segunda-feira, 17 de junho de 2013

O nylon da CUT e os ninjas da ECO

Crônicas de militante

Os funcionários da Associação de Empregados da Embratel  ligaram assustados para narrar o fato. Era horário de expediente na empresa e não havia diretores presentes na sede da associação onde chegaram militares, bombeiros e pessoal da Prefeitura. Queriam saber sobre uma “corda” que estava estendida deste a janela da sala da AEBT RJ, no 17º. Andar do prédio em uma esquina da Av. Presidente Vargas, e que atravessava metade da avenida.

A corda foi identificada durante os voos rasantes de helicópteros que estavam sendo realizados, sistematicamente, ao longo de toda a avenida ocupados com soldados uniformizados e usando capuzes do tipo “ninja”, ostensivamente armados e, naturalmente, ameaçadores. Os voos faziam parte das medidas e ações de segurança que tomaram conta da cidade do Rio de Janeiro nas vésperas e durante a ECO – 92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.

Com a visita de cerca de 120 chefes de estado e participação de 172 países, praticamente todos os dias autoridades desfilavam pela Av. Presidente Vargas protegidas por um aparato de segurança que incluía voos rasantes de helicópteros das três forças armadas. Rasantes mesmo, pois os seus ocupantes podiam ser identificados por nós que trabalhávamos em sétimo andar de prédio na calçada da avenida. Na mesma calçada, mais adiante, na esquina, ficava a sala da sede da AEBT RJ de onde os helicópteros identificaram a tal corda esticada, indevida e intrusa, justo no seu caminho.

O relato dos empregados da associação ressaltava o susto e o medo que sentiram ao atenderem à porta e identificarem todo o aparato de visitantes querendo explicações sobre a “corda” que evidentemente deveria ser retirada. Os empregados nem se lembravam da tal “corda” e ficaram apavorados porque, com o histórico de envolvimentos políticos da associação e seus militantes, eles (os empregados) logo imaginaram que algo deveria ter sido aprontado, mesmo que eles não soubessem nada sobre o assunto.

Verificou-se, então, que a “corda” era apenas um fio de nylon, uma linha de pescar bem grossa, mas cujo diâmetro não passava de três milímetros e que fazia parte de uma simples, mas brilhante engenhoca elaborada por um companheiro e que nos permitia hastear bandeiras e faixas desde a janela da associação até o topo de postes da avenida Pres. Vargas, atravessando uma das faixas de rolamento da mesma. Seu primeiro uso foi com uma bandeira da CUT durante a greve geral de 1989 e no mesmo ano içamos também uma faixa para o comício final de Lula na campanha presidencial. O fio de nylon foi deixado lá, para um uso futuro. Para nós ele era praticamente invisível, mas a neura de segurança era tanta que os ninjas da ECO, sabe-se lá como, conseguiram identificá-lo. Um peteleco teria sido o suficiente para cortá-lo, mas ele foi visto como uma ameaça, como uma “corda”, bem na rota dos helicópteros.

O telefonema que recebi foi apenas para informar o ocorrido, porque ninguém cogitou sequer de pedir aos visitantes aguardassem para que os diretores da associação fossem contatados. Ainda segundo o relato dos empregados, a equipe que visitou a associação estava equipada com armas e machados, embora uma pequena tesoura tenha resolvido o problema sem incidentes maiores e eliminou aquele item que por algumas horas ameaçou a segurança e integridade dos chefes de estado que visitaram o país.

Para nós o caso foi cômico. Esquisito mesmo foi para o pessoal da Rocinha que ficou sob a mira de canhões de tanques de guerra que se posicionaram apontados para a comunidade, tudo em nome do sucesso daquele circo que se chamou ECO 92.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Nós que aqui ficamos por vós esperamos.

Crônicas de militante

Era início da noite, eu e um companheiro fomos à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, na Praça XV, contatar alguns parlamentares para a participação em atos públicos da Associação de Empregados da Embratel – AEBT RJ. Na ocasião, alguns diretores estávamos punidos com suspensão de 15 dias em decorrência conflitos com a diretoria da empresa sobre a política de Telecomunicações.

Ao passarmos pelo salão nobre da Assembleia verificamos grande movimentação e galerias cheias na expectativa de algum evento, e tomamos um susto porque as galerias estavam ocupadas com trabalhadores uniformizados ostentando logotipos e nomes de suas empresas: Correios, Cetel e Telerj. Não identificamos Embratel, talvez porque esta não tivesse um uniforme oficial. A nossa surpresa aumentou ao sabermos que o Ministro era aguardado e que receberia uma homenagem. Só então nos demos conta que era a semana do dia 05 de maio – dia das Comunicações – o que justificava a presença do Ministro. O ano era 1987.

Fizemos contato imediato com a AEBT (não existia celular) na busca de alguns militantes que estivessem por lá e que pudessem trazer faixas ou cartazes sobre os temas de nosso interesse. Tentaríamos exibi-las durante o ato. Por sorte, alguns colegas estavam por lá e se deslocaram imediatamente para a Praça XV. Ao mesmo tempo, assessores do Ministro que nos viram buscando detalhes do evento identificaram as nossas intenções. Assim, barraram a entrada dos colegas que chegaram, e um dos assessores do Ministro cuidou de abordar a mim e ao meu companheiro que estávamos no interior do prédio tentando convencer-nos da impropriedade da nossa manifestação, justificando a proibição do acesso e garantindo-nos uma entrevista direta e particular com o Ministro logo que o evento terminasse.

Replicamos que não era o nosso propósito uma conversa particular com o Ministro, que era nosso direito participar do evento, etc. E também percebemos  que o assessor queria ocupar o nosso tempo, paralisando-nos com sua conversa, enquanto o ato transcorria sem tumultos. Assim, demos um tchau para o tal assessor e insistimos em entrar, mas a barra pesou. Com seguranças de todos os lados nem chegamos perto do Ministro.

Baixamos a guarda, dissimulamos uma saída, mas nos postamos nas laterais da escadaria do prédio por onde possivelmente haveria uma saída pomposa do Ministro que, de fato, ocorreu.  Quando o Ministro desceu alguns degraus, levantamos nossas faixas e mesmo sem dispositivos de amplificação de som começamos a discursar sobre os nossos protestos. A comitiva do Ministro entrou em pânico, não sabiam para onde ir, um verdadeiro “barata  voa”.

O Ministro, vaidoso, achou que a agitação era parte das homenagens. Sem entender, sorria para nós e fazia um meio aceno de simpatia, como políticos, reis e papas costumam fazer das janelas dos palácios. Os seguranças não tinham orientação porque os assessores ainda estavam explicando ao Ministro o que estava ocorrendo. Os demais bajuladores estavam perdidos, queriam pular fora, mas não podiam deixar o Ministro sozinho. Tudo isto sob as lentes dos fotógrafos contratados para o evento.

O Ministro foi retirado rapidamente para o seu carro e sumiu. O mesmo ocorreu com os diretores das empresas, exceto um diretor ou gerente da Cetel que foi esquecido, sem carro para sair do local e deixado no meio dos poucos militantes e curiosos. Nós mesmos cuidamos de encaminhá-lo para um táxi ou seu próprio carro que foi identificado logo depois.

Saímos para comemorar o êxito e o aspecto peculiar da nossa manifestação não planejada, mas que foi um sucesso.

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

“Um e noventa e nove” também é “quase dois”

Crônicas de militante

Havia um saco cheio de leiteiras de alumínio que compramos em uma loja de 1,99. Elas eram fininhas, mais um pouco e pareceriam embalagens de quentinhas. Seriam utilizadas num “panelaço”, uma manifestação dos empregados que faziam o serviço de limpeza nos prédios e que não conseguiam receber os seus vales refeição e transportes. Aqueles trabalhadores eram tratados como de “segunda categoria” em quase todas as grandes empresas, estatais ou privadas. Não eram empregados efetivos porque o serviço era terceirizado, e as empresas detentoras dos contratos de terceirização não passavam de arapucas que atuavam sem contestações e submetendo seus empregados a relações de trabalho degradantes.

Naquelas empresas os compromissos trabalhistas raramente eram cumpridos, e quando elas não conseguiam renovar seus contratos, os trabalhadores ficavam a ver navios, contando com a admissão na nova empresa que assumiria o contrato. Neste processo, quando não havia descontinuidade no salário, muitos empregados sequer tinham noção que trocaram de patrão. Quando não era assim, os trabalhadores abriam mão dos seus direitos submetendo-se às chantagens da empresa que perdeu o contrato, sob pena de perderem os prazos de desligamento e a transferência para a nova empresa. Recurso posterior nem pensar. Seus sindicatos também eram uma farsa, além do mais, era comum as empresas que perdiam um contrato simplesmente desaparecerem do mapa, escritório fechado, e pronto.

Na Embratel os trabalhadores da limpeza encontraram na Associação um apoio porque, mesmo sem qualquer poder de representação formal, usávamos a força política disponível, ora tentando fazer com que a Embratel incluísse nos contratos de terceirização as obrigações das contratadas para com os seus empregados, ora cobrando diretamente destas últimas o cumprimento das referidas obrigações. E foi neste cenário, num criminoso e infindável atraso no fornecimento de vales refeição e transporte, que deliberamos realizar o panelaço na porta da empresa, num local por onde passariam os empregados efetivos, gerentes de vários níveis, além de transeuntes e passageiros que entravam e saíam na estação do Metro.

Iniciamos o ato. Concentração, batidas de panelas e discursos para esclarecer o motivo da manifestação. Percebemos, então, que o panelaço estava mixuruca, longe do efeito desejado. Um barulho tímido, como se o pessoal estivesse temeroso ou desistido de prosseguir com o ato. Onde erramos? Avançamos demais e desgarramos da vontade da galera? Isto seria ruim e comprometeria a atividade. Mas, felizmente, a nossa ficha logo caiu. A moçada não queria amassar as leiteiras que receberam novinhas em folha. Eram leiteiras de 1,99, mas não percebemos que elas tinham valores diferentes para nós, os militantes, e para os demais trabalhadores que, acertadamente, pensavam duas vezes antes de amassar as leiteiras no panelaço. Acho que não percebemos isto por soberba, e estivemos no limiar de também tratá-los como trabalhadores de segunda categoria.

Eles nos olhavam com um misto de cumplicidade e ironia. Reconheciam-nos como companheiros que estavam ali, juntos, num gesto de solidariedade incomum para a experiência deles, mas não estavam a fim de amassar as leiteirinhas que receberam e queriam levá-las para casa, as mesmas que tratávamos como descartáveis. Feita a descoberta, acertamos um meio termo: máximo barulho com prejuízo mínimo para as leiteiras. E realizamos a manifestação, aquela e muitas outras. Avançamos em alguns pontos e perdemos em muitos. A farsa da “terceirização” ainda é prática recorrente nas empresas.

Nosso equívoco foi engraçado, mas foi também uma lição. Vivendo em condições privilegiadas e querendo mudar o mundo, devemos avaliar se as leiteiras que precisarão amassadas tem o mesmo valor para todos os envolvidos na luta, mesmo que sejam canequinhas de 1,99.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Não trafegue na faixa!


Crônicas de militante

A ideia era ousada: içar uma faixa na Av. Pres. Vargas, no cruzamento com a Av. Passos, no Rio de Janeiro, na largura de cerca de 14 metros, de um lado a outro de uma das pistas centrais e numa altura de cerca de 17 metros das luminárias da avenida.  Na faixa, letras enormes, pintadas em vermelho, formavam a palavra LULA ao lado de um aparelho telefônico. Para garantir leveza e baixa resistência ao vento, o material usado foi isopor montado em uma rede de pescar. A construção foi no quintal de um companheiro e os construtores foram os militantes e familiares, incluindo crianças. Nosso objetivo era o comício em 10 de novembro de 1989, encerramento da campanha do primeiro turno da primeira eleição direta para presidente após o término da ditadura, e a categoria havia autorizado a participação das entidades.

A dificuldade estava na instalação. Sem outro recurso, dispúnhamos apenas de um longo fio de nylon que já havíamos estendido, em um evento anterior, desde uma sala no 17º. andar de um prédio na esquina até o topo de uma das luminárias. O projeto de içamento da faixa era uma obra de engenharia que se confundia com uma obra de arte. Um conjunto infindável e emaranhado de laços e nós entre cordões e pontos da faixa que deveriam ser passados, trespassados, puxados, repuxados, esticados, suspensos e ajeitados numa sequência rigorosa, cujo produto final, como num ato de ilusionismo, seria a faixa içada e esticada como queríamos. E essa mágica precisava ser realizada durante a madrugada do dia do comício, com trânsito mínimo, e pelos militantes que pudessem colaborar.

Foi grande a decepção dos colegas que sabiam do projeto e não viram a faixa quando chegaram pela manhã para trabalhar na Embratel. Ocorre que subestimamos as dificuldades e não conseguimos. Entre tantos problemas, um cordão de nylon que estava impregnado com cola e estendido na rua não pode ser recolhido a tempo ficando colado nos pneus de um maldito caminhão que passou. O conjunto foi arrastado danificando parte da faixa e embolando as linhas – um fracasso que nos fez desmontar o circo e abortar a operação. Fomos embora para um resto de madrugada de insônia e autocríticas. Mas, também de humor, porque um de nós que era um  projetistas da teia de aranha que viabilizaria a suspensão da faixa, sofria de uma surdez avançada que ele recusava tratar. Assim, apontamos a sua responsabilidade dizendo que a faixa foi arrastada porque ele não ouviu os insistentes gritos de alerta sobre a vinda do tal caminhão. Claro que ele não foi o responsável, mas o nosso bom humor e camaradagem permitia e não poderíamos deixar passar esta oportunidade.

Mas, a manhã seguinte, dia do comício, foi recompensadora. O estímulo dos companheiros que chegaram venceu o desânimo pelo fracasso na madrugada, e decidimos que a faixa seria reparada e que subiria, ainda durante o dia, visto que o expediente da tarde seria liberado e a avenida interditada para o comício. Formamos, então, uma operação de guerra, com militantes passando fios para lá e para cá, no meio da avenida, e sem que ninguém entendesse o que estava ocorrendo. Os militantes sabiam que se tratava de uma faixa, mas só uns poucos sabiam ou queriam compreender aquele complexo esquema de laços e nós. A garra e a confiança bastavam. Puxavam daqui e esticavam acolá, conforme fossem as instruções. Sem celular, as instruções eram dadas como comandos, aos gritos e por sinais, em meio a uma multidão que já se deslocava para o comício e alguns curiosos que assistiam. E a faixa subiu linda, ainda dia claro, sob aplausos e abraços. Resistiu bravamente ao vento durante todo o comício e podia ser vista desde a Candelária. A sua foto é uma grata lembrança.

O comício teve a presença estimada de mais de cem mil pessoas, e no segundo turno as forças de esquerda agregaram-se num embate (que foi perdido) contra o Collor, representante da direita. Mas, a partir daqui já é História do Brasil. 

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

O deputado, um chulo. Os militantes, uns sacanas.



Crônicas de militante

Para convencer Constituintes de 1988 a votarem em favor da anistia dos trabalhadores que participaram de greves, uma das tarefas era abordá-los nos corredores do Congresso Nacional quando se dirigiam ao Plenário, especialmente nos dias de votação dos temas de maior destaque. Naqueles dias eles se deslocavam em grupos, exibiam-se para fotógrafos, faziam-se simpáticos e, geralmente, não rejeitavam abordagens. Mas, não era assim todo o tempo. Em grupos menores, nos seus gabinetes, sentindo-se seguros e poderosos, eles mostravam quem eram, mesmo que não assumissem explicitamente quem estavam representando. Brilhantes, medíocres, sinceros, dissimulados, humildes, arrogantes, batalhadores, coçadores, tinha constituinte de todo o tipo – nenhum bobo. Muitos medíocres, mas espertos.

Um deles odiava os sindicatos. E a CUT parecia ser a sua inimiga maior. Ele conhecia bem a campanha da anistia, sabia sobre o trabalho que estávamos fazendo e frequentemente cruzava com a moçada que estava distribuindo cartazes, visitando os gabinetes etc. Ele tinha um pavio curto e fez fama assim, de brigão, troglodita. Aliás, até representava este papel em um programa popular de TV de audiência nacional e que foi o trampolim para sua eleição.

Ao passar por nós ele não conseguia se controlar. Sem constrangimentos, em tom alto que garantisse que estávamos ouvindo, mas não o bastante para comprometê-lo, considerando que era o corredor do Congresso Nacional, ele vociferava: Vocês não me enganam! Se fazem de santinhos, mas é tudo agitador! Tudo da CUT! Querem anistia, né? Não vão ter anistia porra nenhuma, todos vão se fuder! Vou botar na bunda de vocês! E os gritos eram acompanhados de gestos. Usando o polegar e o indicador mostrava-nos orifícios, mas não era um Ok. Também nos brindava com uns “Top, Top” batendo a palma de uma das mãos sobre o punho fechado da outra. Na época ainda não havia na linguagem brasileira de sinais pornográficos o apontamento para cima do dedo médio, gestual que foi incorporado, mais tarde, dos americanos.

 Acontecia que entre os militantes também tinha gente de todo o tipo, felizmente. Alguns queriam brigar, partir pra cima do deputado, e isso era tudo o que ele queria. Outros engoliam a raiva. E havia militantes sacanas, provocadores, que faziam questão de botar pilha no deputado, de bater palmas para ver o maluco dançar. Ao cruzar com o deputado, uma troca de olhares, um cumprimento irônico, uma risada fingidamente abafada era o que bastava. O cara surtava. Nos dias em que o nosso ânimo estava baixo era até um divertimento quando esta cena acontecia. Mesmo com a crítica da coordenação que cuidava para o trabalho não desandar com a ultrapassagem de limites na brincadeira.

O melhor ocorria nos dias de grande movimentação nos corredores. Nestes dias o deputado baixava o facho. Não era burro e sabia de suas limitações. Os militantes, por sua vez, tratavam-no como aos demais. Apresentavam-se, informavam que estavam ali para buscar o voto favorável dos mesmos, solicitavam a permissão para afixar cartazes da campanha nas paredes externas dos seus gabinetes, pediam autorização para afixar um adesivo em suas lapelas, além do tradicional gesto da mão no ombro ao caminhar, uma oportunidade para colar um adesivo nas costas do deputado sem que ele percebesse. Assim, o parlamentar chulo circulou muitas vezes pelo Congresso exibindo adesivos da campanha pela anistia dos trabalhadores que ele odiava, e era alvo de chacotas, como ocorre nas brincadeiras de rabiola entre garotos nas escolas, até que algum dos seus pares ideológicos o alertasse.

Conquistamos a anistia e o deputado seguiu seu caminho, inglório e vergonhoso. Suas pragas e esconjuros viraram contra si próprio. Membro da “tropa de choque de Collor” e réu confesso no caso “mensalão”, teve o seu mandato cassado em 2005 por quebra de decoro parlamentar.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Fazendo queixas ao bispo


Crônicas de militante


Em 2013 o cardeal católico D. Paulo Evaristo Arns, símbolo da luta em defesa dos direitos humanos, completará 92 anos de idade, e foi com ele, ainda com 68 anos, que tivemos a oportunidade de conversar em audiência, eu e mais dois companheiros. Estávamos empenhados em denunciar, por todos os meios possíveis, a postura do ministro das Comunicações que se recusava a cumprir a anistia constitucional dos empregados do setor. Assim, a manifestação pública de uma autoridade como o cardeal Arns seria importante para os nossos objetivos. Com a intermediação de um parlamentar que tinha base em comunidades católicas conseguimos uma audiência, e lá estávamos, numa tarde de julho de 1989, na antessala do cardeal, em S. Paulo, aguardando e observando outros que também esperavam. Brasileiros e estrangeiros.  Alguns religiosos, outros não.

O encontro pessoal com o cardeal Arns reafirmou a imagem pública que conhecíamos. Ele nos recebeu com uma cortesia, afetuosidade e atenção que foi  além das nossas expectativas, ouvindo-nos sem demonstrar gestos de impaciência ou intolerância, e logo manifestou solidariedade e compromisso de ajuda, embora com um alerta. Disse-nos que tinha dúvidas se o seu engajamento seria positivo ou negativo para os nossos propósitos, considerando que ele também era um alvo das ações e posturas negativas do então Ministro das Comunicações.

O cardeal relatou-nos a situação da Rádio 9 de Julho, uma concessão do presidente Kubitscheck à Arquidiocese de São Paulo, feita em 1955, que cobria todo o estado, além de outros do país, muitos países latino-americanos e alguns países nórdicos europeus com grande audiência e repercussão. A concessão foi cassada em 1973, pelo governo Medici, face aos seus posicionamentos em defesa dos direitos humanos e denúncias de arbitrariedades do regime militar tais como a supressão das garantias individuais, as prisões política, torturas, desaparecimento de pessoas, etc.

Segundo o cardeal, a devolução da concessão teria sido um compromisso do falecido presidente Tancredo Neves, mas que não foi cumprido pelo ministro Antônio Carlos Magalhães e o presidente Sarney que lhe ofereceram, em contrapartida, uma emissora em Cotia cujo sinal nem chegava a São Paulo e que ele (o cardeal) declinou. Com outros relatos e nos dedicando um tempo generoso de sua agenda, o cardeal informou-nos que conversaria com os seus assessores sobre como poderia colaborar e assim o fez. Sabíamos desde o início das dificuldades do cardeal que já enfrentava batalhas em seus próprios domínios. O Papa João Paulo II, para reduzir a influência religiosa e política do cardeal, havia recentemente dividido a diocese de São Paulo em cinco novas dioceses. Ainda assim, alguns dias após a audiência, recebemos a notícia de uma carta da Arquidiocese, cuidadosa, mas exortando o Ministério das Comunicações para o cumprimento da Constituição no que se referia à anistia dos trabalhadores de Telecom.

A Rádio 9 de Julho só foi devolvida à Arquidiocese em 1996, no governo FHC, e foi também neste ano que o cardeal Arns, com 75 anos, apresentou sua renúncia e recolheu-se ao silêncio, de onde não saiu, nem mesmo para as celebridades de comemoração dos seus 90 anos.

Guardo este encontro como inesquecível, a oportunidade de conversar com um militante exemplar que, em 1973, ao ser nomeado bispo, vendeu o Palácio Episcopal, que seria a sua residência,  e com a grana financiou núcleos comunitários na periferia de S. Paulo; que denunciou e reclamou sobre a tortura diretamente no gabinete do ditador Medici, que de lá praticamente o expulsou, irritado, dizendo que o seu lugar era na sacristia; que abriu a Sé, em São Paulo, em 1975, para um culto em memória do jornalista Wladimir Herzog .

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um grande susto e uma boa corrida


Crônicas de militante

Promover uma greve geral não é fácil. Enfrenta-se o patrão e sua segurança privada; o governo que via de regra confunde-se com o patrão e mobiliza as forças de segurança pública; a alienação de trabalhadores que não relacionam suas dificuldades com a necessidade de sua mobilização e capacidade de reação; as categorias não se relacionam como classe. Além do mais, há que atuar especificamente junto aos pontos que funcionam como símbolos, como estandartes de mobilização das lutas  No Rio de Janeiro, por exemplo, uma greve geral não se caracteriza se não pararem os ônibus urbanos.

Mesmo forte e com adesão expressiva, simbolicamente, a greve com ônibus rodando não será considerada greve. E com esta avaliação, patrões e governo usam todos os recursos para colocar os ônibus nas ruas, e os grevistas para pará-los. E parar um ônibus que já começou a circular, só com uso do miguelito, uma peça formada por dois pedaços de vergalhão de 8mm, de 12 a 14 cm cada, as pontas chanfradas para facilitar a perfuração, dobrados em L, unidos e soldados pelas alças dos L. Em qualquer posição que seja deixado, o miguelito sempre ficará apoiado em um tripé com uma das 4 pontas para cima, em posição ideal para arriar um pneu.

Mobilizados para o sucesso da greve geral de março 1989, convocada pela CUT e a CGT, contra o Plano Verão, saímos logo nas primeiras horas do dia para avaliar a mobilização e a paralisação dos rodoviários, uma categoria com uma história sindical complicada. O dia precisava amanhecer com cara de greve, ou seja, sem ônibus circulando. Os piquetes nas empresas de ônibus precisavam ser efetivos e os miguelitos precisavam cumprir a sua função junto às unidades com fura-greves que insistissem em circular.

Estávamos no subúrbio e avistamos um ônibus parado, em um ponto não convencional, possivelmente aguardando para começar a rodar. Aproximamo-nos para abordar o fura-greve, tentar convencê-lo a parar e, naturalmente, para posicionar convenientemente alguns miguelitos como precaução para um insucesso no convencimento. Batemos na lataria do ônibus anunciando a nossa chegada e caminhamos para as portas. Foi quando o ônibus, que parecia vazio, iluminou-se e ficou cheio de PMs. Policiais que não avistamos porque estavam escondidos ou porque descuidamos de verificar. O fato é que não deu para compreender o que acontecia e ninguém ficou para esclarecer. O ônibus criou vida, como uma colmeia atiçada, com abelhas fardadas descendo para nos encher de porrada. E nós ... corremos. Muito! O instinto apontava a direção e o medo dava energia. Felizmente, os instintos e medos, meus, de um companheiro e de uma companheira, os três telefônicos, estavam em sintonia, o que nos permitiu correr na mesma direção. Os demais dispararam, sei lá para onde.

A corrida da nossa companheira foi prejudicada por uma dificuldade respiratória, mas tivemos energia suficiente para puxá-la, de braços dados, e disparamos por ruas que não conhecíamos, entramos em quintal de residência e nos escondemos. Algo impossível nos dias atuais. Para sorte nossa, a polícia estava designada para proteger os empresários e suas frotas, não era um pelotão de extermínio como os noticiados hoje. E a nossa tática naquele momento, revolucionária, foi correr, esconder, e esperar para retornar quando o ambiente acalmasse.

Não vimos se o ônibus colmeia chegou a ser abatido. Logo que foi possível saímos dali e partimos para outras tarefas. Mas, os demais ônibus pararam, assim como o metro e os trens. Ao fim de dois dias de greve o Jornal do Brasil estampou em primeira página uma foto da Presidente Vargas, desde a Central até a Candelária, completamente vazia de ônibus. Uma greve geral vitoriosa, a maior do país, até hoje, com uma adesão estimada de cerca de 35 milhões de trabalhadores. Valeram o susto e a corrida.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O afago do senador

Crônicas de militante


Era ano de Congresso Constituinte – 1988. Vários de nós, empregados em empresas estatais, estávamos em Brasília trabalhando no convencimento dos parlamentares para a aprovação da proposta de anistia aos trabalhadores de empresas estatais demitidos pela participação em movimento grevista. Alguns eram voluntários dedicando suas férias ou folgas em prol do movimento, outros eram dirigentes ou representantes sindicais liberados, e outros eram os próprios demitidos, aqueles que se dispuseram a participar da base de atuação montada no Congresso Nacional pelas entidades de categoria formando o “Comitê das Estatais”.

O convencimento ou lobby não era simples nem agradável. Tínhamos que abordar, tentar conversar e convencer a votar em favor da anistia justamente os parlamentares conservadores, a maioria deles representantes dos grupos ou das causas que motivaram as greves. Eles, por sua vez, sabiam que a parte maior dos que os abordavam eram figuras de destaque, cabeças ou lideranças dos movimentos grevistas em suas empresas nos diversos estados do Brasil, militantes ativos no movimento sindical e também nos diferentes partidos de esquerda.

Certo dia, a nossa missão era abordar um parlamentar ex-militar, liderança no golpe de 64, um destacado constituinte, senador de um partido da direita, que sabia bastante sobre a militância de esquerda e suas representações, seus inimigos, em especial a CUT.

Fomos recebidos com respeito e cordialidade, e ouvidos com atenção. O senador  fez algumas ponderações e contestações sobre como ele via o histórico da nossa atuação, sempre procurando algum elemento ou motivação que permitisse nos despachar sem contradizer a sua fama de, embora conservador, democrata.

Para o senador aquela também não era uma tarefa simples. Nossa abordagem era cuidadosa, identificando-nos com a causa da anistia, sem referências ideológicas ou partidárias. Não dávamos motivos para ele nos despachar. Éramos representados pelos colegas mais experientes e julgados com melhor preparação para as abordagens dos parlamentares considerados especiais pela sua representatividade política no congresso ou no seu partido.

Conversa vai e vem, transmitimos a nossa mensagem. O senador foi cordial todo o tempo com os jovens rebeldes. Com um braço sobre os nossos ombros nos dava tapinhas camaradas nas costas enquanto com a mão aberta do outro braço afagava carinhosamente o nosso peito entre a camisa e o paletó. Parecia um conselheiro mais velho orientando um jovem querido, um filho, sobrinho ou parente próximo.

Sabíamos porém que a raposa buscava os nossos broches de militância, do sindicato, da CUT ou do partido. Ele sabia que estava falando com militantes mais experientes, que era nossa prática ostentar estes adereços e que possivelmente estariam escondidos sob o paletó durante a entrevista.

Felizmente esta situação era prevista, aliás, justamente por conta destas situações a nossa organização determinava quem deveria ser abordado, por quem e, se possível, quando isto deveria ocorrer, Mesmo assim, nesse dia foi por um triz. O meu companheiro estava com uma estrelinha do PT na parte inferior do paletó. Por sorte, bem no fundo, quase no sovaco, e o senador não detectou.

A visita valeu. Depois o senador recebeu outras visitas e foi talvez a figura principal na defesa da nossa proposta de emenda que foi vitoriosa e anistiou os demitidos das estatais, entre eles, nós, os demitidos do setor de Telecom.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Um ministro malvado e uma categoria marrenta



Crônicas de militante


No Brasil pós-ditadura vivenciamos uma situação - estranha – para não rebuscar outros adjetivos. Saímos de um processo constituinte com um presidente – Sarney – e um ministro das Comunicações – ACM. Uma amostra clara que um sistema ditatorial pode cair, mas dependendo de como este processo ocorre a ditadura e suas representações podem não desaparecer imediatamente do cenário social. Situação quase desanimadora.

E, naturalmente, o ministro não deu a menor trela para cumprir a anistia constitucional dos empregados demitidos por participações em greve. Todos os setores cumpriram Constituição, menos o setor de Telecom. Não bastou o tanto que lutamos para garantir a Anistia, foi preciso, ainda, recorrer à justiça para garantir o cumprimento da Lei. Mas, como diz a sabedoria popular sobre os antagonismos entre deuses e demônios: se um tira os dentes, o outro alarga a goela. Assim, se as circunstâncias determinaram alguém com alcunha de malvadeza para mandar em um setor tão importante como as Telecom brasileiras, elas também determinaram uma categoria de trabalhadores com uma inusitada consciência da sua importância e do seu papel político e que nunca curvou a cabeça nem se deixou confundir com a figura do ministro do setor.

 Após idas e vindas à Justiça do Trabalho que duraram cerca de sete meses após a promulgação da Constituição, conseguimos, em 28 de abril de 1989, uma ordem judicial para a nossa readmissão na Embratel, uma alegria que durou pouco. Fomos encaminhados para exames de saúde admissionais e, antes mesmo de completá-los, a empresa conseguiu sustar a ordem judicial fazendo-nos retornar à luta por uma nova liminar que só foi obtida em junho de 1989. Porém, dessa vez seria diferente. A nova decisão, para evitar a manobra anterior da Empresa, mandava que retornássemos diretamente aos nossos postos de trabalho e que “... as eventuais rotinas burocráticas para a readmissão...” fossem procedidas sem prejuízo da permanência em nossos postos “... sob pena de desobediência (Rio, 16.06.89)”.

Não alardeamos a obtenção da nova liminar. Tratamos de saber exatamente quando a empresa seria intimada e nos organizamos para esse dia. Providenciamos um carro de som e nos  certificamos da presença do diretor administrativo em sua sala no dia e horário previstos para a intimação. Monitoramos as saídas laterais do prédio para detectar uma possível evasão do diretor e, com as informações em mãos, o oficial de justiça entrou e fez valer a decisão da juíza. Era início do horário de almoço e, providencialmente, os advogados da empresa estavam todos almoçando, sem fazer ideia do que ocorria. O diretor, uma figura medíocre para o cargo que ocupava e que se escudava nas suas relações serviçais com o ministro, sequer teve a quem recorrer. E foi uma festa! No mesmo instante da intimação o carro de som anunciou o que estava ocorrendo no andar da diretoria. Os colegas que sabiam do assunto iniciaram uma chuva de papel picado acompanhados por outros empregados que ainda estavam no interior do prédio. Os que entravam e saiam para o almoço agitaram a portaria principal da empresa. O corredor do andar onde eu e outro companheiro anistiado trabalhávamos encheu de colegas aguardando-nos chegar e sermos levados até os nossos postos, às 13 horas do dia 22 de junho de 1989 como o oficial de justiça lavrou nos autos, um retorno com nove meses de atraso. E a festa se repetiu no retorno de cada um dos anistiados aos seus respectivos postos.

Foi uma grande vitória. Não dos anistiados, mas do movimento dos trabalhadores, particularmente dos empregados da Embratel que engoliu o constrangimento da derrota e deixou de questionar o nosso retorno. Cada encontro no interior da empresa era acompanhado de abraços, de comemorações, de orgulho e também de reflexão sobre o que havíamos conquistado. Almas lavadas após um ano e sete meses de lutas desde as demissões.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O lixo da categoria


Crônicas de militante


Fazer piquete de greve na Rua Alexandre Mackenzie era um desafio. Eram dois prédios na mesma calçada, um da Embratel e outro da Telerj. Dois prédios operacionais onde os trabalhadores se revezavam em turnos de 24 horas. Eram poucos, mas não parava de entrar e sair gente. Os maiores contingentes eram os de telefonistas. No prédio da Embratel as telefonistas internacionais e no prédio da Telerj as telefonistas do serviço interurbano conhecido como 102. Havia telefonistas de ambos os sexos, mas usávamos o feminino, as telefonistas, porque as mulheres eram maioria absoluta.

As telefonistas internacionais da Embratel eram engajadas no movimento sindical e até mais avançadas que os demais trabalhadores da empresa. Jovens e universitárias em sua maioria, com outros projetos de carreira, o emprego de telefonista era uma circunstância favorável na medida em que a carga horária e os turnos permitiam que desenvolvessem outras atividades. O mesmo não acontecia com as telefonistas do 102, da Telerj. Estas eram em maioria senhoras com muitos anos de casa, muitas no limiar da aposentadoria, e acostumadas a uma relação de subserviência total à estrutura da empresa e aos seus supervisores que atuavam como verdadeiros capatazes numa relação sem qualquer respeito para com as mesmas.

Os dias de greve eram dias de crise com as telefonistas do 102. As greves eram decretadas a partir da meia noite quando, então, formavam-se os piquetes. Na Mackenzie, já sabíamos que no início da madrugada elas começariam a aparecer querendo entrar de qualquer jeito.

As primeiras apareciam na esquina da rua Mal. Floriano com a Mackenzie, e quando identificavam os piquetes elas reduziam o passo e aguardavam a chegada de outras colegas. Quando em número bastante para se sentirem fortalecidas caminhavam em direção à portaria, encolhidinhas, uma atrás da outra, acossadas pelos supervisores que, de dentro do prédio, faziam ameaças veladas pelas janelas. Jogavam-se contra os piquetes, era um caso sério. Bate boca, discursos de convencimento, ofensas, sem contar que algumas vinham acompanhadas por maridos, filhos etc. que se integravam ao conflito com os piquetes.

Certa vez, um grupo de estivadores do Porto do Rio de Janeiro estava dando um “apoio” ao movimento dos trabalhadores de Telecom e participando do piquete de greve. O tal “apoio” tornou-se um problema adicional porque, além de tratar dos fura greve, tínhamos que conter os piqueteiros estivadores que não entendiam a nossa atitude de fazer discursos de convencimento dos fura greve. Para eles fura greve deveria ganhar porrada, afinal para isto o piquete estava ali. Porém, como eles eram um grupo de apoio, mesmo a contragosto acatavam os nossos procedimentos e buscavam algum mecanismo para  viabilizar aquele piquete estranho e, na visão deles, tão delicado.

Na Mackenzie, diante o comportamento das telefonistas da Telerj, os estivadores pegaram os latões de lixo que ficavam na calçada e cuja coleta ocorreria pela manhã e despejaram uma montanha de lixo na portaria, deixando um único cantinho livre para quem quisesse sair do prédio. Adicionalmente, esticaram um fio de barbante com várias baratas penduradas, vivas e mortas, todas que conseguiram recolher ao revirar o lixo, de maneira que, quem quisesse atropelar o piquete teria que chafurdar no lixo e ultrapassar a barreira de baratas. Foi um caos. Uma comédia que fez aquele piquete inesquecível.

Pela manhã, após inúmeras cenas envolvendo tombos, lixo, brigas e  baratas, chegou o caminhão para fazer a coleta de rotina do lixo. Os lixeiros foram repelidos sob ameaça de um confronto. Recolher o lixo seria um boicote ao movimento dos trabalhadores de Telecom .  Afinal, aquele lixo pertencia à categoria!