Opinião
O encaminhamento que está
sendo dado às prisões do capitão ex-boquirroto e do banqueiro da peleleca, dois
criminosos que incluem em seus portifólios o planejamento de agressões e até de
assassinato de opositores, institucionaliza a canalhice das relações sociais no
país.
Não que seja uma surpresa,
nunca foi, mas as decisões recentes, tais como: assistência médica especial, integral e permanente; prisão
domiciliar; troca para celas com instalações mais confortáveis; enfim, benesses
e mordomias típicas de roteiros de filmes sobre chefões mafiosos e
quadrilheiros, além de escancararem a situação real do poder aqui, por nossas
bandas, escancaram também o papel de muitos profissionais da mídia, que tentam passar
apenas como mensageiros, mas que, a rigor, desempenham papel importante na
configuração da hipocrisia
institucional.
Tem sido frequente as
denúncias de militantes da esquerda sobre as tratativas que vários jornalistas têm
dado aos assuntos que permeiam o cenário político do país, embora algumas dessas
críticas até disputem em escrotidão com as situações e as práticas que
denunciam. Em resposta, figuras importantes da mídia nacional desfilam com um
discurso recorrente: são mensageiros, revelam fatos e protagonistas, as
críticas são descabidas porque confundem os mensageiros com as mensagens.
Essa tem sido uma retórica
frequente, mas é um argumento falso. Esses jornalistas, considerando a
estrutura do conglomerado de mídia em nosso país, não são apenas mensageiros,
embora tentem parecer assim. São figuras públicas, com representatividade na
sociedade, dispõem de canais alternativos de comunicação, tipicamente redes
sociais, e emprestam os seus nomes e currículos como endosso das notícias que
divulgam, mesmo quando tratadas e orientadas por suas respectivas gerências
editoriais.
E agora? Diante do
descabimento das situações atuais, o que fazem esses mensageiros? Calam-se! O silêncio
é total.
O powerpoint da vênus platinada no dia 20/03/2026, e a sua tentativa de desqualificação da importância do fato com um esfarrapado pedido de desculpas no dia 23/03/2023, passou a ser o caso mais recente. O caso compromete todo o quadro dos pretensamente isentos jornalistas. Não dá pra jogar culpas para os conselhos e redatores editoriais. Não dá para classificar as bancadas entre os “do bem” e os “do mal”. Quem viu e calou concordou, foi cúmplice, porque todos viram.
###