sua capa que está na cadeira ao lado.

Lembrei que, quando eu era menino, em nossa casa ouvíamos um programa de rádio, possivelmente da Radio Nacional, cujo nome era algo parecido com “alma das coisas”. 

No programa o personagem principal era um objeto de uso doméstico, uma panela, um relógio etc. que narrava a sua história. Em cada programa um determinado objeto contava como foi parar ali, onde estava, narrava a sua relação com o ambiente, com outros objetos, com as pessoas em sua volta etc.

Fiquei imaginando que se o violão tiver uma “alma” como aqueles objetos das historias do rádio talvez esteja pensando com suas cordas, visto que não tem botões, “por que será que esse filho da puta me deixou aqui, desse jeito?”.

Ele certamente não sabe, mas eu segui a orientação de uma amiga querida. Um violão pelado, ao seu lado, impõe uma intimidade e permite que, a qualquer hora, você possa pegá-lo e treinar.

Achei uma boa sugestão e adotei. E aqui estamos, eu e esse aparelho que será para mim, mais tarde, um instrumento musical, embora não saiba exatamente quando.

Por ora estamos aqui. Vou me aproximar e autoritariamente tentar realizar os blim – blões da minha lição. Seguir à risca todas as instruções da professora. Tomara que dê certo.

Não estou muito preocupado com o violão. Se ele tiver uma alma ela saberá bem mais do que eu como estas coisas ocorrem e tratará disto.






quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Comentários pós-eleitorais - 2014

Opinião

A recente e acirrada disputa nas eleições presidenciais provocou ressentimentos entre os eleitores, mas também estimulou debates e aumentou a quantidade de pessoas tratando de política, ou seja, de escolhas. Até mesmo entre alguns que são useiros e vezeiros em declarar que “odeiam política”. 

Outro produto do acirramento foi provocar em alguns debatedores a explicitação das suas posições políticas que estavam veladas, tanto por conveniência e vontade, como por ignorância ou falta de oportunidade de reflexão sobre elas.

Ao defender ou fazer proselitismo da sua opção de voto, muita gente declarou ou deixou escapar quais são realmente os seus valores políticos, via de regra associados aos seus princípios éticos. Ao mesmo tempo, outras pessoas descobriram que valorizavam princípios políticos e éticos que nem mesmo elas sabiam ou haviam considerado.

Ainda sem fazer juízo das opções políticas de cada um, tomara que o saldo tenha sido uma quantidade maior de pessoas dispostas a continuar argumentando em defesa de suas posições e se arriscando, naturalmente, às possíveis réplicas ou exposições de contradições que as suas ideias possam conter. O futuro dirá se o saldo foi positivo.

A grande mídia do Rio de Janeiro e de São Paulo (não sei nos demais estados) e os grupos que ela representa não digeriram a derrota e promovem um clima pós- eleitoral como se quisessem reverter o resultado das urnas. Perdedores, numa espécie de tapetão eleitoral, agregaram até conclamações à intervenção militar, expressões minoritárias, diga-se de passagem, mas que não foram explicitamente, nem veementemente rejeitadas pelas importantes lideranças políticas da oposição.

O PSDB, partido representante da oposição, que nunca teve projeto alternativo, aferra-se exclusivamente em discursos de denúncias de corrupção no governo eleito. Visto que algumas denúncias são justificadas e, além do mais, são amplificadas por um fabuloso suporte de propaganda, esta prática tem trazido resultados favoráveis. A oposição avançou fortemente em áreas populares e de trabalhadores, cooptando estes espaços com um discurso reacionário, conservador e de rejeição às propostas socializantes. Tudo indica que esta será a linha de ação permanente da direita enquanto o governo eleito não der mostra de alterações nos rumos de sua gestão.

Por outro lado, há eleitores filiados ao PT, partido que liderou a candidatura vitoriosa, que reagem a qualquer oposição e crítica recebida, ignorando as mazelas que envolvem o governo reeleito. Fechados em um casulo partidário, não cobram autocrítica de suas lideranças e acusam qualquer opositor de colaboração com posições reacionárias e golpistas. Desconsideram que o resultado da votação recente, bem mais do que uma escolha de candidatos ou de partidos, foi uma manifestação de rejeição de projetos políticos e de práticas partidárias de ambos os lados concorrentes.

É preciso superar o maniqueísmo das discussões da campanha eleitoral aproveitando o engajamento político resultante da mesma provocando a continuidade dos debates e, quem sabe, transformando este debate em algum tipo de intervenção concreta. Tratar sobre a Reforma Política pode ser um caminho. Mesmo nos marcos da organização capitalista da produção, este tema, incluindo a discussão se a proposta de realizá-la é um fato ou um factoide, carrega consigo enorme parte das divergências e conflitos de ideias que agitaram os debates eleitorais entre os eleitores que se enfrentaram nas cozinhas, nos escritórios, nos bares, nas portarias, nas empresas, nas filas dos transportes e nas praças.

#########

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Um discurso e um método


Opinião
Caro amigo,

A propósito da sua observação sobre a dificuldade de votar na Dilma no segundo turno, suas insatisfações com o PT etc., o que tenho a dizer é que defini o meu voto fazendo uma revisão e leitura da minha própria experiência de vida.

Sugiro que você faça o mesmo, use este método. Quem contestará a sua experiência?

Dos meus 63 anos completos, os quinze primeiros foram anos de saudável infância e adolescência. Felizmente sem a necessidade de conhecimento nem de crítica política.

Vivenciei parte dos 20 anos de ditadura em nosso país sujeito aos custos, às frustrações, às alienações e às dificuldades que aquela conjuntura impôs aos jovens da nossa geração, mesmo aos que não estavam engajados em grupos organizados de resistência. Uma ditadura servil e doutrinada pelo governo americano e representada internamente por uma quadrilha generais escrotos, cujos projetos políticos não passavam de mesquinhos planos pessoais, e que não iam muito além do próprio poder, mas pelos quais, ainda assim, mataram e torturaram.

Seguiram outros 15 anos desde o fim da ditadura, com Sarney, Collor, passando por Itamar Franco até FHC/PSDB.

Este foi um período de lutas sociais na tentativa de compensar o tempo perdido. Período de submissão governamental total às determinações das empresas e governos dos chamados países centrais representados pelo FMI. Foi, também, um período de avanço na organização dos trabalhadores, um período em que empenhei grande parte da vitalidade associando-me aos que lutavam para a melhoria da qualidade de vida da sociedade em que vivo.

Tive a sorte de me capacitar em uma profissão que foi valorizada durante um bom tempo, fato que permitiu um razoável conforto em minha vida privada, mas, infelizmente, esta não era a condição geral. Desempregos e projetos frustrados eram uma rotina nos ambientes que eu conheci.

Um marco representativo desse arrocho e crise social ocorreu em 2003, no Rio de Janeiro, quando na Marques de Sapucaí formou-se uma fila de 15 mil pessoas, integrada por muitos jovens e adultos com formação escolar completa de nível médio, de nível superior e até pós-graduação, para concorrer a uma vaga para gari na prefeitura do Rio de Janeiro, na empresa de limpeza urbana. 

Foi o PSDB quem governou os últimos oito anos deste período, e o seu governo, presidido por FHC, foi um governo voltado de costas para o Brasil. O presidente FHC, como bem o disse Maria da Conceição Tavares, servia aos imperativos estadunidenses tal e qual um vice-cônsul do Clinton.

E foi o PSDB, seguindo os ditames do Império, quem entregou a riqueza nacional representada pelas estatais aos grupos privados nos leilões das privatizações. Leilões que terminavam em festas promovidas pelo governo do PSDB comemorando as vitórias da sua política lacaia e servil ao neoliberalismo.

Vale do Rio Doce, Usiminas, Volta Redonda, a Telebrás e a Embratel, foram-se todas. Para promover o leilão da Embratel, o governo FHC/PSDB anunciou a oferta de sua venda como: “a joia da coroa".

Após FHC, nos últimos 12 anos, vivenciei os governos do PT que ajudei a fundar, mas do qual me desliguei há mais de 20 anos. Bem longe de um governo dos trabalhadores pelo qual ainda luto, os governos do PT têm sido deformados, comprometidos e cheios de defeitos.

Contudo, houve uma particularidade que não pode ser negada. Na contramão dos governos do PSDB, desenvolveram programas com políticas sociais que reduziram a miséria do Brasil. Repito! Reduziram a miséria do Brasil.

Muitos não têm uma noção clara do significado da quantidade de pessoas que foram efetivamente beneficiadas nestes últimos doze anos. Foram quarenta milhões de pessoas. O equivalente à metade da população atual da Alemanha, 2/3 da população da França, ou da população da Itália, ou do Reino Unido, ou, se quiser, quatro vezes a população atual da Suécia.

Por conta de tais programas, no mês de setembro de 2014 a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) anunciasse formalmente a saída do Brasil do Mapa Mundial da Fome.

Os jovens que amadureceram neste período não precisaram ficar reféns dos seus empregos e profissões - nem de seus patrões, mesmo considerando a crise econômica internacional que o sistema capitalista tem atravessado.

No meu ambiente de trabalho (minha aposentadoria é recente) pude assistir – e com muita satisfação - a liberdade de movimentação dos "meninos", colegas de trabalho, deslocando-se entre empresas e buscando melhores condições de emprego. Comparei este cenário com o período equivalente que vivi junto com outros contemporâneos, quando fomos praticamente escravos em nossos empregos porque as chances de arrumar algum outro eram quase zero. Um fato era de conhecimento geral: quem saísse de uma empresa saía do sistema (telecom), e quem saía do sistema não voltava mais.


Qualquer um pode ratificar o que estou afirmando. Os que forem da minha idade que busquem o exemplo em suas áreas de atividades profissionais ou mesmo entre os seus familiares.

Ainda que com limitações e bem distante do que é possível, é incontestável que nos tempos atuais tem sido possível aos jovens que já alcançaram a classe média viverem a sua juventude. Viajam, fazem planos, escolhem formações profissionais alternativas àquelas tradicionais que garantiam a vaga de trabalho ao final do curso. Os jovens assumem atitudes e se defrontam com oportunidades que eram impensáveis nos tempos que vivenciei, salvo, naturalmente, algumas exceções.

Novamente convido os da minha idade a olharem em volta e verificarem se as minhas afirmações são falsas.

Estes jovens não vivenciaram as crises nem o desmonte do Brasil realizado pelo PSDB. Querem mais para suas vidas, e com razão. Infelizmente, alguns deles se iludem achando que quem destruiu será capaz de aprimorar. Especialmente porque não estamos em um paraíso, mas em uma conjuntura inundada denúncias de corrupção no Estado, e corrupção no Estado é responsabilidade do governo, esteja ele comprometido, ou não, com a corrupção.

Casos e escândalos de corrupção também ocorreram no período FHC/PSDB, assim como anunciam hoje os casos do PT, um atrás do outro. Porém, salvo se você pretender anular o seu voto, será um equívoco infantil tentar usar o indicador "muita ou pouca corrupção" como critério de escolha entre os candidatos. Como se fosse possível avaliar qual foi o maior roubo ou quem é menos ladrão.

É claro que a corrupção é uma questão importante e que deve influenciar o nosso voto. Porém, pilantras e trambiqueiros sempre estarão infiltrados nos ambientes onde os recursos, as riquezas, circulam. Assim, em vez de se orientar pelas palavras de ordem de acusação e defesa, é muito mais objetivo buscar comparar como os governos dos candidatos trataram o assunto. O que fizeram a respeito? Este será um bom critério, um bom método. Os fatos estão aí e podemos compartilhar e confrontar as nossas experiências sem cair na armadilha de um debate alienado sobre quem roubou mais ou menos.

Os escândalos e os casos de roubos de patrimônio que vieram a público nos governos PSDB foram sempre abafados e não foram sequer investigados. O ministério público era tão comprometido com o governo do PSDB que o procurador geral da república recebeu o apelido jocoso de engavetador geral da república.

Consta que dos 600 inquéritos que recebeu, o engavetador aceitou apenas 50 e os demais foram engavetados. Entre eles os que tratavam das denúncias sobre a compra de votos para a aprovação da emenda de reeleição de FHC.

Em 1999 veio ao conhecimento público um conjunto de mais de 50 fitas de áudio com gravações de conversas do então Ministro das Comunicações, do presidente do BNDES e de diretores do Banco do Brasil e da Previ, gravações mostrando que o leilão de privatização das empresas do grupo Telebrás foi viciado.

As revelações foram tão constrangedoras que derrubaram o ministro e outros envolvidos, mas não houve clamor indignado da grande mídia, nem investigações da Polícia Federal, nem houve campanha da Veja, nem do jornal O Globo. Nem delações premiadas, nem instauração de CPI, nem cassações e, muito menos, julgamentos no STF.

Em contraponto, hoje são frequentes e diárias as prisões e o desmantelamento de quadrilhas que corroem o Estado. São fatos utilizados como propaganda antigovernamental, mas, contraditoriamente, tem sido o resultado da ação de um órgão federal com liberdade de atuação garantida por compromisso público e explícito da presidenta respaldando a ação da Polícia Federal e assumindo a palavra de ordem “investigação, processo e prisão para os corruptos” mesmo que alguns, ou muitos, estejam escondidos no próprio governo ou no partido que governa.

Quando isto ocorreu nos governos FHC/PSDB? E não foi por falta de roubo, nem de corrupção, nem de corrupto, nem de ladrão.

 Divulga-se que Policia Federal realizou menos de 100 operações nos governos PSDB contra mais de 1000 realizadas nos anos PT.

Se algo não mudou para melhor, então vivi em um mundo paralelo.

E a Petrobrás, esse monstro que está na berlinda das denúncias corrupção? Eu não tenho dúvidas que deve ter muito ladrão e safado tentando se dar bem em torno do montão de grana que a Petrobras representa. Aliás, repito, ladrão aparece é onde tem grana.

Pois bem, sobre a Petrobrás, a boa notícia é que ela ainda é pública. Não é totalmente publica porque o PSDB entregou 40% da Petrobrás para os acionistas privados, e só não entregou o resto porque não deu tempo. Tentaram até mudar o seu nome para Petrobrax para facilitar a privatização completa, mas o povo, felizmente, elegeu Lula presidente antes que isto ocorresse.

A má notícia é que ela possivelmente vai dançar no caso de um governo PSDB for eleito.

Neste cenário, eu não consigo, nem em sonho, pensar em votar no PSDB e no seu candidato. Aécio? Never!

O meu partido, o PSTU, recomenda aos seus militantes a anulação do voto. Para o PSTU o voto é um gesto político que fortalece quem o recebe e não devemos fortalecer nenhuma das alternativas que estão disputando o segundo turno. Precisamos, sim, fortalecer cada vez mais a organização e a luta dos trabalhadores e da juventude, pois é na luta que reuniremos condições para mudar nosso país.

Eu concordo plenamente com tais premissas, mas não seguirei a recomendação porque uma eventual volta do PSDB ao governo será um retrocesso, um pesadelo, muito pior do que as dificuldades que enfrentamos com o PT. 

Pode ser que outros tenham tido experiências diferentes. Vivi a minha vida e não a de outros. E sempre haverá aqueles que apenas não tiveram a experiência, nem a informação e nem análise suficiente para uma visão crítica. Não tenho como corrigir isto. Possivelmente estes serão os mais jovens, e isto não é surpreendente. 

Contudo, sob a óptica da minha experiência, avalio que os últimos 12 anos, comparados aos anteriores que vivenciei, foram sem qualquer dúvida os melhores para a sociedade brasileira.

O nosso país tem problemas de infraestrutura sérios, agravados porque a infra existente não dá conta dos milhões de brasileiros que evoluíram da miséria absoluta e ingressaram na sociedade política com suas demandas.

Faltam profissionais capacitados para ocupar as vagas especiais entre as milhões anuais que foram criadas reduzindo a taxa de emprego para patamares invejáveis.

Há uma recente classe média que passou a disputar as poltronas nas aeronaves e os balcões de cafezinhos nos aeroportos sob o olhar de desdém e despeito da elite tradicional faz valer a sua força política reforçando as exigências de recursos governamentais para saúde e educação.

Há uma juventude descendente de trabalhadores que usufruíram da conjuntura positiva que marcou os anos dos governos do PT e que ainda era infante e adolescente no período PSDB e que, felizmente, assim como eu, não enfrentaram carências. Entraram na sociedade política munidas apenas dos seus sonhos, desejos e projetos.

E há, naturalmente, um enorme grupo de ainda excluídos referenciando-se pela lei do toma lá da cá e pelos imperativos de força e violência que dominam as marginais do sistema capitalista e que não foram alcançados pelos projetos sociais de compensação.


Existem problemas, sim, e muitos. E não tenho a expectativa que as transformações necessárias virão com a reeleição da Dilma. Até porque o PT deve à sociedade uma declaração explícita de “me culpa” por conta das prevaricações de um conjunto enorme de seus representantes.

Tenho a certeza que as transformações desejadas   serão conquistadas na marra, na agitação, nas ruas. E esses jovens que ainda não se formaram politicamente serão formados na luta e nos enfrentamentos pelos seus direitos. E, como preconizou Marx, elas precisarão ser revolucionárias:

 ““...  a revolução, portanto, é necessária não apenas porque a classe dominante não pode ser derrubada de nenhuma outra forma, mas também porque somente com uma revolução a classe subversiva poderá se desembaraçar de toda a antiga imundície (merda) e de se tornar capaz de uma nova fundação da sociedade (A ideologia alemã).

Dito isto, companheiro, use a sua própria experiência como método de avaliação e decida!

Você acredita que quem sempre apregoou a defesa do liberalismo econômico vai realizar ações visando manter e ampliar as políticas sociais do governo do PT?

Você coloca expectativas em um governo cujos próceres sempre alardearam que as conquistas sociais garantidas na Constituição conflitam com a nossa capacidade de produção, e que a política de elevação do salário mínimo deve ser descontinuada?

Você acredita, realmente, que Armínio Fraga vai liderar a implantação de políticas públicas em defesa de indígenas e quilombolas, conforme o Aécio escreveu no documento para acomodar politicamente o apoio recebido da seringueira que teve a candidatura promovida pelo Itaú e Citibank?
  
Enfim, escolha quem você quiser, é um direito seu. Mas não me venha com falsas justificativas se a sua escolha contradisser todo o discurso ético com o qual você sempre procurou se identificar.

Abraços, Jorge

Rio, 17/10/2014